Super Dica de Cinema
  30/08/2021 às 9h48

Ele é Demais


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Ele é Demais

Reformular certas histórias requer um pouco de senso do que pode ou não fazer sentido atualmente! Algumas obras, por mais que tenham se tornado clássicos em sua época, hoje são questionáveis e seus discursos são pautados muitas vezes em uma série de preconceitos. Dito isso, pegar um filme sobre transformação física, mudar o gênero dos protagonistas e colocar dentro do contexto das redes socais, será que realmente ainda funciona?

Logo, 'Ele é Demais', chegou na Netflix abraçando os elementos acima e alterando para algo positivo diversos pontos que o filme original não sou realizar, ou que simplesmente seguiu os padrões da época. Agora, é a vez de um jovem recluso ser o alvo de mudanças em sua vida, enquanto uma jovem digital influencer precisa vencer uma aposta. Apesar de toda repetição de fórmula, a produção consegue o que muitas outras da Netflix já tentaram, fazer rir e entreter!

Padgett é um jovem digital influencer que atrai vários seguidores sobre suas dicas. Mas o que ninguém sabe é que ela vive de maneira humilde no subúrbio e sua vida nas redes sociais, não tão glamourosa assim na realidade. E quando seu namoro acaba de maneira desastrosa, e visto por milhões em uma live, jovem decide superar as dificuldades. Para isso, Padgett irá transformar Cameron é um novo rapaz, mas o que era pra ser apenas uma aposta se tornará muito mais à medida que os dois forem se aproximando!

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Mark Waters é o diretor dessa nova versão da história de 1999, desta vez, para plataforma da Netflix. E por mais que haja um esforço, certas coisas não precisam ser iguais ao original, muito menos, pensar que apenas mudando o gênero dos protagonistas as coisas vão funcionar de outro jeito. É necessário criatividade para não cair no clichê de outras produções que conhecemos do serviço de streaming!

Mesmo assim, em boa parte da produção temos um mais do mesmo desenfreado! O que salva é como a obra é conduzida em diversos momentos. Há cortes inventivos, transições que mostram o contraste entre vida e as redes sociais, sem contar que boa parte dos momentos engraçados funcionam em tela, principalmente quando elenco está reunido. O que afeta em algumas sequências já conhecidas de filmes do gênero, como a famosa montagem de escolha de roupas, que desta vez envolve mais de um personagem, ou a coreografia no baile que coloca realmente as pessoas para dançarem.

O problema está em tentar fugir dos erros cometidos na versão anterior, mas repetir de outras formas aqui. Por mais que tenhamos uma protagonista mulher, o texto parece não conseguir fugir do piegas conceito de rivalidade feminina ou de estar em torno de um rapaz desejado. Além disso, em alguns momentos o filme parece apressar os acontecimentos e quando menos esperamos, já estamos nos encaminhando para o final, e a real empatia pelo casal protagonista não consegue se formar! Então se eles ficarem ou não juntos, certamente não afetaria a experiência de assistir!

Tais produções costumam apresentar conflitos que conhecemos e problemáticas que não são tão extremas assim. Tornando tudo descartável e completamente incoerente ao passo que vamos acompanhando a história! Porém aqui, existem pontos que conseguem fugir das questões que sempre são apresentadas em comédias adolescentes. Ao menos em seu ponto principal do texto.

Padgett e Cameron possuem narrativas interessantes e motivações para os levarem a agirem da forma como são. Encontramos a perda de um ente querido, abandono familiar, bullying e o fato de demonstrar a verdade da vida sem precisar de uma rede social conectada. Todas essas nuances são interessantes, contudo, há uma superficialidade latente em todo o percurso de ambos, fazendo com que nunca consigamos ver quem são os personagens mesmo. Ainda que exista um discurso final cheio de inspiração e a busca por quem realmente se ama.

Logo, o roteiro também acerta em determinadas escolhas. Ao trazer figuras com uma pluralidade étnica e de gênero, vão sendo acrescidos momentos que melhoram bastante a história em comparação ao de 1999. Há toda uma ação combativa em uma tentativa de violência sexual, espaço para duas personagens se relacionarem e a quebra de certos estereótipos das figuras femininas.

O filme de 1999 é um "clássico" contemporâneo, com inúmeras construções erradas, e neste ponto, a nova versão de 2021, conseguiu ser assertiva e inclusiva, de um jeito totalmente natural!

'Ele é Demais' é uma nova versão que ainda comete os mesmos erros de outras produções do gênero. Sendo clichê, piegas e irritante em diversos momentos. Contudo, em 2021, o roteiro se encarrega de fazer uma atualização assertiva, além de incluir certos pontos que deixam a narrativa divertida e engraçada. E apesar de toda repetição de fórmula, a produção conesgue o que muitas outras da Netflix já tentaram, fazer rir e entreter!

Logo, não apenas mudar o gênero dos protagonistas achando que a produção por si só irá percorrer caminhos diferentes. Há toda uma necessidade de construção mais apurada e de camadas das figuras apresentadas, não que elas não existam, mas nunca conseguimos ver o todo que a trama quer apresentar.

Não, este não é um filme ruim, faltou na verdade coragem de ser mais original, mesmo sendo um remake. E mesmo assim, nos arranca risadas, além de todo um sentimento nostálgico quando toca 'Sixpence None the Richer'!

Ele é Demais está disponível na Netflix

Will Weber
Geek Guia

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