Super Dica de Cinema
  22/11/2021 às 13h47

Noite Passada em Soho


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Noite Passada em Soho

O cinema transita por entre épocas facilmente a cada nova produção! Referências a movimentos, culturas e estilos, surgem em tela como um grande registro histórico narrativo para dar maior ênfase na trama elaborada. Em alguns casos, tais recursos funcionam para impulsionar ainda mais o relato que estamos acompanhando. Em outros, são meras lembranças jogadas que pouco interessam ao público. E neste paralelo do uso da temporalidade em filmes, encontramos aqueles que além de fazer uma "viagem no tempo", literal em diversos momentos, percorrem gêneros para surpreender quem assiste através de som e imagem!

Desta forma, 'Noite Passada em Soho' chega aos cinemas unindo diferentes vertentes do cinema, principalmente do horror, para contar apresentar elementos que dialogam com a contemporaneidade, com o pensamento de conquista cosmopolita e do quanto as inspirações ao longo da vida são o reflexo de uma história com camadas profundas e maiores do que podemos imaginar. E nessa mistura alucinógena-fantasmagórica, Edgar Wright realiza um trabalho cheio de estilo, música e peculiaridades.

Eloise é uma jovem que mora no interior com sua avó. Fascinada por moda, a garota vai para Londres estudar numa universidade de renome, porém não consegue se adaptar a vida de suas colegas. Determinada a encontrar um local na cidade só para ela, Eloise passa a morar num quarto em Soho, um bairro movimentado do lugar. Então, a moça passa a ter visões e até mesmo vivenciar experiências do passado, mais precisamente na década de 60 através da vida de uma outra mulher, Sandy que buscava fama em Londres. E ao passo que Eloise se torna obcecada pela vida da outra jovem, mais os perigos do passado passam a atormentá-la.

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Edgar Wright dirige e escreve a produção que passeia por diferentes gêneros do cinema, contando uma espécie de fábula sobre a figura inocente que sai de sua cidade natal e precisa enfrentar os perigos da cidade grande. E neste contexto que aparenta ser simples, o diretor realiza o que sabe fazer de melhor, emprega estilo, musicalidade e um visual impecável, com uma narrativa que aos poucos vai delineando um caminho repleto de suspense!

Nesta estrutura, nada é o que parece e aos poucos vamos entendendo isso. Wright sabe como nos conduzir e transforma suas protagonistas nestas guias de um passado e presente repletos de semelhanças, e descobertas. Nem sempre agradáveis. Para isso, tanto ambientação dos anos 60 quanto dos dias atuais entram em choque como se o diretor brincasse com essa questão do tempo em sua obra, tornando tudo uma coisa só. Fazendo com que Sandy e Eloise transitem pelos mesmos momentos, para nos confundir e de igual modo impactar quando necessário.

Para isso, o comando escolhe dar a música um papel essencial na construção de suas personagens. Cada trilha, cada faixa vai ganhando maior intensidade ao passo que avançamos na trama, e sons vão se mesclando aos barulhos que ocorrem ao redor, do quarto dividido pelas jovens em diferentes épocas e com suas emoções. Atrelado a tais pontos, o reflexo é um grande artifício utilizado, não apenas para nos aproximar dos perigos existentes na história, mas para traçar um aspecto ímpar na elaboração das camadas de cada personagem.

Assim, Edgar Wright evoca os elementos presentes no terror ao longo das décadas, desde o contraste de figuras que causam estranheza e medo, passando por cenas expressivas visualmente pela violência, chegando até os conceitos mais cafonas, e exagerados que as produções carregam. Tudo isso em paralelo a atuações que se mesclam no decorrer do filme.

Thomasin McKenzie é a inocência, o pensamento de descoberta e o medo, em contrapartida a Anya Taylor‑Joy que expressa a coragem, a entrega e a revolta. A primeira nos conquista pela já conhecida jornada da jovem encontrando seu lugar ao mundo. A segunda, é a intensidade e força que carrega as consequências de uma maneira brutal. Essa combinação abraça o espectador de tal maneira que os enigmas ganham outras linhas e aos poucos, confundem, intrigam, chegando a surpresa esperada de uma ótima história!

Em algum momento da vida vamos nos espelhar em alguém! Seja do passado, na mesma carreira, na família, nos amigos, haverá uma figura como referência, ou até inspiração, para nos fazer continuar o trajeto, tentando chegar ou ultrapassar o patamar conquistado. Porém, toda história é muito mais profunda do que se possa imaginar.

Neste ponto, Eloise vai encontrando em Sandy a força e a coragem que não possui para enfrentar certos obstáculos do dia a dia. E como toda figura que colocamos nossa admiração, chega o momento da decepção ou da revolta por vê-la passando por uma situação que não gostaríamos. E a partir disso, o envolvimento entre passado e presente se torna cada mais intenso. Onde a jovem da Londres atual se vê tentando reparar os erros que levaram a derrocada da jovem que estava na Londres dos anos 60 em busca de um sonho que se tornou distante.

Desta forma, o roteiro vai traçando uma linha misteriosa, apontando figuras que podem ter conexões com o passado, com aquilo que Sandy vivenciou e que tem afetado Eloise. E num paralelo que remete a mulher ao longo das décadas e a forma como foi e infelizmente é tratada ainda, o ponto central da trama revela uma camada inesperada. E nesta vertente do terror através da revelação, haveria espaço pra uma relativização do abuso, da violência, mas numa firmeza do texto, as figuras femininas permanecem dentro de seus escopos, realizando então o feito de refletir os desejos, a força e a vontade de conquistar algo uma para outra!

Pois existem fantasmas que não merecem descanso!

'Noite Passada em Soho' emprega estilo, musicalidade e um visual impecável, com uma narrativa que aos poucos vai delineando um caminho repleto de suspense! Nesta estrutura, nada é o que parece e aos poucos vamos entendendo isso a medida que suas protagonistas se tornam guias de um passado e presente repletos de semelhanças, e descobertas. Além disso, evoca os elementos do terror ao longo das décadas alinhado a uma trilha sonora que se torna um personagem capaz de nos acompanhar a cada ida e vinda pelo tempo!

E ao apresentar elementos que dialogam com a contemporaneidade, com o pensamento de conquista cosmopolita e do quanto as inspirações ao longo da vida são o reflexo de uma história com camadas profundas e maiores do que podemos imaginar, Edgar Wright realiza um trabalho exímio cheio de estilo, numa mistura alucinógena e fantasmagórica!

'Noite Passada em Soho' está em cartaz nos cinemas.

Will Weber
Geek Guia

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