Super Dica de Cinema
  17/05/2022 às 16h38

O Homem do Norte


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O Homem do Norte

Há sempre um grande questionamento quando um nome surge em Hollywood despontando para o estrelato: O que ele poderá fazer com um grande orçamento? A resposta na maioria das vezes não é nada satisfatória, pois os casos de fracasso quando se tem muito dinheiro em caixa para fazer algo são inúmeros. Contudo, mesmo que exista o controle por parte de estúdios e produtores, bons diretores conseguem encaixar sua assinatura de maneira exímia quando se trata de obras monumentais, e por que não dizer dessa vez, épicas!

Desta forma, 'O Homem do Norte' chega aos cinemas trazendo o épico, o bruto, a violência e o conflito em busca de vingança, dentro de uma lenda que já conhecemos por outro nome, mas desta vez Robert Eggers assume o seu lado blockbuster ao apresentar uma figura que busca recuperar o que é seu, ao mesmo tempo que encaixa os elementos que o fazem um diretor competente, numa narrativa que vai da pancadaria gráfica ou subjetivo dos contos mitológicos nórdicos. Uma verdadeira catarse brucutu regada pela vontade de Odin!

O Príncipe Amleth está se tornando um homem diante dos olhos de seu pai, o rei Aurvandil. Mas antes que possa assumir o trono, o seu tio acaba traindo o reino e matando seu pai, além de tomar para si a rainha. Amleth então escapa com vida do local, antes de ser o próximo alvo, porém carrega por anos a vingança em seu coração de matar o tio, salvar sua mãe e vingar seu pai. Já adulto, o agora guerreiro viking tem a chance de cumprir sua missão, mesmo que isso o leve direto aos portões de Valhalla.

Robert Eggers comanda a produção vindo de duas outras obras que firmaram o seu nome dentro da sétima arte como um dos mais promissores e competentes dos últimos anos, 'A Bruxa' e 'O Farol'! E o que todos queriam saber é se o diretor poderia repetir a genialidade trabalhando com um grande estúdio e tendo um orçamento muito maior do que os de seus filmes anteriores!? A resposta é um épico "sim"!

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O que encontramos é um mergulho na lenda que inspirou Shakespeare, para contar uma história que parece até simples se forcarmos apenas em sua construção de trama de vingança, mas graças a Eggers tudo se torna ainda mais profundo e monumental.

Para isso, o diretor conta sua história através de capítulos, tornando a experiência do espectador como a verdadeira leitura de uma lenda. E cada novo momento, esperamos que algo impactante aconteça. Assim ele o faz. As sequências de ação e violência extrapolam o gore, deixando tudo ainda mais intenso, com conflitos que realmente enchem a tela, transformando tais sequências em algo que não conseguimos desviar o olhar. Desta forma, quando em batalha ou colocando seu plano em prática, Amleth um animal, um animal que utiliza uma arma sedenta por sangue dos seus inimigos e cada novo passo do protagonista, a direção se apossa também dos elementos do terror.

Logo, bruxas, feiticeiros, seres místicos, Valquírias, deuses, vão ganhando espaço nessa construção, nos levando entre o que é real ou não, no que acreditamos junto do protagonista, ou não, porém que converge em uma experiência imagética e sonora que pode ser definida como épica.

E desta forma, Eggers dá ao seu Amleth momentos para se tornar humano, onde a vingança assume camadas desconhecidas e pegam o espectador de sobressalto, tornando tudo ainda mais obscuro, metafórico e onírico em vários instantes. Nos levando a um clímax pesaroso, místicos, violento, mas acima de tudo, cativante!

Se existe uma motivação para grandes histórias dentro da cultura pop é a vingança. A maioria dos conflitos se trata em devolver a quem causou alguma dor, algo no mesmo nível ou pior, para enfim sentir paz nas ações e encontrar o destino para tudo.

E Amleth está imerso neste sentimento.

Após a morte do pai e o sequestro a mãe, sentimos a dor de quem abdicou de suas emoções para ser movido por um único objetivo: Vingar o pai, matar o tio e salvar a mãe. Nem que para isso tenha que se fazer de escravo e aos poucos ir traçando um plano que primeiro irá transformar a vida quem lhe causou as dores, numa série de acontecimentos inexplicáveis e mortais! Ao passo que o viking consegue o que pretende, vamos percebendo as construções do personagem e a abertura que o roteiro faz para quebrar as expectativas de quem assiste ao mudar os rumos da história quando menos se espera.

Nesta construção, permeamos as crenças, o paganismo, o amor, a ira e o medo de não cumprir aquilo que tanto se espera.

Contudo, ao homem do norte lhe resta a vingança e suas consequências, e às mulheres a sua volta, resta o sentimento de carregar algo que em algum momento lhes foi tirado. Essa junção de acontecimentos e sentimentos torna o texto da produção algo que nos faz vagar entre místico e o real, o profano e o sagrado, entre a vingança e a esperança de se ter um legado heroico. Banhado a sangue, mentiras, crenças e dor. Pois toda história conflituosa tende a terminar com o maior prêmio que um guerreiro pode almejar, a morte honrada!

'O Homem do Norte' é épico, bruto, violento, um verdadeiro conto de conflito, interno e externo, em busca de vingança, dentro de uma lenda que já conhecemos por outro nome! Desta vez Robert Eggers assume o seu lado blockbuster ao apresentar uma figura que busca recuperar o que é seu, ao mesmo tempo que encaixa os elementos que o fazem um diretor competente, numa narrativa que vai da pancadaria gráfica ou subjetivo dos contos mitológicos nórdicos.

Uma verdadeira catarse brucutu regada pela vontade de Odin, onde experimentamos ao lado de seu protagonista as crenças, o amor, a ira e acima de tudo, o desejo heroico e mortal.

'O Homem do Norte' está em cartaz nos cinemas!

Will Weber
Geek Guia

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