Super Dica de Cinema
  13/09/2021 às 11h47

Kate


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Kate

Já disse uma vez o incrível "Seu Madruga" que "a vingança nunca é plena, mata alma e a envenena"! E nunca esse ditado que repercutiu na infância de muita gente fez tanto sentido quanto no filme de ação que iremos comentar. Pois se analisarmos com calma, grande parte das produções cheias tiroteios, explosões e combates, são motivadas por alguém tendo que fazer justiça por algo que lhe foi feito! E assim, a velha trama de vingança segue existindo dentro da sétima arte!

Desta forma, 'Kate' chega a Netflix trazendo Mary Elizabeth Winstead numa performance visceral no quesito de ação, e apesar de ignorar completamente o conselho do pai da "Chiquinha" citado acima, esta é uma daquelas obras que aposta nas bem coreografadas sequências de embate e no visual, do que necessariamente na história. Contudo, um bom thriller de ação se faz deste modo. O foco está na pancadaria e na estética, e o que vier além disso, é lucro!

Kate é uma assassina treinada desde a infância para cumprir missões arriscadas. Após um serviço cumprido com sucesso no Japão, ela se vê hesitando na próxima tarefa. Logo, tudo começa a complicar quando a jovem descobre ter sido envenenada, possuindo apenas mais 24 horas de vida. Assim, Kate parte numa jornada para encontrar quem fez isso com ela, porém, à medida que vai entendendo os fatos que a levarão a enfrentar a máfia japonesa, o perigo se faz mais próximo do que imagina!

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Cedric Nicolas-Troyan é quem comanda a produção e entrega de maneira exímia, visual e sequências de ação! O diretor, claramente inspirados em clássicos modernos como "John Wick" e "Atômica", apresenta uma estática muito parecida com esses filmes e faz da sua protagonista uma "máquina" de golpes e tiros, enquanto vai derrotando vilão, por vilão, em sua trajetória!

Deste modo, a direção faz uso dos elementos do gênero e aproveita cada situação para entregar a público momentos coreografados com maestria e brutalidade. Seja numa sequência em um restaurante usando facas e uma arma que estava falhando, seja na cozinha de um apartamento, a visceralidade toma conta da tela, para que os socos, chutes, ganhem intensidade, e nos façam sentir o que passa a personagem principal e os seus inimigos. E aqui não temos economia no sangue também!

Junte isso a cenários que extrapolam no neon, na luminosidade, e no design moderno dos ambientes. Isso contrasta com a figura que vamos acompanhando, que aos poucos começa definhar, a colocando em disparidade com os locais que percorre e as pessoas que encontra. E ainda que tenhamos cenas inventivas nos combates, a direção não consegue manter o ritmo quando sai desses momentos, tornando as situações explicativas cansativas e os diálogos extensos demais.

Obivamente, Mary Elizabeth Winstead carrega a produção em suas costas doloridas, de tanto lutar, o filme inteiro. Sua presença cativa e até consegue nos arrancas alguns risos, por mais que as situações sejam perigosas. O que torna sua Kate durante todos as cenas de combate ainda mais cativante e intensa. Já Woody Harrelson é o Woody Harrelson, pouco encontramos de interessante aqui em sua atuação, que mais parece um "Haymitch" de 'Jogos Vorazes' não tão bêbado e nada memorável!

E por mais que haja todo um desenvolvimento pleno no quesito técnico, a narrativa tem seus deslizes!

A questão acima é o que sempre penso quando vou falar sobre um filme de ação! Principalmente tentando imaginar como é a reação do público com relação a esse tipo de obra. E nem estou falando da crítica especializada que certamente precisa sempre falar da construção de personagens, da motivação do vilão e da forma como os diálogos se constroem ao longo da trama.

Ok, analisando através deste olhar: O filme se arrasta a partir do segundo ato tornando tudo uma grande gameplay com fases bem encaixadas e com desafios fáceis de serem resolvidos. A protagonista por mais que esteja com a vida em risco, se faz cada vez mais forte, tornando sua ação ainda mais inconsistente. Sem contar que os vínculos que desenvolve ao longo da história não parecem ser críveis. Tudo muda abruptamente, e logo o inimigo ganha novas nuances, revelando outra figura como nêmesis, com um desfecho que nos reserva até um momento maternal!

E se olharmos através do entretenimento e do grande público: Encontramos aqui uma narrativa clássica de vingança, onde as motivações são claras, sem enrolação e trazem ainda mais dinamismo pois entendemos onde a protagonista quer chegar. Assim, quando ela começa uma amizade improvável, isso ajuda no seu desenvolvimento, criando uma dupla diferenciada em tela, que nos leva a um desfecho intenso, brutal, que somente uma boa história de ação poderia contar!

Então, entre os mais criteriosos e os amantes da diversão, 'Kate' entrega o que se espera!

'Kate' é um filme de ação brutal, visceral, com sequências de combate coreografadas com precisão e uma construção visual repleta de estilo, dando um toque moderno, que se torna ainda mais evidente ao passo que acompanhamos a jornada de deterioração da personagem. Ao mesmo tempo, o longa não consegue sustentar o ritmo em todo momento, deixando à desejar em certos elementos narrativos, mas isso não remove sua capacidade de entreter, divertir e entregar o que se espera de uma obra do gênero!

Assim, Mary Elizabeth Winstead carimba seu nome como uma ótima protagonista de ação motivada pela vingança, e se este é um elemento já muito aproveitado dentro do cinema, não há problema algum. Tantas narrativas são repetidas em tantos clichês que já perdemos a conta, fazendo de Kate, para alguns mais um na lista, para outros, uma verdadeira máquina no quesito de escoriações e mortes! Até já esquecemos de novo do ditado do Seu Madruga!

Kate está disponível na Netflix! 

Will Weber
Geek Guia

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