Super Dica de Cinema
  09/10/2020 às 16h27

Vampiros x The Bronx


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Vampiros x The Bronx

Houve uma moda no início dos anos 2000 que modificaram inúmeras criaturas conhecidas da cultura pop. Os lobisomens não eram mais tão ferozes, as bruxas estavam limitadas em seus poderes e os vampiros, como todos sabem, até resistiam à luz enquanto brilhavam! Porém, sempre existem aqueles que nos lembram como tais manifestações podem ser horrendas quando contadas de forma assertiva.

Assim, em Vampitos x The Bronx, da Netflix, um grupo de jovens precisa deter vampiros que estão se apoderando do bairro onde moram, matando pessoas e trazendo o terror para ruas. Nessa pegada que une A Hora do Espanto e Os Garotos Perdidos, tanto visualmente, quanto através da narrativa, o cenário atual e a criatura clássica se unem nessa divertida aventura!

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Miguel, também conhecido como "Prefeitinho", defende o Bronx para manter seu bairro da melhor forma. Seus amigos, Bobby e Luis estão sempre o ajudando, mas quando desaparecimentos começam a acontecer e os imóveis do local passam a ser comprados por uma empresa suspeita, os jovens descobrem que há vampiros querendo dominar o Bronx. Assim, só os resta defender o local contra essas criaturas das trevas!

Oz Rodriguez comanda produção trazendo uma narrativa repleta de boas referências e até mesmo um estilo "Spike Lee" de tomar certos rumos no discurso empregado! É interessante o quanto a direção contextualiza, apresenta e deixa que o próprio bairro, presente no título no longa, ganhe forma e vida! Ao mesmo tempo, o comando escolhe em mostrar a realidade das pessoas, o que enfrentam diariamente e o que almejam conquistar.

Com esses elementos, Rodriguez cria o seu próprio universo de criaturas e combatentes, apoiado na mitologia clássica dos vampiros. Aqui, os mortos-vivos bebedores de sangue não podem sair à luz do dia, a água benta os afeta, assim como alho, crucifixos e prata. E a boa e velha estaca no peito, dá conta de os deter. De igual modo, o convite que deve ser feito para que aí sim, um vampiro possa entrar.

Tais detalhes, por mais que sejam conhecidos de outras obras, evocam aquela atmosfera dos anos oitenta presentes em clássicos dos filmes da tarde como A Hora do Espanto, Buffy: A Caçadora de Vampiros e Os Garotos Perdidos. Porém, para que tudo isso não seja apenas um "copiar e colar", o diretor dá seu toque, elevando a cultura do bairro, das pessoas que lá moram e do quanto enfrentar tais seres se tornam uma metáfora dos problemas sociais presentes no cotidiano!

Além disso, o trio protagonista, interpretados por Jaden Michael (Miguel), Greogory Diaz IV (Luis) e Gerald Jones III (Bobby), entregam toda a esperteza, divertimento, dúvidas e coragem que meninos com sua idade podem possuir. Cada um com suas histórias e contextos, estabelecem uma relação carismática e empática com o público logo de cara! E tudo isso contribui para que a história caminhe de forma competente!

A frase acima emprega muito do que encontramos no texto da produção! De uma maneira bem direta, o roteiro escolhe apresentar a cultura presente no Bronx, mas não só isso, as dificuldades, os problemas devido a recessão econômica e a violência que cerca o dia a dia de cada habitante do local. Há também espaço para os locais importantes como a Bodega, a igreja e as ruas abarrotadas de pessoas conversando, jogando, de crianças brincando. O bairro é um personagem tão forte quanto os principais!

Logo, quando o perigo é apresentado entendemos que não é apenas uma questão de criar novos vampiros ou alimentar os que já existem, a escolha de estarem naquele lugar é estratégica. Em diversos momentos, a narrativa deixa claro que por várias vezes a única defesa do lugar são seus próprios moradores pois não vemos autoridades interessadas em fazer algo, desde àqueles que fazem parte da administração como um todo até a polícia.

Nisso, os vampiros se sentem "livres" para atacar, matar e até mesmo, pensar em aumentar sua colônia de mortos-vivos, pois, como eles dizem, não há preocupação da parte de ninguém caso algum morador desapareça! Então, é na figura de Miguel, o "Prefeitinho", que o contraponto surge! Vemos no jovem a determinação, vontade e esforço e manter o seu bairro da mesma forma. Seguro, com todas aquelas figuras que fazem parte daquele microuniverso formado por latinos, negros e imigrantes! Desta forma podemos dizer que os jovens combatem muito mais que criaturas das trevas, mas o preconceito institucionalizado e cultural, presente em quem os deveria ajudar e nos próprios algozes de outro mundo!

Vampiros x The Bronx é uma divertida aventura que abraça os clássicos do cinema com vampiros para dar um contexto atual, em que questões sociais e culturais se tornam motivação para as criaturas das trevas surgirem! Ao mesmo tempo, traz aos seres mortos-vivos bebedores de sangue a figura que lhes é devida!

Com uma direção que torna a produção uma junção de discursos sociais importantes com toques de terror, talvez certos momentos convencionais demais e facilitados sejam os únicos pontos divergentes na obra, mas nada disso remove o entretenimento presente no longa, tão pouco, o carisma do trio protagonista.
Ao final, quando criaturas das trevas pensarem em dominar um local para continuar sua jornada de matança, antes devem entender que os tempos mudaram e tanto sua sede de sangue quanto o preconceito serão combatidos com todas as armas possíveis! E esta última frase se encaixa em vários contextos, no político então...

Vampiros x The Bronx está disponível na Netflix!

Will Weber
Geek Guia

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