Super Dica de Cinema
  07/11/2020 às 11h33

Tenet


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Tenet

Tempo e espaço são fatores que podem se desdobrar em várias ideias para dar vida a enredos cinematográficos. Seja de viajantes no tempo, passeios entre dimensões e realidades paralelas, o cinema tem explorado as inúmeras possibilidades da manipulação desses elementos. Em Tenet, Christopher Nolan arrisca com a apresentação de uma produção equilibrada entre o cult e o comercial para nos levar a uma trama de espionagem paralelamente à ficção científica.

O Protagonista (sim, esse é o nome do personagem de John David Washington) é um ex-agente da CIA que se envolveu em graves problemas após um assalto ao lado de um grupo terrorista russo. A organização secreta “TENET” o recruta para resgatar um objeto importante que foi tomado pelo grupo. Numa espécie de treinamento o recruta é apresentado a uma tecnologia futurista que permite quer os objetos tenham sua entropia (termo físico ligado à termodinâmica dos objetos) revertida e consequentemente permitindo que ele se mova de trás pra frente pelo tempo.

Parece um pouco complexo, e de fato soa assim, porém das profundezas criativas e lunáticas de Nolan, veio uma ideia que nos rende cenas chocantes, não no mau sentido, mas naquele de que você fica boquiaberto ao ver uma sequência acontecendo e dentro da mesma existem objetos ou pessoas que estão executando uma ação no inverso, é meio que “rebobinar uma cena dentro de outra cena”. Se você achava que nosso querido Christopher poderia fazer uma viagem maior que o enredo de Interestelar, se enganou.

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A inversão do tempo permite os personagens inverter balas que foram atiradas e que causam mais danos do que um tiro comum, também, objetos e pessoas fazem inversões. Em meio a encontros paralelos do jeito normal e invertido, a trama acontece de forma inteligente para fugir da sombra do que facilmente poderia classificar o filme dentro do gênero de ação, dominado por histórias clichês e péssimas atuações. De olho nas premiações, a escalação de John David Washington rende uma atuação coerente e precisa, que Jason Statham (e outras carinhas famosas do gênero supramencionado) teriam que lutar muito para chegar perto.

A sequência de abertura é marcada pela trilha sonora reverberante de Ludwig Goransson, e aqui o fato de ver o filme numa sala de cinema fez toda a diferença pois a música leva o espectador a sentir o pavor e a angústia que pretende ser passada, ao mesmo tempo que nos coloca em alerta para o grande assalto que acontece numa sala de ópera em Kiev. Ao final dessa primeira sequência temos certeza que se trata de mais uma obra engenhosa de Nolan quando o primeiro “acontecimento invertido” se sucede, mas então a história vem a se desdobrar com a adição de aspectos bem previsíveis.

O Protagonista chega até Neil (Robert Pattinson) que se torna seu recruta para descobrir a origem das balas que podem se inverter e é quando chegam ao poderoso Andrei Sator (Kennet Branagh), um grande mafioso que é capaz de se comunicar com pessoas do futuro e que vai tentar matar O Protagonista ao descobrir seus planos de impedir a um eminente terceira guerra mundial. Nesse meio tempo, o filme gasta muitos minutos com passagens dramáticas paralelas que não adicionam muito ao eixo principal da história.

Em meio a passagens desnecessárias temos O Protagonista negociando com chefes de cartéis de arma indianos, entrando em embates com mafiosos e mercenários e tantas outras coisas que levaram o filme a apresentar de forma majoritária o enredo de uma trama de ação e espionagem, algo que o criador e diretor tanto quis fugir.Talvez excluindo esses trechos que deram ao TENET sua duração de 2 horas e 30 minutos, teríamos um filme mais curto e coeso.

No final, O Protagonista acaba por descobrir que o objeto importante é parte de um conjunto de 9 objetos que juntos seriam capazes de inverter a terra e evitar os desastres ambientais que levam à extinção da humanidade no futuro, tudo isso por plano do povo do futuro em conjunto com Sator, porém a ocorrência da inversão levaria a extinção da população atual já que teria grandes impactos na dinâmica do planeta. E então ao lado de Neil, O Protagonista encara uma missão com viagens invertidas no tempo para fazer os fatos funcionarem de forma favorável a evitar essa grande catástrofe.

Nolan pretende dar uma aula de física quântica e seu universo criativo lhe proporciona mais uma fórmula que permite visuais incríveis e sequências espetaculares, talvez o enredo em que foi pensado para aplicar essa fórmula acaba deixando TENET um pouco incoerente e perdido dentro das inúmeras possibilidades em que se pretendeu desenvolver a história.

O diretor ainda conseguiu entregar tomadas e efeitos inéditos para causar o mesmo impacto e entusiasmo que sentimos ao assistir A Origem ou Interestelar, mas o ponto chave da produção ficou perdido com um roteiro raso e apático que nem a adrenalina das idas e vindas de balas e personagens no tempo conseguiram torna-lo melhor, contudo ainda o fazem um filme que vale a pena assistir por motivos de Christopher Nolan e suas ideias mirabolantes!

Tenet está em cartaz nos cinemas!

Will Weber
Geek Guia

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