Super Dica de Cinema
  17/07/2020 às 11h39

O Sol de Riccione


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O Sol de Riccione

Na década de noventa, Hollywood produziu muitos filmes adolescentes onde os personagens precisavam desesperadamente encontrar alguém para o sexo. Isso se repetiu no início dos anos 2000, quando American Pie surgiu, rendendo exaustivas continuações e algumas situações "engraçadas". E talvez, esses dois produtos norte-americanos devam ter inspirado O Sol de Riccione, novo filme da Netflix, que tenta emplacar uma comédia velha disfarçada de novidade, onde sabemos para onde cada personagem vai e o que nos espera ao final. E isso poderia ser bom? Sim, se ao menos deixasse de lado um roteiro que mais parece ter sido escrito muito antes dos atores do filme terem nascido.

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Riccione, na Itália, é o local mais movimentado no verão. E isso é chance para que alguns jovens consigam mudar suas vidas: Ciro está tentando se tornar músico, ao mesmo tempo que coloca em xeque o seu relacionamento, Marco precisa se declarar para a garota que tanto ama e Vicenzo, um rapaz cego, precisa fugir da proteção excessiva da mãe e finalmente se apaixonar. Junto de seus amigos, esse trio vai experimentar tudo o que o clima, a cidade têm para proporcionar, tanto os problemas quanto os amores.

Niccolò Celaia e Antonio Usbergo são quem dirigem o filme que está longe de ser uma "comédia romântica", como estão tentando vender por aí. Na verdade, a produção parece ter sido dirigida em momentos diferentes por cada um dos diretores e sem comunicação alguma entre ambos, o que torna o seu ritmo completamente incoerente em diversos pontos. Se no começo temos diversos discursos sexistas sobre o corpo feminino e uma superexposição, do meio para o final, as coisas se tornam mais contidas, focada na construção dos personagens, dos seus conflitos e quando você finalmente consegue criar uma certa empatia pela história, a obra acaba. Na tentativa de emular diversos outros filmes que já contaram uma narrativa parecida, nada que sustenta como algo relevante. A jornada de Ciro é descartável e sem solução para um dos pontos e Marco passa o tempo atrelado a outros personagens que não o ajudam crescer na narrativa. Quem acaba interessando mesmo é Vicenzo, mas a direção escolhe focar nos romances sem sentido, nas tentativas de "pegação" mal sucedidas, do que numa história que realmente venha agradar ou possuir solidez. Ou seja, por mais que o local seja lindo, e nada explorado, diga-se de passagem, falta criatividade e inovação de verdade ao se contar o que ocorre com aquelas personas!

A frase acima é dita por Vicenzo em um dos momentos interessantes da produção. Na verdade, um dos poucos. Se formos aprofundar no roteiro, chegamos a conclusão que parece ter sido escrito nos anos 90, onde todos aqueles comentários sexistas, machistas e alguns com teor homofóbico eram "aceitáveis" pela sociedade como um todo. Certamente isso deve soar como um momento de "militância", porém conteúdos assim, em obras que deveriam transparecer o retrato de uma juventude moderna, se tornam na verdade um retrocesso por completo. Todas as motivações, tirando a do personagem que possui uma necessidade especial, estão voltadas para o sexo ou a tentativa de tal. Nem mesmo a declaração de amor de Marco que ocorre num show parece convincente diante de todos as ações do rapaz. Que aliás é aconselhado por um personagem que é próprio estereótipo do "solteirão de meia idade", experiente em falar apenas o que soa de mais abusivo possível. Desta forma, se formos pegar o texto da película, pouca coisa teremos de proveitoso, aliás, esqueça os momentos cômicos, uma coisa ou outra poderá fazer rir, principalmente por vergonha alheia.

O Sol de Riccione poderia ser uma história interessante sobre romance, sobre se descobrir e encontrar pessoas que realmente querem vivenciar algo. Contudo, o que encontramos é um "American Pie Italiano", com teor apelativo e um discurso tão velho quanto o elenco adulto que aparece! Atrelado a uma direção que não sabe dosar os momentos românticos, dramáticos e cômicos, é quase um desperdício de tempo assistir a produção. Porém, certamente irá alcançar aquele público que pouco se importa se alguém se ofende com os "comentários" ou as "piadas", o que coloca em questão uma coisa: Um serviço de streaming que se diz tão engajado em diversos momentos, será que realmente conhece seu próprio conteúdo? Ao final, a conclusão é que o verão, o sol e a praia de Riccione não são tudo isso!

O Sol de Riccione está disponível na Netflix!

Will Weber
Geek Guia

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