Super Dica de Cinema
  23/07/2021 às 14h39

Loki


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Loki

Quando a anunciada, a série do Loki se tornou um alvo de toda especulação e hype criado pelos fãs da Marvel até sua estreia. E podemos dizer que o deus da mentira, apresentado no universo de Thor, no decorrer das fases cinematográficas do estúdio, se tornou um dos mais queridos e difíceis de dar uma resolução. Pois como se livra de uma figura que acabou conquistando o público? A resposta? Não tem como! Tony Stark, e suas inúmeras citações após "Vingadores: Ultimato", que o diga! O ponto crucial nisso tudo e na construção de Loki como uma peça fundamental para os cursos da Marvel é o de justamente continuar com sua história, mesmo que não seja da forma esperada!

Logo, 'Loki' finalizou sua primeira temporada no Disney+ de maneira satisfatória, e apesar de muitos esperarem uma apoteose de acontecimentos ou revelações que mudariam o curso da cultura pop como conhecemos, mas esta é uma produção de preparo, tanto para as próximas narrativas que iremos acompanhar dentro e fora do cinema, quanto para um personagem que demonstra distância de qualquer unilateralidade, e não estamos nem falando de suas variantes icônicas!

Durante a busca pelas joias do infinito em 'Vingadores: Ultimato', o Loki daquela linha do tempo escapou com o cubo cósmico e é justamente este Loki que passamos a acompanhar. Assim, o asgardiano é encontrado pela TVA (Autoridade de Variação Temporada, em tradução), uma agência que cuida para que a Linha do Tempo Sagrada não seja afetada por Variantes, pessoas que saem do curso de suas histórias. E Loki é uma dessas variantes. Mas existe um perigo maior rondando a TVA e a Linha do Tempo, por isso, o agente Mobius deverá confiar no deus da trapaça para então resolver os problemas que estão acontecendo!

É necessário deixar claro uma coisa antes de continuarmos essa análise da série, e talvez seja um ponto que muitas pessoas ainda não tenham entendido em relação as séries que a Marvel tem produzido para o Disney+: Tais obras não irão se apegar a conceitos estabelecidos pelo simples fato de serem series de televisão. Tanto que 'Wandavision' usou da metalinguagem como alegoria para promover esse pensamento. E em 'Loki', o mesmo ocorre, e talvez seja a questão que deva ter incomodado boa parte do público que torceu o nariz do primeiro ao sexto episódio!

Dirigida por Kate Herron, a produção é um grande exemplo de construção de personagens e de interação bem realizada diante das câmeras. Desde a escolha de movimentação que muitas vezes fugiu as expectativas entregando planos realizados com maestria, até mesmo realizar um ótimo trabalho com as referências sem precisar ficar presa a elas o tempo todo, como uma muleta para tudo o que acontece. E nesta série poderia acontecer o tempo inteiro, mas não!

A diretora escolhe contar a história desse Loki, não sua origem ou qualquer coisa do tipo, porém se preocupa em dar camadas a um personagem que só era conhecido pela vilania, pelas mentiras e enganações. Herron decide dar espaço para que seus atores entreguem emoção, sentimentos e uma mudança pautada numa construção que vai ganhando força ao longo dos episódios. Mesmo quando começamos a nos questionar se o ritmo dos episódios está vagaroso, novamente o comando da produção se empenha em nos mostrar ótimos combates, inventivos momentos de ação e um humor que se encaixa perfeitamente dentro da proposta e com seu protagonista!

Aliás, Tom Hiddleston segue espetacular como Loki em todos os seus trejeitos, falas e expressões. Indo a campos da personalidade do deus que ainda não conhecíamos e amamos conhecer. Owen Wilson é aquela inserção que ninguém esperava e após ter acontecido, não queremos que vá embora do MCU! Contudo, esta é uma série onde o elenco feminino merece o destaque: Gugu Mbatha-Raw (Ravonna), Wunmi Mosaku (B-15) e Sophia Di Martino (Sylvie), são os três lados do talento interpretativo aliado a uma direção que sabe como dar momentos adequados para que cada uma cresça em suas aparições.

