Super Dica de Cinema
  17/07/2020 às 11h53

The Old Guard


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The Old Guard

Adaptações de quadrinhos parecem não ter fim em Hollywood! Para muitos, o gênero no cinema já está saturado, para outros, existe ainda muito a ser explorado. O segundo pensamento segue firme e forte em alguns serviços de Streaming e às vezes rendem acertos interessantes. Esse é o caso de The Old Guard que chegou à Netflix, cuja história consegue capturar a atenção do espectador além de entregar sequências de ação que deixariam John Wick querendo fazer parte da equipe de soldados. O que seria interessante demais ter Charlize Theron e Keanu Reeves juntos! Mas foco no filme.

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Um grupo de mercenários está em uma missão de resgate, porém tudo dá errado quando descobrem que não passava de uma armadilha. Por quê? Pelo fato de que eles são praticamente imortais! O grupo possui a capacidade de se regenerar de qualquer ferimento, além de habilidades de combate fora do comum. Desta forma, uma empresa farmacêutica vê nessas pessoas a chance de lucrar e para isso pretende capturar um a um. Logicamente isso não será fácil, pois haverá muito sangue a ser derramado para que isso aconteça!

Gina Prince-Bythewood é quem comanda a adaptação dos quadrinhos homônimos lançados em 2017 pela Image Comics. Usando de um estilo que tem acompanhado as produções de ação do cinema nos últimos anos, a diretora não economiza em criar sequências que usam da visceralidade e da violência gráfica para preencher a tela. O que se torna um grande acerto! A movimentação de câmera nos faz acompanhar cada um dos golpes, contusões e combates, lembrando um pouco o que vemos em John Wick.

Ao mesmo tempo, tentando dosar entre embates e a construção dos personagens, vai costurando a trama que ganha nuances diferentes das páginas, mas ainda assim carregando os elementos que fazem referência. Contudo, o filme vai perdendo força no segundo ato que se torna arrastado na tentativa de criar um drama maior do que se espera, gerando então situações que ocupam a tela de maneira desnecessária, sendo que o esperado é justamente o oposto.

Apesar disso, a obra se mantém firme e coesa em seu clímax, principalmente se tratando da protagonista, interpretada por Charlize Theron. A atriz, que já demonstrou sua capacidade para o cinema de ação, entrega novamente uma atuação precisa, repleta de camadas e com uma energia sem igual quando é necessário golpear, atirar ou enfrentar um esquadrão. Isso faz com que fiquemos ainda mais interessados em sua história que aos poucos vai sendo descortinada, dando mais peso a narrativa!

Usando do material original ao seu favor, a narrativa consegue contextualizar de maneira dinâmica para o espectador, que não leu os quadrinhos, o que está acontecendo, quem são aquelas pessoas e suas intenções. Mas o ponto importante aqui é que o roteiro não procurou fazer o que outras adaptações tentam, como explicar origem, de onde surgiram os dons ou coisas do tipo. O que realmente move a trama são os membros desse time e como eles precisam se ver livres daqueles que querem usar os seus "poderes" em benefício próprio.

Por isso, a construção da relação da equipe se faz competente, estabelece bem as personalidades e cria momentos interessantes, como na declaração amor feita pelo casal Nicky e Joe enquanto são transportados ou quando a equipe começa a lembrar das missões ao longo da história em meio a um embate.

Ao mesmo tempo, não podemos dizer o mesmo dos antagonistas que percorrem um caminho já esperado, um da vilania extrema empregada aos CEO's de empresa nas últimas obras do cinema e aquele que busca redenção por entender que fez a escolha errada. Clichês de lado, o roteiro consegue dar espaço para que a ação se desenvolva em tela e de igual modo, a ação se torna parte da trama, não apenas mais elemento estético quando o clímax acontece!

The Old Guard é uma adaptação dos quadrinhos que utiliza o material original de forma competente, fazendo um bom trabalho em transportar as páginas para tela. Com uma direção que cria boas sequências de combate e ação, explorando as possibilidades dos elementos da narrativa, a trama se desenvolve de uma maneira que consegue conquistar a atenção do espectador desde o início, principalmente por conta do carisma de sua protagonista.

Se na década de oitenta Highlander trouxe a imortalidade como ponto principal de sua trama, agora, The Old Guard faz uso da mesma ideia, em outro contexto e formato, sem arrancar cabeças, mas deixando muito sangue pelo caminho. Cada geração tem os guerreiros imortais que merece!

The Old Guard está disponível na Netflix

Will Weber
Geek Guia

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