Super Dica de Cinema
  14/10/2021 às 13h07

Venom: Tempo de Carnificina


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Venom: Tempo de Carnificina

Por mais que 'Os Vingadores' e toda a franquia esteja consolidada, nós sabemos que os direitos para utilização de Venom, e também do Homem-Aranha, ainda estão com a Sony Pictures. Não à toa, o estúdio lançou este ano seu próprio selo para este universo que tem sido compartilhado com Universo Cinematográfico Marvel, o Sony's Spider-Man Universe. E por que isso é importante? Simples, pelo fato da atual casa do Cabeça-de-teia e do Protetor Letal ter encontrado outra fórmula para fazer sucesso, algo que nem mesmo Kevin Feige começou a fazer!

Desta forma, 'Venom: Tempo de Carnificina' chega aos cinemas trazendo mais uma aventura do anti-herói simbionte e desta vez enfrentando um inimigo conhecido dos quadrinhos. Contudo, o que poderia ser uma excelente adaptação encontra uma produção desconjuntada, apressada, sem preocupação com construção de personagens e focada totalmente nos momentos de ação. E pensando bem, esse modo é um jeito de não levar a sério essa questão de universos compartilhados ou obrigatoriedades de Multiversos, então, mesmo errando, Venom é um grande acerto!

Eddie Brock segue sua vida cheia de altos e baixos. E com Venom em seu corpo, a qualquer momento isso pode mudar! Assim, depois de conhecer e entrevistar o assassino em série Cletus Kasady, Eddie publica uma matéria de sucesso às custas da história do bandido que obviamente quer vingança. Após uma última conversa entre os dois, Cletus tem contato com o sangue sambionte do repórter e logo, consegue seu próprio "hóspede alien", Carnificina. Agora solto, essa criatura procura matar todos que lhe causaram mal, encontrar um amor do passado e claro, destruir Eddie Brock e Venom!

Andy Serkis (O Senhor dos Anéis, Planeta dos Macacos e The Batman) é quem comanda a produção e sejamos sinceros, não é um trabalho memorável se compararmos a tudo o que o ator realizou de magistral em sua carreira. Falta domínio técnico e sobram boas intenções em mais de uma hora e meia de produção que às vezes se perde totalmente em tão pouco tempo!

A direção não sabe ao certo conduzir os momentos. Tudo é extremamente exagerado, tanto no humor quanto no drama, transformando esse novo capítulo de Venom, numa grande "novela mexicana" de heróis. Isso fica mais evidente quando percebemos que diversos arcos vão sendo construídos e poucos tem um final assertivo. E em meio a tudo isso, ocorrem as sequências de ação, sendo que poucas conseguem realmente acertar no pretende entregar.

A câmera não para, os cortes são abruptos, há um tom escuro que atrapalha a visão do que está acontecendo, justamente para esconder o emprego de computação gráfica, e cada uma dessas cenas parecem não se conectar com o todo a ser mostrado. Infelizmente, a sensação é de estarmos vendo um videoclipe, com cortes rápidos de uma história, enquanto que banda também precisa aparecer na tela. Neste caso, até os instantes dos protagonistas acabam perdendo força!

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E ainda que Tom Hardy se esforce a dinâmica Venom X Eddie às vezes tudo isso cai numa relação infantilizada e desconexa com que foi estabelecido no primeiro filme. Ao mesmo tempo, há sim sequências que nos convencem de um bom trabalho sendo feito, porém quando observamos o todo, existe um constrangimento latente na interpretação de Hardy. Já Woody Harrelson é o Woody Harrelson, ele entrega o que se espera, faz as feições alucinadas que precisa fazer, demonstra estar se divertindo com aquilo, e fecha sua participação com assertividade.

Dito isso tudo, a direção aqui não é ponto forte!

Este é um filme que não se preocupa em ficar explicando tudo o que está acontecendo. Então, se você não viu o filme de 2018, certamente irá se perder em algumas informações. Não que isso venha a atrapalhar o entendimento da história de "Venom 2"!

Eddie Brock é nitidamente um anti-herói, por mais que faça atos de bondade, sempre procura a melhor forma de encontrar benefícios para si, e para Venom também. E o seu encontro com Cletus é o que transforma essa perspectiva totalmente. Pois se a narrativa sempre procurou mostrar que nem todo mundo é totalmente maldoso, a chegada de Carnificina acaba completamente com essa teoria. Há todo um contexto por trás do inimigo da vez do simbionte preto, realizado com criatividade através de uma animação, que nos deixam mais cientes de suas ações. Só que mesmo tentando construir isso, o texto se perde.

Entre o exagero das piadas, do humor físico e das cenas onde "dois seres dividem o mesmo corpo", sobra uma palhaçada absurda, regada a situações constrangedoras. O que obviamente irá arrancar risadas de boa parte da plateia e em alguns momentos, funciona não pelo roteiro em si, mas pela bizarrice assistida!

E eis o ponto que quero chegar!

Este não é um filme para os fãs de quadrinhos, tão pouco para quem acompanha com afinco o Universo Marvel. O trabalho que está sendo realizado dentro deste "Universo Sony" é justamente o de conquistar um público maior, além do nerd. Pelo fato desta obra não estar preocupada em nenhum instante em referenciar algo ou construir elementos que venham a se conectar com o que já foi realizado. Deste modo, o filme inteiro entrega uma aventura para quem procura se divertir, aproveitar a ação e vislumbrar uma figura que transita entre o bem e o mal longe da obrigatoriedade de discursos filosóficos!

Está tudo bem fazer dessa forma, contudo temos uma cena pós-créditos que talvez altere isso!

'Venom: Tempo de Carnificina' está naquele panteão de filmes de quadrinhos de gosto duvidosos, onde não sabemos se é ruim porque tenta ser bom, ou é bom por tentar ser ruim! Ainda assim, pelo fato de se desprender de qualquer conceito estabelecido de referenciar com obrigatoriedade outros universos, a produção tem seu acerto em se apresentar como uma obra para todos, independentemente de quantos quadrinhos leu ou adaptações assistiu! Ao mesmo tempo, isso não remove as falhas técnicas que infelizmente colocam em xeque a construção cinematográfica de Andy Serkis, já que há cenas incoerentes, mal editadas e repletas de um visual executado com amadorismo!

E pensando bem, esse modo é um jeito de não levar a sério essa questão de Universos Compartilhados ou de Multiversos, então, mesmo errando, Venom é um grande acerto!

'Venom: Tempo de Carnificina' está em cartaz nos cinemas!

P.S: Há uma cena pós-créditos!

Will Weber
Geek Guia 

 

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