Super Dica de Cinema
  11/09/2020 às 15h24

A Química que Há Entre Nós


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A Química que Há Entre Nós

Adaptações literárias sempre tentam trazer o que há de mais importante e profundo nas obras que irão utilizar como base. Sejam os dilemas, conflitos ou situações que conduzem ao clímax, existe sempre uma tentativa de ser o mais fiel possível. E novamente, adentrando os dramas adolescentes, uma nova adaptação chegou a Amazon Prime Video, indo muito além do que já foi entregue em outras obras do gênero. Não apenas pela história que consegue gerar identificação em quem assiste, mas pela atuação da protagonista que se torna capaz de fazer com que todos a acompanhem, mesmo que não estejam no mesmo nível. Assim, essa jornada vai além do típico drama adolescente nos mostrando o quão importante é dizer "adeus" a algo ou alguém importante!

Grace perdeu o namorado em um trágico acidente e sua mudança para uma nova escola parece ser uma atitude que não irá contribuir para que sua vida consiga seguir o rumo esperado. Ao mesmo tempo, sua aproximação de Henry Page, o editor do jornal da escola, começa a despertar sentimentos que para ela estavam esquecidos. Logo, o conflito entre a tragédia que precisa ser enfrentada e um possível novo sentimento, irão permear os caminhos da jovem a partir de então!
O diretor da vez é Richard Tanne que realiza um trabalho acima do esperado se comprado a outras obras que trabalharam temáticas para "jovens-adultos" no cinema. Há muita delicadeza ao tocar e certos pontos, além de personalidade ao comandar uma câmera, gerando boas sequências narradas, envolvendo passagem de tempo, atrelada a interação dos personagens.

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Nessa escolha de não fazer o que todos já fizeram antes, a direção explora a capacidade da protagonista em entregar sequências cada vez mais profundas, unindo isso a uma fotografia que se modifica à medida que o relacionamento de Grace e Henry vai se desenvolvendo, indo do colorido aos tons mais acinzentados, dos momentos de alegria às dificuldades que serão apresentadas ao longo de cada nova informação.

Por isso, Lili Reinhart se torna uma multiforme exposição de sentimentos e ações. A atriz à princípio demonstra aquele clássico estereótipo da "garota nova" com um segredo, mas aos poucos as camadas vão surgindo, deixando de lado os traços enigmáticos, para nos entregar uma atuação consistente e altamente cativante. E orbitando, temos Austin Abrams que demonstra um certo esforço para acompanhar sua parceira de cena, mas se contenta em repetir as mesmas expressões em cena.

Quantas vezes perdemos coisas ou pessoas na vida e não sabemos lidar com esse tipo de sentimento? Talvez essa pergunta seja a chave para adentrarmos ainda mais a história de A Química Que há Entre Nós! Logo, engana-se quem pensa que este é mais um dramalhão jovem, onde adolescentes exageram em situações que facilmente poderiam ser resolvidas. Por isso, fica de lado toda a caricatura de tais momentos para que de forma respeitosa o luto, a dor, a ansiedade e depressão sejam tratadas de forma convincente!

Tanto Grace quanto Henry possuem seus dilemas, porém para a jovem, trazer este novo amigo para o seu mundo, requer um esforço que envolve uma perda em seu passado. E ela não está pronta ainda para deixar isso para trás! Assim, o que ambos sentem se torna um verdadeiro conflito, interno e externo, onde é demonstrado que não se pode tentar consertar as pessoas, da mesma forma como é necessário vivenciar a tristeza e abandoná-la quando já fez o seu trabalho.

Deste modo, a narrativa vai além de uma história sobre uma garota com uma tristeza grande em sua vida, principalmente quando entre idas e vindas, abre espaço para falar de representatividade, os problemas da adolescência que muitos desconhecem, as relações que tendem a nos comparar e até mesmo, suicídio. E nessa mescla de elementos, a obra é um recorte assertivo sobre uma geração que ainda não sabe lidar com seus próprios sentimentos, ainda mais quando sofrem algo que pode se tornar uma marca permanente em suas vidas.

A Química que Há Entre Nós não é um "mais do mesmo" de filmes sobre a vida dos adolescentes e seus conflitos. Tão pouco é uma daquelas comédias superficiais, repletas de clichês mal empregados feitas apenas para satisfazer os algoritmos de streaming. Aqui encontramos uma jornada sobre enfrentar aquilo que tanto nos assombra para poder seguir em frente.

Com uma direção que demonstra personalidade e um jeito sutil de lidar, e falar, sobre vários pontos importantes, a obra ganha ainda mais peso graças a atuação de Lili Reinhart que faz o espectador mergulhar em seu universo a cada nova cena.

Por fim, o longa é um exemplo assertivo de como os jovens veem, experimentam e sente o que o mundo os entrega e muitas vezes, essa vivência se torna complexa por conta das perdas que se apresentam. Logo, cada um lida com a dor de alguma forma, alguns escrevem, outros choram, tem aqueles que tentam de alguma forma juntar os cacos, mas a lição importante é justamente algo que não pode perder: sentir cada momento!

A Química Que Há Entre Nós está disponível na Amazon Prime Video.

Will Weber
Geek Guia

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