Super Dica de Cinema
  13/05/2020 às 15h36

Meu Eterno Talvez


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Meu Eterno Talvez

Em algum momento na vida você já teve aquela paixão que permeou um tempo bem longo dos pensamentos, sentimentos e planos, não é verdade? Mas diferente do universo das comédias românticas, apaixonar-se não é um ato escrito em três atos, tendo uma festa no meio e um possível casamento para encerrar com chave de ouro todos os problemas que vieram a ocorrer. Ainda assim, se você ainda se abala com alguma persona do passado, certamente Meu Eterno Talvez, da Netflix, seja a opção correta para esses dias, já que em sua história reencontrar uma figura conhecida com quem se dividiu tanto, pode ser uma chance mais do que nova!

E se em todo caso nada disso te convencer, pode tentar um flerte com o Keanu Reeves!

Sasha Tran e Marcus Kim são algumas desde a infância!

Cresceram literalmente lado a lado, dividindo os anos de escola, as descobertas, as perdas e à primeira vez. Porém, com o tempo, tudo os distanciou! Trabalho, família, as coisas mudam. Ela hoje é uma chefe de cozinha super conceituada, ele trabalha com o pai e possui uma banda bem conhecida no cenário underground. Logo, esse reencontro irá mexer com os sentimentos de ambos e colocar as escolhas futuras em cheque diante dessa segunda chance!

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A comédia romântica é dirigida por Nahnatchka Khan e certamente o primeiro pensamento é se aqui vamos encontrar os clichês tão conhecidos deste gênero do cinema, a resposta é sim! Porém dentro de uma visão dinâmica, despretensiosa e leve de ouras narrativas do tipo.

Desta forma, a direção sabe como usar o ritmo cômico constante para dar o tom assertivo em suas sequências. Se de primeira vamos entendendo como a relação de amizade que o casal possuía, em seguida encontramos os caminhos que os levaram para novos rumos, rendendo situações cada vez mais engraçadas e completamente fora da normalidade. E sobra espaço para números musicais, encontros desastrosos, diálogos rápidos e que reforçam o traço cômico sarcástico, além de toda atmosfera de romance que não pode faltar! Ok, tudo parece ter saído de uma "receita de bolo", mas são os ingredientes que dão a diferença completa, e nesse caso está na presença de Ali Wong (Aves de Rapina e Dois Irmãos) e Randall Park (Homem-Formiga e a Vespa). O casal mescla todos os sentimentos de quem já passou por reencontros na vida. Wong entrega um leve tom de desprezo ao mesmo tempo que consegue demonstrar as fragilidades que ainda possui por suas escolhas e pelas influências à sua volta. Já Park, consegue sair de uma arrogante primeira impressão para aos poucos ir construindo um personagem que ainda procura se encontrar!

E a narrativa ajuda perfeitamente no encaixe para estruturar ainda mais essa dupla!

Quando a história começa em 1996 já percebemos que se trata de uma narrativa onde a construção se apoia na velha questão de alguém do passado que infelizmente poderia ter sido "A Pessoa", se algo não tivesse acontecido. Contudo o foco central aqui são suas novas percepções sobre a vida, sobre aquilo que decidiram ao longo dos anos e o que será feito após essa reaproximação. Pois mexer em sentimentos antigos não é uma atitude fácil!

Se Marcus ainda mantém velhos hábitos, dirige o mesmo carro e aproveita a fama que sua banda construiu, Sasha se preocupa com a carreira, com um relacionamento não tão fácil com os pais e com o que as pessoas a sua volta esperam que ela faça. Esse conflito de mundos aos poucos vai se tornando cada vez mais interessante, quando as diferenças se tornam nuances que completam determinados espaços em suas personalidades e características.

Desta forma, o roteiro também entrega uma mudança completa do que se espera de histórias como essas, partindo da escolha de seus protagonistas. Ao apresentar um casal asiático, quebramos o corriqueiro dos casais brancos, bem sucedidos, tipicamente norte-americanos, além de ampliar a narrativa de um jeito diferente de ser explorado, envolvendo os traços culturais e históricos! Feito realizado com assertividade no ótimo Podres de Ricos e aqui se repete em uma comédia divertida, leve e altamente agradável de ser assistida em qualquer momento da vida!

Meu Eterno Talvez é uma comédia romântica que não se importa em ser clichê ou usar de usar esses elementos, tão pouco sente a necessidade de ter que reproduzir tudo como uma "cartilha". Isso se dá pela escolha do elenco, completamente envolvido num humor dinâmico, constante e com uma direção que se dedica em contar sua história modificando traços costumeiros de obras assim, para então entreter e fazer rir todos que estão em frente a tela.

Ao final, pensar no "e se" é uma das coisas mais complicadas na vida de quem se apaixona e mesmo que a vida modifique os rumos, as escolhas e até mesmo os lugares onde se deve morar, uma segunda chance às vezes (às vezes mesmo), pode até ser interessante!

E se nada der certo, ainda existe a opção do Keanu Reeves!

Will Weber
Geek Guia

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