Super Dica de Cinema
  12/05/2021 às 8h27

Godzilla vs Kong


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Godzilla vs Kong

Existem confrontos dentro da cultura pop que são aguardados com muita expectativa! Pois carregam nomes, figuras e personagens que há muito tempo são sinônimo de sucesso em diferentes obras. E ao serem colocados numa verdadeira batalha por suas vidas, criam-se times, produtos são lançados e a possibilidade de expandir franquias, garantir sucesso de crítica e bilheterias é inevitável. Mas digamos que para que tudo isso venha dar certo de verdade é necessário entender que o público espera o ponto crucial dessa história: O confronto!

Deste modo, Godzilla vs Kong chegou ao HBO Max nos Estados Unidos (No Brasil a estreia está prevista para o dia 29 de abril, mas é possível assistir usando VPN ou link em torrent), procurando trazer os maiores monstros da história do cinema em uma luta por sua existência e pela humanidade. Porém, este segundo ponto é o que transforma essa aventura naquilo que os fãs não gostariam, pois o que todo mundo mais espera ver é "bicho gigante" se batendo, do que drama da sociedade!

Kong vive em uma base da Monarca que simula a Ilha da Caveira, no qual viveu por muito tempo. Em contrapartida, Godzilla vem se demonstrando cada vez mais perigoso, contrário de seu comportamento anterior. Assim, quando o macaco gigante é levado para encontrar uma fonte de energia que pode funcionar para trazer equilíbrio para o planeta, os dois monstros entram em combate, porém tudo isso esconde algo maior ainda, pois algumas pessoas não querem que os humanos sejam apenas espectadores desse confronto!

Adam Wingard comanda uma das produções mais aguardadas dos últimos anos, mas se formos levar em consideração o currículo do diretor (Death Note da Netflix), poderíamos questionar por completo o seu trabalho. Só que desta vez existem mais acertos do que equívocos na sua condução desse filme.

Wingard sabe como entregar um espetáculo visual e mostrar o conflito como queremos em tela. Monstro gigante contra monstro gigante em torna um cenário de destruição. Para isso, o uso dos efeitos digitais são competentes, realistas, e colocam tanto Godzilla quanto Kong com uma aparência imponente, ao mesmo tempo, assustadora. Deste modo não há economia durante as sequências. Socos, chutes, rajadas de energia, prédios que desabam, explosões, se unem nessa catarse aniquiladora diante do espectador, tornando a experiência aquilo que realmente se espera de dois grandes ícones kaijus nesse quesito!

Contudo, se colocarmos na ponta do lápis, essas batalhas acontecem duas vezes durante as pouco mais de uma hora de cinquenta de duração. Ou seja, em uma produção de quase duas horas, Kong e Godzilla se enfrentam num total de 40 minutos. E as outras 1 horas e 10 minutos de filme? São preenchidos novamente por questões humanas e arcos que poderiam ser facilmente substituídos!

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Assim como em Godzilla e Godzilla 2 - Rei dos Monstros, o problema de obras como essa é a inserção de tramas que precisam tratar do drama humano, da conexão de alguém com um dos monstros ou o dilema ético sobre tudo o que está acontecendo. E sinceramente, nada disso importa para os fãs. Logo, esse primeiro encontro em tela das duas bestas colossais se torna uma espécie de "Batman v Superman" dos Kaijus! Levando tempo desnecessário com algo que não queremos e apressando aquilo que tanto o título disse que iria entregar!

E isso lógico que é culpa do roteiro! Ainda é difícil de acreditar que os roteiristas ainda pensam que num filme em que temos duas figuras lendárias do cinema num embate nós queremos ver a personagem da Millie Bobby Brown bancando a detetive ciber defensora da natureza, ou o Alexander Skarsgård assumindo o estereótipo batido do professor frustrado, desacreditado por todo mundo e que recebe a chance de sua vida pois é o "único" que entende do assunto em questão! Ninguém se importa!

Pois todos esses elementos e personagem sempre acabam caindo nas convencionalidades costumeiras que já vimos até mesmo em produções deste "MonsterVerso". A jovem consegue ir de um lado a outro, entrar numa base suspeita, descobrir a trama de forma expositiva sendo que a trilha sonora "vilanesca" já tinha se encarregado de mostrar ao público quem estava por trás de tudo. Ao mesmo tempo que os pesquisadores estão no local certo, na hora certa, e com o equipamento que pode mudar completamente o rumo dos acontecimentos desastrosos! Uma sucessão de repetições dos roteiros passados!

Enquanto isso, Godzilla e Kong seguem com sua missão de "carregar" a produção nas costas! Já que nada há de interessante no núcleo humano, no lado monstro da coisa, tudo é muito melhor. O Rei dos Monstros está descontrolado, mas não à toa, e parece entender muito bem seu papel como alfa reinante da Terra. Já o Gorila Monumental está em busca do seu lar, de sua origem, da sua verdadeira conexão com esse mundo. E aí que está o grande ponto: Quando as criaturas passam a ser "humanizadas", o roteiro cresce, pois até os sentimentos das mesmas são destacados e aí sim, o espectador se importa!

'Godzilla vs Kong' é um espetáculo para quem espera grandes batalhas entre os maiores monstros do cinema! E nesse ponto, o filme sabe como entregar o nível de destruição exato, ao mesmo tempo que evoca elementos da franquia de ambos, para nos dar referências e aparições que vão fazer qualquer um ficar espantado! Mesmo que isso não dure o tempo esperado.

O grande problema está em seu núcleo humano, o que deixa a produção cansativa em determinados momentos e desinteressante, pois o que importa são os monstros. E nessa tentativa de mesclar esses dois pontos, o filme perde em querer resolver subtramas e esquece que os dois kaijus estão no protagonismo da história.

Ao final, Adam Wingard pode colocar este como um acerto em seu currículo! Não que seja incrível, mas ao menos soube fazer a lição de casa quando assunto na tela eram apenas Godzilla e Kong! E vida longa aos soberanos monstros da sétima arte!

Will Weber
Geek Guia

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