Super Dica de Cinema
  18/07/2022 às 14h52

O Telefone Preto


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O Telefone Preto

Nas décadas de 80 e 90 no Brasil havia um alto índice de desaparecimentos e sequestros de crianças! Elas simplesmente sumiam no caminho de volta da escola, quando iam a algum lugar para os seus pais ou após brincarem com os amigos nas ruas de seus bairros! Alguns desses casos se tornaram famosos, conhecidos, outros não vieram a público e infelizmente, grande parte jamais foi solucionado! Assim, a sétima arte sempre se apropria de tais elementos reais para contar certas histórias que surpreendem não só pelo tom macabro, mas pela proximidade dos acontecimentos, e desta vez, ainda que o sobrenatural auxilie, a tensão é a principal companhia do espectador.

Logo, 'O Telefone Preto' chega aos cinemas trazendo uma história que poderia ser como qualquer outra já contada no cinema sobre um sequestro, contudo quando o objeto do título toca pela primeira vez entendemos que estamos dentro de uma atmosfera de suspense incessante, sobrenatural e de elementos de horror capazes de nos fazer saltar na poltrona. Ao mesmo tempo que nos deixam focados em tudo o que está em tela, do começo ao final. E nesta alegoria sobre defender-se do mal que nos cerca, somos levados a um clímax sanguinolento, corajoso e eficaz! Só que para isso é preciso deixar o telefone preto tocar várias vezes e enfrentar todos os medos possíveis!

Denver, 1978, uma série de sequestros estão acontecendo na cidade, crianças estão sumindo e não há pistas de onde estejam. Assim, num dia comum, voltando da escola, Finney, um garoto de 13 anos, é sequestrado por uma figura que dizia fazer truques de mágica. Logo, o garoto acorda em um porão, onde há apenas uma cama e um telefone preto em uma das paredes. Quando o aparelho toca, o rapaz consegue ouvir a voz das vítimas anteriores do assassino, e elas passam a ajudar Finney a não ter o mesmo destino, mas para isso ele precisará aprender a se defender, antes que o sequestrador desça as escadas e continue seu jogo sádico!

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Scott Derrickson é quem comanda a produção, baseada no conto de Joe Hill, e o diretor de clássicos modernos do terror como 'A Entidade' e 'O Exorcismo de Emily Rose', sabe muito bem em que terreno está transitando, apoiando nos elementos do suspense e do sobrenatural também, para tornar a tensão a melhor companhia de quem está assistindo.

O diretor estabelece desde o começo a atmosfera que quer para a sua produção e aos poucos vamos entendendo o "Modus Operandi" do sequestrador em questão. E por mais que não coloque as cenas de violência envolvendo o vilão da história logo de cara, deixa para que outros momentos já nos deixem desconfortáveis, que vão desde agressão doméstica até uma briga próxima a escola que nos surpreende pelo nível de brutalidade!

Ou seja, este não é um filme sobre paz após as atrocidades! O caminho é totalmente oposto!

E quando adentramos o cenário do sequestro, Derrickson introduz um terror psicológico alinhado ao sobrenatural de quando o telefone preto começa a tocar, e o protagonista passa a se comunicar com as vítimas anteriores. O que rende bons momentos de susto em tela e ainda mais apreensão para quem está assistindo. De igual forma, a direção tenta estabelecer outros arcos para encorpar sua história, como a investigação que acontece, e os sonhos premonitórios da irmã de Finney. Mas nem tudo aqui se encaixa como deveria!

Isso faz com que ao passarmos a acompanhar o que ocorre longe do cativeiro, não desperte tanta curiosidade sobre essas sequências! O que deixa parte do segundo ato um tanto arrastado, mas sem atrapalhar a experiência num todo.

Grande parte disso se dá pelas atuações da trinca Ethan Hawke, Mason Thames e Madeleine McGraw! O primeiro, quando assume seu papel como maníaco, ainda que coberto por uma série de máscaras assustadoras, transmite o medo suficiente diante da situação. Já o intérprete de Finney demonstra as camadas e o crescimento do personagem de um jeito competente, o estabelecendo com um "Final Boy" inteligente e corajoso. E por fim, a irmã sensitiva vai da doçura à falta de paciência com o que ocorre de um jeito cativante, entregando a emoção que esperamos e o humor bem dosado!

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Ou seja, 'O Telefone Preto' é um dos melhores exemplares do gênero de terror de 2022!

Finney é um adolescente cheio de sonhos, e como tal, quer fazer coisas incríveis e quem sabe, ganhar o coração da colega de escola que gosta! Porém sua vida não é tão simples. Vivendo com o pai alcoólatra e órfão de mãe, ele precisa conviver com os intensos abusos e violência dentro de casa, sofridos por sua irmã mais nova também! Certo dia, ao voltar, tenta ajudar um homem de chapéu e capa que se diz um mágico, só que o resultado disso é o de acordar em um porão, e preparar-se para ser mais uma vítima do sequestrador que ronda o bairro!

Toda a construção de 'O Telefone Preto' é estabelecida de uma maneira dinâmica e aos poucos vamos entendendo a importância das ligações, da relação estabelecida entre o sequestrador e o rapaz, e o que os sonhos de Gwen estão realmente dizendo diante de tudo isso! Desta forma, a história nos coloca sempre a espera de que algo terrível venha em tela a qualquer momento. O que nos surpreende quando o susto vem pelo outro lado!

Ao mesmo tempo, o texto dialoga com o mal que enfrentamos diariamente, dentro e fora, e o quanto assumir uma posição de coragem, de revidar, requer um esforço e não se prender as consequências dos atos que vem a seguir. Pois já se sofreu o suficiente!

Assim, este é um filme que eleva a questão do "olho por olho", e por mais que haja sempre que puxe o discurso do diálogo ser a melhor resposta, neste caso só há espaço para membros quebrados, sangue e a vingança em nome de quem estava do outro lado do telefone preto!

'O Telefone Preto' é um dos melhores exemplares do gênero de terror em 2022!

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E nessa história que poderia ser como qualquer outra já contada no cinema sobre um sequestro, o objeto do título quando toca pela primeira nos faz entender que estamos dentro de uma atmosfera de suspense incessante, sobrenatural e de elementos de horror capazes de nos fazer saltar na poltrona. Ao mesmo tempo que nos deixam focados em tudo o que está em tela, do começo ao final.

E nesta alegoria sobre defender-se do mal que nos cerca, somos levados a um clímax sanguinolento, corajoso e eficaz! Só que para isso é preciso deixar o telefone preto tocar várias vezes e enfrentar todos os medos possíveis!

'O Telefone Preto' está em cartaz nos cinemas!

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