Super Dica de Cinema
  14/11/2020 às 16h23

Jovens Bruxas: Nova Irmandade


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Jovens Bruxas: Nova Irmandade

Magia! Um elemento presente em diversas histórias dentro da cultura pop, desde as sagas adaptadas dos livros até as aventuras de feiticeiros e seus aprendizes. Com isso, lá em 1996, Jovens Bruxas se apoderou de um conceito antes utilizado em filmes predominantemente masculinos, como Os Garotos Perdidos, para apresentar uma história que discursava perfeitamente com o público feminino e suas questões, sem contar a estética de vídeo clipe presente na época! O tornando um clássico cult com o passar dos anos!

24 anos depois, a Blumhouse (especialista em filmes de terror), retoma a história de quatro jovens bruxas que começam sua jornada pelo poder daquilo que é místico e oculto. Contudo, será que mesmo dialogando com o público atual e fazendo referências ao original, essa nova versão com toques de continuação consegue ser tão boa?

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Lily se muda com sua mãe para uma nova cidade. Lá, ela irá morar com seu novo padrasto e os meios-irmãos. Ao mesmo tempo, na nova escola, a jovem se vê passando por uma situação complicada e nas figuras de Frank, Tabby e Lourdes irá encontrar amizade. E um pouco mais, já que as meninas são na verdade bruxas! Assim, Lily irá descobrir que possui um legado de extremo poder e que estar naquele lugar faz parte de sua jornada de descobertas.

Zoe Lister-Jones comanda a continuação do clássico cult de 1996 horando o material original, mas sem o encanto que torne essa nova história tão necessária. É louvável o esforço da produção em emular o que o primeiro filme realizou, e isso vai desde os créditos iniciais à pequenas cenas que são total referência como a levitação de uma delas, a cobra na entrada da casa, a mudança de forma, o truque envolvendo espelhos! Contudo, mesmo nesse jogo de lembrar o que foi feito e trazer para uma nova geração essa narrativa, falta personalidade e sobram momentos desconexos.

Isso fica ainda mais evidente quando percebemos que os cortes entre as cenas da película são realizados de maneira abrupta (Ora Lily está em lugar, do nada aparece em outro), há também pouco desenvolvimento dos elementos mágicos em si, assim como em três das personagens que fazem parte do plot principal, fora que outros sequer possuem mais de duas falas durante o longa e o emprego dos efeitos visuais beiram o ridículo, potencializado no confronto final. Quase tão ruins quanto os usados naquela outra adaptação de história sobre magia, o 'Dezesseis Luas'!

E se formos analisar ainda mais percebemos o quanto não há apego algum às bruxas do título! A única com quem conseguimos desenvolver uma certa empatia é Lily, interpretada de maneira competente por Cailee Spaeny. A atriz se esforça ao entregar revolta, coragem e medo em diversos momentos, ainda que baseada em um roteiro precário em seus diálogos. Já Lovie Simone, Zoey Luna e Gideon Adlon, são reduzidas a meras "ajudantes"! Importantes para os momentos de demonstração de magia, mas não para a construção narrativa! O que soa estranho demais!

O grande trunfo do filme de 1996 era justamente em colocar personagens femininas no centro do poder, comandando suas vidas e o quanto isso poderia ser perigoso à medida que iam se aprofundando e usando a magia de diferentes formas. Porém, neste "legado" deixado pelo primeiro coven, faltam informações que realmente sustentem essa história como uma continuação.

Logo de início entendemos que Frank, Tabby e Lourdes já estão avançadas em seus estudos de magia, até mesmo possuem o livro "The Craft" em mãos. Como o conseguiram? Não sabemos! E com a chegada de Lily, sendo a quarte parte, o quarto ponto que desencadeia uma magia ainda maior, as coisas necessitam de uma suspensão de descrença ainda mais elevada, mesmo se tratando de 'Jovens Bruxas'!

Por mais que as montagens dos usos dos poderes sejam interessantes, evoquem situações do original, aparentam ser datadas e com uma estética dos anos 90 que infelizmente aqui não encontra sustentação. Da mesma forma que uma certa infantilização ocorre, o que deixa divertido certos elementos e profundamente desnecessários outros.

De igual modo, o filme acerta em tocar em pontos importantes como as questões de gênero, descobertas e até mesmo preconceito. Ainda que nada disso fundamente um arco dentro da história. E eis um dos grandes problemas do roteiro, diversos núcleos apresentados e apenas um é desenvolvido. Deixando de lado personagens que aparentavam possuir algum mistério e construindo um vilão que não funciona como uma real ameaça.

O resultado, para tentar tornar a sequência relevante, uma revelação acontece nos segundos finais da obra! O que na verdade tem mais cara de cenas pós-crédito do que qualquer outra coisa!

Jovens Bruxas: Nova Irmandade funciona mais como homenagem do que tecnicamente uma continuação! Falta personalidade e um desenvolvimento adequado às personagens, principalmente no que diz respeito às suas caraterísticas. Infelizmente isso faz com que o longa recorra a facilitações e não consiga sustentar a narrativa como algo único!

Logo, a direção é competente ao fazer diversas referências ao clássico de 1996, mas quando é necessário apresentar o que é capaz de fazer, não entrega o suficiente, não constrói situações memoráveis e acaba deixando o emprego mal feito dos efeitos visuais atrapalhar diversos momentos do longa!

Talvez este seja mais um exemplo de produção voltada para um público muito específico atual, com nuances que somente determinada parte de espectadores irão identificar, assim, na linha tênue de entre sequência e referência ao que já foi feito, o feitiço lançado não possuiu encantamento o suficiente para atingir a todos! É bom rever as orientações do livro de magias!

Jovens Bruxas: Nova Irmandade está em cartaz nos cinemas!

Will Weber
Geek Guia

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