Super Dica de Cinema
  23/08/2021 às 13h26

Free Guy: Assumindo o Controle


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Free Guy: Assumindo o Controle

Falar de adaptações de jogos para o cinema é andar num terreno muito perigoso! Pois nem todas as produções que tentaram conseguiram o feito de emplacar um sucesso ou continuações. Muito menos fazer uma franquia que rendesse milhões. Poucos são os casos de acerto e se ao mesmo tempo há lucro, existe também a crítica ferrenha que não economiza em atacar ferozmente essas obras. Ou seja, filmes sobre videogames não são ainda os mais competentes. Porém, de vez em quando, surge um que consegue ir além do que se espera!

Assim, 'Free Guy: Assumindo o Controle', chega aos cinemas trazendo não apenas os elementos conhecidos de jogos como "Free Fire" e "Fortinite", mas consegue estabelecer uma história que usa de todos os pontos que fazem dos games algo tão importante na cultura pop, numa narrativa divertida, capaz de dialogar com jogadores ou não. Além de fazer referências que vão além dos consoles, atraindo e conquistando todos os públicos! Isso que a produção nem é uma adaptação em si!

Conhecemos Guy, ele mora em Free City, uma cidade onde tudo acontece e as pessoas de óculos são as mais importantes. Porém, um dia, Guy se apaixona por uma dessas moças de óculos e logo descobre que há muito mais ali. Ao mesmo tempo, o que achamos ser a vida do rapaz é na verdade um game jogado por diversas pessoas ao redor do mundo, assim, quando uma jogadora precisa encontrar um arquivo secreto dentro de Free City, ela passa a contar com Guy nessa missão, pois o personagem do jogo agora pensa por si próprio e também precisa defender sua realidade de ser deletada!

Shawn Levy comanda a produção que é sobre um game, mas não necessariamente adapta um jogo em questão. Por mais que as semelhanças sejam gritantes com Free Fire e Fortinite, o game em questão assume uma figura metalinguística, ao mesmo tempo que ajuda a construção da narrativa dentro e fora das telas.

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E o diretor sabe como conduzir cada um dos momentos e suas excentricidades. Dentro de Free City tudo pode explodir ou tornar-se um alvo de algum player em missão, e cada elemento empregado facilita esse entendimento e familiaridade. Por se tratar de um game em mundo aberto dentro da história, a caracterização dos personagens também ganha destaque, por conta dos itens utilizados pelo gamer, ao mesmo tempo que as sequências de ação usufruem, e muito das habilidades adquiridas durante a "jogabilidade" dos personagens.

Desta forma, a direção consegue fazer referências a clássicos como Metroid, Megaman, CS: GO, além de entregar um momento em que a Disney mostra que pode estar em todos os lugares por ser dona de várias produtoras, inserindo Vingadores e Star Wars do jeito que bem entender em suas histórias. Porém, nem só de referências e easter-eggs se faz a produção. Os momentos de ação conseguem transpor o que ocorre nos games, tanto nas questões envolvendo danos, como na escolha de quais armas irá usar, sem contar que a linguagem "gameficada" auxilia e muito os diálogos, sem perder nenhum espectador.

Ao mesmo tempo, quando a história acontece do lado de fora do mundo digital, Shawn Levy usa da comédia dinâmica e sem filtros para apresentar figuras absurdas, como o dono da empresa de jogos vivido por Taika Waititi, ou funcionário que volta e meia muda de personalidade, representado por Utkarsh Ambudkar. Junte isso a Joe Keery que é a personificação do gamer/nerd com suas paixonites e genialidade, e Lil Rel Howery, que faz do seu Buddy uma adição sem igual.

Contudo, o filme tem seus maiores destaques com Ryan Reynolds e Jodie Comer! Reynolds sabe como dar vida ao absurdo, caricato e bem-humorado Guy do começo ao fim, sem contar na ótima entrega nas sequências de ação, ao passo que sua ingenuidade inicial vai dando novas camadas para que seu crescimento como inteligência artificial no roteiro ganhe ainda mais sentido. E Jodie é sem dúvidas a grande figura do longa, todos os momentos em que está em cena, seja nos combates ou não, vai da aventureira à nerd com a mesma qualidade, rendendo um instante romântico ao final que certamente lembrará até mesmo clássicas comédias.

Games se tornaram coisa séria! Existem campeonatos, times, ligas e a indústria movimenta bilhões a cada ano! Mas nunca deixou de lado algo muito importante, a diversão. Justamente com essa atmosfera, 'Free Guy', constrói sua narrativa sem perder o ritmo e o que poderia ser um filme apenas para que gosta de passar horas em frente a um console, pode ter certeza de que esse pensamento está muito enganado!

O roteiro deixa claro de início as regras do mundo de Guy e vai nos mostrando as possibilidades do jogo que faz parte da história. Para facilitar a nossa empatia por cada personagem e pela real missão que percorre a trama, o núcleo fora do game também da conta de estabelecer os seus conflitos que envolvem roubo de propriedade intelectual, e lógico, um amor que ainda não foi correspondido, mas que os elementos de construção do protagonista irão ajudar, e muito, o desfecho desse ponto.

De igual modo, quando vamos compreendendo aonde queremos chegar com Guy, Molotov e os demais personagens, passamos encontrar algo que ainda faltava ser mostrado nos cinemas: O quanto games são capazes de mudar histórias, com ou sem um controle nas mãos. Para isso, o texto brinca com as figuras caricatas por detrás de jogadores habilidosos, realiza a analogia de subir de nível com crescimento pessoal e de camadas de personalidade, fala da mesmice da vida ao colocar em xeque o papel dos NPC's (Personagens não-jogáveis) e dá o protagonismo a figura tão relegada da comunidade gamer, uma jogadora!

'Free Guy' então é o melhor filme sobre games dos últimos tempos e tudo isso, sem precisar transpor nenhum material original e tão pouco contorcê-lo em alterações como vemos constantemente na sétima arte! Por ser algo que referencia, consegue ir por caminhos próprios, usando até mesmo sabre de luz e escudo do Capitão América!

'Free Guy: Assumindo o Controle' fez o que muitos filmes sobre games tentaram fazer, mas não chegaram perto: Entregou protagonistas cativantes, uma aventura repleta de referências bem utilizadas, construiu um mundo atrativo, conseguiu dialogar com o público no geral, além de trazer um dos principais elementos que os jogos sempre se propuseram a apresentar desde sua criação: a diversão. Tudo isso, atrelado a ação absurda e criativa, alinhado a um humor dinâmico!

Logo, quando o filme acaba dá vontade de baixar para o telefone, ligar o pc, ou o console, para jogar alguma coisa. Não para tentar encontrar as diferenças quando temos uma adaptação, mas para aproveitar ainda mais o divertimento proporcionado pelo longa-metragem assistido! Independente de ser gamer ou não!

'Free Guy: Assumindo o Controle' está em cartaz nos cinemas! 

Will Weber
Geek Guia

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