Super Dica de Cinema
  13/12/2021 às 13h28

Amor, Sublime Amor


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Amor, Sublime Amor

Nós do Geek Guia já deixamos bem claro o quanto gostamos de musicais! A forma como cinema e música se tornam uma coisa só em tela, nos levando por uma história cativante e personagens que emulam todos os sentimentos possíveis, nos faz querer sair dançando e cantando ao final de cada sessão. Obviamente não são todas as obras que conseguem causar esse tipo de sentimento, porém existem aquelas que impactam, envolvem e abraçam todo o êxtase visual e sonoro que a sétima arte é capaz de realizar!

Desta forma, 'Amor, Sublime Amor', chegou aos cinemas com Steven Spielberg na direção do remake de um dos maiores clássicos do gênero. E diferente do que muito se esperava, o consagrado diretor opta por não refazer a história em sua totalidade, apenas atualizando o necessário, mas acima de tudo, nos entregando um espetáculo visual envolvente e canções tão marcantes que é impossível não sair imerso as emoções que a narrativa consegue causar. Assim, neste "Romeu e Julieta" urbano, Spielberg fundamenta essa nova versão com uma das melhores obras de 2021!

Maria e Tony se conhecem de maneira inesperada, porém, a jovem porto-riquenha tem que lidar com o irmão mais velho que quer tomar as decisões em sua vida. E isso fará com que para viverem esse amor, tenham que passar por cima do conflito existente entre as gangues do bairro em que moram, os Jets, grupo que Tony já liderou e tem seu melhor amigo como chefe, e os Sharks, comandados por Bernardo, rapaz porto-riquenho que é boxeador e irmão de Maria. Logo, quando o derradeiro embate entre os dois lados ocorrem, o casal se vê no centro de tudo, podendo colocar um fim no amor que começou e até mesmo na vida dos envolvidos!

Steven Spielberg é um nome que dispensa qualquer apresentação e poderíamos ficar por várias citando as obras que fizeram deste um diretor a ser celebrado dentro da sétima arte! Mas aqui Spielberg não apenas refaz algo que já passou pelos palcos da Broadway e foi marcante na telona, o diretor resgata a era de ouro dos musicais no cinema, entregando ao público uma experiência que só podemos classificar como "espetáculo"!

Desde as sequências iniciais quando vamos entendendo o porquê do conflito entre os grupos no bairro onde a história acontece, até o momento do baile e os "números" individuais, há um elevado cuidado com cada elemento presente em cena. Seja o figurino, sejam os objetos ou a ambientação, tudo nos remete a Nova Iorque do final dos anos 50, as mudanças pelas quais a cidade passava e como isso afetava a população. Principalmente os imigrantes latinos!

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Spielberg desta forma evoca a teatralidade em casa momento de diálogo que é realizado com intensidade e emoção. Fazendo com que ninguém esteja de forma "automática" durante mais de duas horas e meia de filme, que por sinal passam de forma desapercebida. O resultado é uma união perfeita entre música e imagem. Para isso, a fotografia auxilia na contextualização do que estamos vendo, dando a princípio tons mais frios para quando os que se julgam "americanos de verdade" estão em tela, e tons mais quentes quando o núcleo porto-riquenho inicia suas sequências. Sendo que 'America' conduzida por Adriana DeBose e 'Gee, Officer Krupke' são as duas melhores performances do longa em disparado!

Então, o diretor não só cria sua própria versão do que Arthur Laurents idealizou certa vez, pois evoca e muito o trabalho do original de 1961, passando pelo espetáculo no teatro, e chegando em uma produção capaz de deixar uma marca que dificilmente será superada no quesito dos musicais no cinema! E realmente faltava a mão de um diretor que sabe o que está fazendo e não apenas tenta entregar o "conceito pelo conceito" ou a mistura de ritmos só pra agradar meia dúzia fãs! O que Spielberg faz honra o material original além de conquistar antigos e novos fãs!

Tudo isso está aliado a performances que vão além do que se espera. Em destaque, Rachel Zegler que expressa diferentes camadas ao dar uma força única e ainda melhor que sua antecessora, ao interpretar Maria. Ariana DeBose que é verdadeira "alma" do musical, de forma que todas as sequências em que está é impossível não se sentir capturado por sua presença em tela. E Rita Moreno, com sua Valentina, emprega uma figura fundamental para o desenvolvimento da história além de entregar uma das sequências mais emocionantes do cinema em 2021!

Muito tem se falado de como as grandes metrópoles passaram por processos de gentrificação, justamente para privilegiar as classes mais abastadas em detrimento daqueles considerados aquém daquilo que pudesse ser o padrão correto diante de uma sociedade! Inúmeras obras cinematográficas tem revelado, através de seus textos, o quanto tais ações geram consigo um histórico de violência, preconceito, racismo e abandono! E não de forma solta, a narrativa de 'Amor, Sublime Amor', também se encarrega de pontuar essas ideias ao espectador.

O conflito de Jets e Shardks possui um histórico, um porquê e um motivo ainda maiores que os cerca. E o desenvolvimento atrelado ao despejo de pessoas e as melhorias, utilizadas como eufemismo para exclusão, se fazem presentes nos diálogos, nas ações e nos embates dos personagens! Ao mesmo tempo, o romance de Maria e Tony ganha nuances cada vez mais próximas deste contexto. Pois uma jovem porto-riquenha não deveria se casar com um "gringo" pois acabará se tornando uma. Algo que constantemente é lançado para Valentina, classificada como traidora de seu povo! Isso é dito a Tony, onde as jovens latinas são vistas como algo a ser "usado" e de maneiras até mesmo abusivas!

Deste modo, o roteiro trilha para os seus protagonistas um local de pertencimento diferente do que espera os lados da história! E que muitas vezes nos vemos ocupar! Encontrando abrigo onde menos se espera e chegando à conclusão de que há muito mais do que conflitos, pois existem aqueles que se beneficiam com isso todos os dias, apenas atentos assistindo quem irá cair primeiro.

E quando o desastre acontece, a música se torna uma mera lembrança de que o amor ainda é capaz de gerar grandes mudanças, ao passo que sua manifestação no cinema nos proporciona momentos tão icônicos como este!

'Amor, Sublime Amor' é um dos melhores filmes de 2021, e certamente um dos melhores musicais dos últimos anos. Logo, Steven Spielberg realiza algo diferente do que se esperava, optando por não refazer a história em sua totalidade, apenas atualizando o necessário, mas acima de tudo, nos entregando um espetáculo visual envolvente e canções tão marcantes que é impossível não sair imerso as emoções que a narrativa consegue causar. Assim, neste "Romeu e Julieta" urbano, Spielberg fundamenta essa nova versão como superior ao original!

Desta forma, o diretor não apenas refaz algo que já passou pelos palcos da Broadway, ele resgata a era de ouro dos musicais no cinema, entregando ao público uma experiência que só podemos classificar como "espetáculo"! Sendo esta produção uma forte candidata aos prêmios do cinema em 2022! Steven Spielberg conseguiu e nos encantou!

'Amor, Sublime Amor' está em cartaz nos cinemas! 

Will Weber
Geek Guia

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