Super Dica de Cinema
  29/11/2021 às 14h46

Casa Gucci


4
0
Casa Gucci

Sejamos sinceros, Ridley Scott nos últimos anos têm mais filmes ruins do que acertos! Essa inconstância do diretor de clássicos como "Alien" e "Blade Runner", faz com que ao assistirmos obras como "O Último Duelo" (2021), tenhamos esperança de ele ter reencontrado a sua forma única de contar histórias. Contudo, nem sempre é possível manter o legado de um nome na mesma proporção de acertos e às vezes é necessário cair em desgraça para se encontrar em algum momento. E neste paralelo, Ridley Scott parece realmente ter sido a melhor escolha para contar essa narrativa!

Assim, 'Casa Gucci' chega aos cinemas trazendo consigo a ambição do Oscar, um elenco estrelado e uma direção de renome, mas o resultado é uma mistura estranha de gêneros, abraçada a uma falta de cuidado técnico e atuações que destoam completamente da proposta da obra. E entre berros alardeados com um sotaque italiano que beira o ofensivo, é Lady Gaga que sustenta a produção. Fazendo sua cena já tão viralizada mudar para "Em nome do pai, do filho e da Lady Gaga".

Patrizia Reggiani casou-se com Maurizio Gucci, herdeiro do império de moda Gucci. A mulher ambiciosa, aos poucos vai adentrando os negócios da família e tomando para si o nome tão poderoso. Contudo, sua presença não é vista com bons olhos pelos demais e isso fará com que conflitos se tornem constantes ao longo do relacionamento. Por fim, Patrizia conspirou para matar o marido em 1995, contratando um matador de aluguel. Foi considerada culpada e condenada a 29 anos de prisão. E esta é uma história de intriga familiar que envolve muito mais do que uma marca famosa.

Como já dito, Ridley Scott é comanda a produção, baseada no livro de Sara Gay Forden e ao que parece quis entregar um conceito que mais parece uma bagunça em grande escala do que qualquer coisa. É estranho pois em seu trabalho anterior, também já referenciado nessa crítica, há uma direção precisa ao contar uma história densa. Totalmente diferente do que encontramos aqui.

No decorrer das mais de duas horas e meia de filme, a direção parece não se importar em contextualizar os acontecimentos e tão pouco se preocupa com questões temporais. Algo refletido no trabalho de maquiagem que parece ter esquecido de qualquer emprego de envelhecimento nos atores. Além disso, por mais que exista uma dedicação em imprimir com exatidão locais, ambientações e a cultura da época, as mudanças de cenário são estranhas e totalmente abruptas. Sem contar na edição que parece fazer cortes de maneira aleatória, até mesmo não deixando atores concluir suas falas, logo partindo para outra sequência!

+ Siga a rádio FM Super também pelo Facebook, Instagram e YouTube.

E por mais que este seja um filme de estética mais "crua", com cores mais acinzentadas, beirando um realismo, parece que encontramos um choque quando observamos o trabalho de direção, que não se encaixa inúmeras vezes com que está sendo estabelecidos nos aspectos técnicos. É como se Ridley pedisse ao seu elenco que tomasse as rédeas do exagero, mas continuasse tentando realizar o básico em tudo a sua volta.

Nesta confusão "teatral" mal dirigida, nem o espectador consegue encontrar algo que possa não lhe fazer bocejar durante a exibição.

Na verdade, existe sim. Duas! Lady Gaga e Al Pacino! A primeira adentra a personagem de maneira completa, intensa, trazendo as nuances necessárias e conduzindo a trama à sua maneira. Todos os seus momentos em tela são cativantes e quando não a temos, ficamos sentindo sua falta pois o ritmo se perde completamente. Já o consagrador ator, demostra sua maturidade em cena comprovando aos outros atores do elenco como se transita entre escárnio e o carisma.

E se não fossem eles, esta história não funcionaria do jeito que se espera!

Cinebiografias podem cair num erro que ninguém gostaria que acontecesse: Encher a história de fatos que não nos interessam e delongar demais o momento que estamos mais interessados. E sinceramente, quando a proposta do filme, assim como foi vendido pelo marketing, era falar dos "barracos" da família Gucci, nada mais esperado que isso fosse entregue. É entregue? Pela metade e de uma maneira nada empolgante.

O roteiro parece se prender em detalhes que não estamos interessados e dar ênfase em personagens que não nos importamos. Se a trama inicia com Patrizia contando a história, por que não a deixar fazer isso do começo ao fim, explorar a personagem, e a atriz tão entregue de maneira exímia. Não, temos que dar espaço para um Jared Leto discrepante do resto e um Adam Driver que apenas faz expressões blasé. E mesmo que a narrativa queira fazer com que os demais cresçam, essa é uma história de Patrizia.

E como tal deveria ter sido contada de maneira mais dinâmica, reduzindo momentos e colocando em destaque certos conflitos que nos fazem até hoje pensar na marca Gucci como uma excelência quando assunto a moda. O resultado é igual o da vida real, gente rica não sabendo fazer nada direito, pois nem barraco eles sabem. Ao tentarem, é tão sem graça quanto as sequências em que Lady Gaga não aparece na tela.

'Casa Gucci' é um "Caça-Oscar" quase em brilho, se não fosse pela entrega de sua protagonista! O resultado é uma sucessão de momentos interessantes que nunca entregam o que prometem, deixando o espectador exausto em mais de duas horas de exibição. E na tentativa de contar os dramas, as intrigas e o que há de podre por trás de um dos grandes impérios da moda, Ridley Scott se apega a detalhes que não nos importamos.

Assim, o resultado é uma mistura estranha de gêneros, abraçada a uma falta de cuidado técnico e atuações que destoam completamente da proposta da obra. E entre berros alardeados com um sotaque italiano que beira o ofensivo, é Lady Gaga que sustenta a produção. Fazendo sua cena já tão viralizada mudar para "Em nome do pai, do filho e da Lady Gaga".

Casa Gucci está em cartaz nos cinemas.

Will Weber
Geek Guia

Tags
sombra

Promoções
sombra

Artista em Destaque

92
4

Amigos da Super