Super Dica de Cinema
  01/02/2022 às 10h12

Spencer


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Spencer

Em determinado momento, Diana questiona como será chamada por quem for contar a sua história no futuro, pois cada um dos membros da família real carregam uma alcunha logo após os seus nomes serem ditos. Infelizmente, a Princesa de Gales não pode descobrir isso, mas o fato é que uma vez princesa, sempre princesa para o povo. Talvez toda essa pressão da forma como deveria aparecer, se portar e como ocultar certos anseios levou a alteza a pensar nesses pontos. E nesta história tudo o que vemos pode não ter acontecido dessa forma, mas o nome de quem protagoniza permanece intacto!

Logo, 'Spencer' traz não apenas uma atuação impecável de Kristen Stewart, mas utiliza de elementos subjetivos, oníricos e fantasmagóricos para demonstrar o quanto uma das figuras mais emblemáticas da história poderia, ou pode, ter passado momentos angustiantes junto da família Real em prol da imagem, da Coroa e do país. Assim como toda narrativa que se apropria de diferentes elementos do cinema, somos levados através do impacto, da angústia, do medo por alguém que conhecemos e que sabemos como na realidade tudo isso terminou!

Diana irá passar três dia junto da família real durante o Natal. O seu casamento com Charles está prestes a terminar e os escândalos betem a porta de vossa Majestade. E para manter as aparências, a princesa precisa se esforçar ao máximo para atender as expectativas durante todos os compromissos da coroa durante as festas. Porém a pressão da imagem inabalável e a honra do país se mesclam a busca pela liberdade que tanto a Diana almeja, e para isso deverá se conectar com o passado enquanto lida com as obrigações que lhe são impostas!

Pablo Larrain é quem dirige o filme e desde o começo deixa evidente que esta é uma obra ficcional! Pautada em acontecimentos reais, mas seguindo o tom de fábula com uma das figuras mais emblemáticas da história. De fato tal, informação se faz necessária pois boa parte do público pode não entender a proposta se for esperando uma biografia convencional que Hollywood costuma levar até as salas de cinema!

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Porém o trabalho de Larrain aqui é completamente o oposto e por se tratar de uma narrativa que apenas se inspira em uma ocasião, o diretor consegue transitar livremente por diferentes gêneros do cinema, entregando uma experiência de altíssimo nível, repleta de elementos que que se encaixam perfeitamente com a figura central da trama. Diana pelas lentes de Pablo ganha quase que uma onipresença inquietante enquanto vaga pela propriedade da Coroa. Isso faz com que os fatos que vierem a se desenrolar possuam inúmeras interpretações de quem assiste, ainda que cativos pela figura que está em tela.

Desta forma, o trabalho de design de produção, fotografia, figurino, cabelo e maquiagem se fazem impecáveis, auxiliando a contar a história de uma maneira ainda mais completa. As roupas que Diana utiliza, as ambientações, os objetos que estão em cena, os adereços que carrega, tudo compõem esta sinfonia que aos poucos vai ganhando tom de suspense, terror e medo. Para isso, a direção transforma locais abertos em cubículos claustrofóbicos, deixando um jantar numa grande mesa repleto de uma sensação sufocante que não termina até a protagonista deixar o salão.

Logo, tais percepções se misturam a Diana e seus sentimentos. As dúvidas, a busca pelo passado, as decisões que precisa tomar, os olhares que precisa evitar, os acenos que têm de transmitir, tudo isso ganha ainda um peso maior. Nos levando a pensar no que veio acontecer com a princesa na vida real em relação às suas vivências!

E tudo isso só é possível em virtude da atuação de Kristen Stewart! A atriz entrega um trabalho sólido, maduro, repleto de camadas e que incorpora de maneira exímia, quase que perfeita, a figura que foi Diana. O jeito de falar, além do sotaque, a postura, a forma como virava o rosto e andava. Tudo é emulado com perfeição e sem parecer caricato, ou automático. Kristen aproxima o público ainda mais de um persona tão icônica que nos faz abraçar cada momento em que seus horrores toma conta da tela! E quando sorri, sorrimos em compasso!

Ela nasceu Diana Frances Spencer, mas se tornou Lady Di, a Princesa de Gales, a Princesa do Povo! Não seguia regras, não estava disposta a que mandassem nela, fez o que pode por muitos e infelizmente, faleceu em um trágico acidente! Porém como poderiam ter sidos os últimos dias ainda casada com Charles, tendo que corresponder a todas as exigências da Rainha Mãe e dos protocolos impostos pela Coroa até mesmo num feriado de Natal?

A narrativa de 'Spencer' nos apresenta diversas Dianas em busca de algo muito importante: Quem ela é de verdade! Conhecemos a princesa, a mãe, a medrosa, a corajosa, a princesa do povo, brevemente a esposa e a rebelde! Todas essas formando uma única figura, uma única presença que vaga por local que não mais lhe pertence, que sente e sabe que não faz mais parte de tudo aquilo! E estar ali, junto daquelas pessoas incomoda! Não somente a eles, mas a si mesma!

O texto leva a protagonista sempre mencionar os membros da família real como "eles", "aqueles" ou "aquelas", dificilmente ela dá os nomes de cada um, e isso transforma cada figura que aparece no decorrer da história em um ser um tanto quanto amedrontador. Seja numa conversa com Charles diante de uma mesa de bilhar, seja respirando fundo diante dos olhares fora da igreja, não os nomear dava força a Diana para continuar, pois sem denominação, não possuem relevância em seus pensamentos.

Nisso, o roteiro nos mostra como a vida da princesa poderia ter chegado em um ponto onde o passado era o único meio de prosseguir, a única forma de entender o que deveria ser feito. E quando é feito, Diana sai pela estrada cantando uma música alegre, ao lado dos filhos, após um ato desafiador, algo que somente ela poderia ter realizado!

'Spencer' traz não apenas uma atuação impecável de Kristen Stewart, mas utiliza de elementos subjetivos, oníricos e fantasmagóricos para demonstrar o quanto uma das figuras mais emblemáticas da história poderia, ou pode, ter passado momentos angustiantes junto da família Real em prol da imagem, da Coroa e do país.

Assim como toda narrativa que se apropria de diferentes elementos do cinema, somos levados através do impacto, da angústia, do medo por alguém que conhecemos e que sabemos como na realidade terminou! Por isso, o longa nos apresenta diversas Dianas em busca de algo muito importante: Quem ela é de verdade!

Conhecemos a princesa, a mãe, a medrosa, a corajosa, a princesa do povo, brevemente a esposa e a rebelde! Todas formando uma só! Todas confirmando ainda mais que tudo o que foi realizado por tal figura, somente ela poderia ter feito!

'Spencer' está em cartaz nos cinemas! 

Will Weber
Geek Guia

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