E com todos os elementos técnicos sendo executados de forma competente, o texto deveria seguir o mesmo padrão. E assim, o faz! Os diálogos desde o primeiro episódio são cativantes, alguns imponentes e outros conseguem ir do limiar da dramaticidade ao existencialismo, sem enrolar, prejudicar o entendimento ou ser conceitual pelo conceito. Há diversas situações onde Loki cresce como personagem durante conversar com Mobius. Já Sylvie, no decorrer de suas falas sobre como foi passar anos sendo uma variante do deus da mentira e pensando num plano, apresenta os traços particulares que nos causam a empatia necessária pela personagem!

Novamente, certos fãs reclamaram de tais momentos pois pareciam "sessão de terapia" do Loki ou coisa parecida, sendo o que esperavam eram uma ação desenfreada, e a bagunça completa em linhas do tempo, e multiverso. Mas não é sobre isso a série. Quer dizer, tem suas situações com tal ponto, ainda assim, não é apenas sobre destruição, confusão e loucura! Tanto que ao longo da jornada de Loki, principalmente ao lado de Sylvie, tais pontos são questionados e colocados de lado para que finalmente o protagonista consiga experimentar certos sentimentos que ainda não havia encontrado!

Toda essa construção textual nos remete a algo: Nem toda obra da Marvel é sobre citar os Vingadores ou tem a necessidade de portais se abrindo com todo o elenco!

O fato é que histórias podem ser contadas de maneira única ainda que influenciem o universo como um todo. Igual vimos no episódio final, com a revelação de um vilão um tanto quanto questionável, pois não pareceu se encaixar em tudo o que estava sendo mostrado até o momento. Isso desfaz completamente o que a obra fez? Jamais, porém o estúdio está caindo na própria armadilha de sua fórmula tão conhecida e na necessidade de agradar os espectadores mais fervorosos (E raivosos), revelações com base nos quadrinhos sem uma devida construção, se tornam apenas uma aparição vaga!

Entretanto a série permanece no patamar da melhor produção até o momento, neste formato, realizada pela Marvel!

'Loki' é até o momento a melhor produção em série da Marvel dentro do Disney+! E por mais que os fãs estejam divididos e alguns ainda estejam esperando o Mephisto aparecer, a obra estabelece um jeito único, cheio de personalidade, para construir não apenas novos rumos para as franquias, mas demonstra que é possível construir, desenvolver e maximizar características de personagens dentro de uma narrativa sem tantos exageros ou megalomanias. O resultado é uma série digna do deus da trapaça, realmente à altura de um deus!

Kate Herron é exímia em seu trabalho, alia diferentes elementos textuais, e visuais, e cresce no comando da produção, mostrando momentos icônicos (As variantes aparecendo no Vazio, certamente será lembrada) e trazendo muito mais do que poderíamos esperar. Até mesmo subvertendo expectativas a fim de fugir de qualquer formato já estabelecido, apesar de um breve deslize em seu episódio final. Contudo, sua forma de conduzir o elenco, nos rende situações memoráveis, também graças a atuação de Tom Hiddleston, Owen Wilson, e do espetacular trio Gugu Mbatha-Raw (Ravonna), Wunmi Mosaku (B-15) e Sophia Di Martino (Sylvie).

Ao final, o que faz de um Loki, um Loki? Esta é uma das perguntas mais complicadas ao longo da série, por isso, podemos perceber que não era a respeito apenas do Universo Marvel de estávamos falando nesses seis episódios. Nem tudo é sobre um vilão destruidor de universos.

Às vezes é sobre um glorioso propósito! Individual, mas glorioso!

Loki está disponível no Disney +

Will Weber
Geek Guia

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