Super Dica de Cinema
  22/08/2020 às 0h00

Power


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Power

É interessante como o gênero de super-heróis no cinema tem encontrado uma maneira de criar experiências para o seu público. Seja através de uma temática mais violenta ou abordando conflitos mais reais, do que simplesmente enfrentar alguma horda intergaláctica. Assim, procurando sua parte nessa leva de produções, a Netflix chega com Power, produção que possui todos os elementos que conhecemos de filmes de ação com seres poderes, porém com um charme a mais! E será que isso se sustenta até o final? Ou é tão passageiro quanto o efeito das habilidades de sua história?

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Art está à procura de sua filha e nesse caminho para encontrar quem a raptou, ele irá cruzar com Robin, uma jovem que comercializa uma droga chamada "Power", capaz de dar habilidades sobre-humanas para quem ingerir. Ao mesmo tempo, o policial Frank está à caça de Art, mas as coisas mudam quando o trio passa a trabalhar em conjunto em busca de localizar a menina desaparecida e encontrar o culpado por espalhar a droga por Nova Orleans.

Comandado por Henry Joost e Ariel Schulman, dupla que realizou o bom Nerve: Um Jogo Sem Regras, a produção consegue utilizar bem do que o gênero de super-herói se propõe dentro do cinema: ação, história interessante e desfecho exagerado.

Lógico que isso não é um problema, a forma como a direção escolhe contar a narrativa torna a jornada de cada personagem cada vez mais instigante, nos fazendo não apenas torcer por eles, mas que usem em algum momento o Power, só para vermos quais poderes ganharão.

Ao mesmo tempo, as sequências de ação e combate são bem coreografadas, trazem a sensação de perigo além de utilizarem as manifestações dos dons a seu favor. Tudo isso baseado num "realismo" coeso. Quando um personagem possui poderes de fogo, ele queima junto, sua pele deteriora. O mesmo ocorre com àquela que ganha dons relacionados ao gelo, aos poucos vemos sua pele cristalizar, porém se quebrando logo em seguida. Aliás toda essa sequência, com a pessoa presa em uma cúpula de vidro pedindo pra sair, enquanto vemos em segundo plano a pancadaria acontecendo, é tensa e empolgante ao mesmo tempo.

É perceptível que a produção não quer apenas ficar fundamentada nos poderes ou nos efeitos visuais capazes de realizar. Desde o início existe um tom dramático que permeia a trama, dando chance para que Jamie Foxx e Joseph Gordon-Levitt entreguem boas atuações, porém o destaque fica com Dominique Fishback, que se torna o elo entre os dois personagens, dando também o tom de comédia em alguns momentos.

Entretanto, ao passo que Power não quer se mostrar como mais um filme de heróis, seu próprio conceito acaba se perdendo em situações que exageram no tom, esquecem certas ideias estabelecidas no decorrer da história ou não consegue entregar aquilo que tanto vai sendo preparado ao longo dos diálogos e interações!
A narrativa de Power consegue envolver diversas nuances conhecidas: uma história de vingança, alguém que precisa se redimir e a pessoa que acaba entrando de maneira inocente no turbilhão de acontecimentos. Cada um desses arcos é construído de maneira assertiva no decorrer da trama, gerando então espaço para que cada um consiga desenvolver parte de sua personalidade. Ainda que de maneira previsível, certas situações se tornam críveis como a amizade com traços de paternidade, a jovem insegura, mas que é capaz de fazer o impossível para ajudar quem ama e o oficial da lei que se vê enganado dentro do sistema que sempre acreditou!

E talvez encontremos um ponto incoerente nessa história: Power quer ser um filme de herói aquém do comum, ao mesmo tempo que toca no assunto do tráfico e consumo de drogas, questiona certas organizações da sociedade e sua capacidade de corrupção. Ao tentar juntar todos esses pontos, logicamente que um ou outro não receberia tanta evidência, tornando o discurso sobre "derrubar o sistema" raso, genérico e completamente esquecível. Sendo que ele é citado uma vez por um dos protagonistas e em outra por um dos vilões.

Aliás, os antagonistas aqui sofrem do mesmo problema de todos os outros de filmes do gênero: plano mirabolante, execução que os faz perder a capacidade de pensar. Ou seja, nada memoráveis. Mas isso atrapalha a experiência da obra? De forma alguma! O longa consegue nos instigar em frente à tela por nos querer mostrar os diferentes poderes que a droga é capaz de gerar, junto com os mistérios que envolvem o desaparecimento da filha de Art e Robin conseguindo mudar de vida com sua mãe. E o policial Frank? Ele é legal! Ponto!

Power é um filme de super-heróis sem deixar isso estampado, mas obviamente se apoia nas convencionalidades e elementos de tal gênero para fazer de sua história algo interessante para o público. E antes que nos peguemos sempre fomentando o discurso de "sombrio e realista", a produção não é apenas isso, pois sabe usar das nuances fantásticas para alavancar sua trama. Ao mesmo tempo, a direção estabelece sequências de ação executadas com profissionalismo, ainda que exagere no clímax!

Assim, a velha frase que diz que "com grandes poderes, vem grandes responsabilidades" parece não funcionar com quem têm suas próprias ambições, sejam elas para controle de tudo ou simplesmente para resgatar quem se ama. Logo a frase de Maquiavel se torna mais adequada nesse caso: "Dê o poder ao homem, e descobrirá quem ele realmente é... ", nesse caso por pelo menos cinco minutos, até o efeito do Power passar!

Power está disponível na Netflix.

Will Weber
Geek Guia

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