Super Dica de Cinema
  22/11/2021 às 13h15

Tick, Tick... Boom!


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Tick, Tick... Boom!

Cinema e música possuem uma relação de muito intensa! Principalmente em produções biográficas. Quando bem trabalhados, tais elementos intensificam a figura principal e proporcionam ao público uma experiência repleta de emoções, e familiaridades. E tudo isso, encontramos neste musical que poderia ser a representação da vida de qualquer um.

A recente obra original da Netflix “Tick, Tick...Boom!”, é baseado no musical autobiográfico do escritor e compositor de Jonathan Larson (1930-1996) responsável pela maneira inovadora ao fazer teatro. O longa, conta com a direção do prestigiado dramaturgo Lin-Manuel Miranda.

Larson, filho de pais judeus e nascido em Nova York, sempre teve contato com a arte, após a faculdade dividiu aluguel com amigos em um local precário, ambiente este que serviu de escopo para sua imaginação, utilizando de sua criatividade e vivências pessoais como conteúdo para produção de suas principais peças musicais afastando-se do padrão tradicional, explorando assuntos considerado tabus para época de forma original e didática.

Ao iniciar do filme, ocorre uma perfeita ambientação aos anos 90 com qualidade de imagem em VHS, possuímos um vislumbre sobre o futuro brilhante do personagem, o que já expõe a não linearidade da trama. Logo após, há uma imersão sonora estrondosa de piano apresentada por John (Andrew Garfield) o incômodo é apresentado de forma proposital, o intuito é fazer com que o telespectador sinta a angústia do personagem em relação a crise existencial que se antecede a semana do seu aniversário de 30 anos de idade.

É a partir deste momento, que somos inseridos ao mundo do personagem. Ao cantar, John realiza uma reflexão comparativa sobre feitos realizados por pessoas nos quais os cercam e o inspira, apresenta de forma cômica o processo de rejeição pela indústria, sobre sua primeira composição musical de rock diatópico intitulado como “Superbia, mesmo que tenha dedicado 8 longos anos para sua composição enquanto trabalhava em uma lanchonete.

A partir deste momento, ocorre a apresentação dos personagens que formam o elo de seu convívio: Seus amigos Michael (Robin de Jesús), Carolyn (MJ Rodriguez) e sua namorada Susan (Alexandra Shipp) que desempenham papéis significativos para a construção da trama. É possível observar entre diálogos apresentados, os conflitos e complexidades vividos por cada personagem, todos possuem suas ambições, desejos e consequentemente suas frustrações.

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Entretanto, é a partir da atuação impecável de Andrew Garfield, que somos capazes de absorver e compreender o medo de John ser “engolido” pela grande metrópole de Nova York. A sensação do desespero, do medo é transmitida através dos gestos, expressões e claro, o canto. O filme também demonstra a incoerência do personagem em relação a fazer tarefas que lhe dão prazer, como é o caso da arte, mas que não lhe proporciona uma vida de luxo, comparada a vida de seu melhor amigo publicitário Michael. A trama evidencia o poder das escolhas e suas consequências, explorando a busca incessante do personagem com algo que conecte com o mundo fora!

Em uma época em que a tecnologia e a ciência não detinha avanço suficiente, os anos 90 foi marcado pelo avanço do vírus imunodeficiência humana (HIV), no qual, consequentemente, devido ao pouco conhecimento causou grande comoção e preconceito generalizado, principalmente a ataques a pessoas da comunidade LGBTQIA +.

'Tick, Tick...Boom!' aborda este tema de forma sucinta, porém, determinante como ponto de reviravolta sobre o enredo, quando seu melhor amigo Michael revela ser soropositivo em um período de incertezas, onde a morte era um medo constante para aqueles que contraiam a doença. Deste ponto em diante, Larsson assume o quanto sua ausência devido ao seu bloqueio criativo, e a busca infindável ao tentar adquirir inspiração para sua composição musical, tornam-se banais quando percebe sua negligência em relação aos amigos e a sua namorada que em vão tenta discutir o futuro de seu relacionamento no qual já está fadado ao fim.

Logo na obra torna-se notório em sua representação de história contada, é possível compreender as fantasias e anseios vividos pelos personagens, a sensibilidade e emoção enaltecida pelas canções, danças e diálogos. Uso de cenas que utilizam a quebra da quarta parede aproxima o telespectador ao mundo dramático do personagem.

Não há como não colocar em destaque a performance técnica e vocal de Andrew Garfield explorada neste filme. Sua interpretação como John e forma irônica, sensível que lida com a vida. É interessante descobrir através da interpretação de Garfield que Larson passou anos de sua vida acreditando que “Superbia” seria sua melhor e principal criação quando na realidade não houve destaque ou publicação oficial, mas serviu como base para seu notório monólogo 'Tick, Tick… Boom!'.

Posteriormente criaria o seu último espetáculo o que levou ao estrelato, “Rent”, que permaneceu em cartaz por cerca de 12 anos na Broadway. Trata-se de um conjunto de histórias vividas por ele e seu grupo de amigos vivendo em Nova York abordando temas importantes e considerados Tabus para a época, como homossexualidade, epidemia do vírus da Aids e o uso de drogas. Infelizmente, o autor não teve a chance de vê-lo, Larson faleceu subitamente um dia antes de sua grande estreia na Broadway, aos 35 anos de Dissecção da aorta causada por uma Síndrome de Marfan não diagnosticada.

Jonathan Larson revolucionou a maneira de fazer espetáculos musicais, obteve reconhecimento e premiações póstumas como o prêmio Pulitzer de Drama, três Tonys de melhor livro musical, música e trilha sonora original.

Por fim, o filme original da Netflix nos faz refletir sobre o que de fato consideramos importante em nossas vidas e como aproveitamos o tempo que nos é atribuído, frisando na valorização das relações interpessoais e na dedicação sobre nossa preciosa jornada na realização de tarefas que nos proporcionam prazer genuíno!

Tick, Tick… Boom! está disponível na Netflix

Will Weber
Geek Guia

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