Super Dica de Cinema
  17/05/2021 às 9h18

A Mulher na Janela


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A Mulher na Janela

Poderíamos transformar essa crítica no mesmo do que muitos farão, uma lista de comparações à Alfred Hitchcock e sua filmografia! Citar "Janela Indiscreta", "Um Corpo que cai" e "Psicose" e o quanto o cineasta fazia do suspense a sua principal ferramenta para contar suas histórias! Ok, referências às obras e ao diretor feitas, vamos ao foco principal, o filme da vez! Não que fazer esse tipo de coisa seja irrelevante, mas perde-se tempo demais, deixando de lado o assunto em si! Uau, parece até o roteiro que iremos comentar!

Deste modo, "A Mulher na Janela" chegou ao catálogo da Netflix trazendo um elenco repleto de nomes importantes do cinema dentro de uma história que fará qualquer um se interessar. Contudo, na tentativa de ser um suspense capaz de prender a atenção do espectador do início ao fim, não encontramos nada que nos faça realmente ficar entretidos com tudo o que ocorre. Gerando até uma vontade que passe depressa! E coitada da Amy Adams!

A Doutora Anna Fox é uma psicóloga infantil que não sai de sua casa! Ela possui agorafobia, um transtorno que não permite que ela deixe o seu lar, por conta de sua segurança. Porém, quando uma família se muda para casa em frente, Anna começa a observar o comportamento dos vizinhos e em um certo dia testemunha um crime brutal! Agora, a mulher tentará comprovar à todos o que aconteceu, levantando diversas suspeitas sobre a existência da vítima e sua sanidade!

Joe Wright comanda a produção baseada no livro homônimo de A.J. Finn! E como costumamos dizer, adaptar não é uma tarefa tão simples quanto parece! O diretor tenta emplacar uma estética nova ao cinema de suspense, onde elementos conhecidos do público já estão ali e sabemos qual serão suas intenções. Desta forma, a direção se esforça em fazer algo diferenciado, tentando mesclar situações que nos deem a impressão de delírio e pensamentos subjetivos. E do mesmo modo que mostra isso ao público, o diretor remove completamente a partir do segundo ato da trama, como se entendesse que nada daquilo faz sentido, já que tentar dar forma a um transtorno não pode se limitar a uma ou duas montagens em computação gráfica!

Falando na construção do filme em si, há muitas cenas desconexas que não se encaixam com a proposta! O que remove completamente o jeito que chegamos ao clímax da película, tornando todo o momento uma grande sequência de filme slasher mal dirigida, com direito a explicação do plano maligno e personagem que ninguém se importa morrendo!

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Ao mesmo tempo, os pontos que fazem deste um filme de suspense não conseguem sustentar a atmosfera necessária para um mistério. E isso vai da fotografia ao nível de atuações. Alguns ambientes são claro demais no começo, logo que a cena corta, já estamos na penumbra, e tudo isso em menos de 10 segundos. Como se fizesse diferença mudar agora a luminosidade para nos convencer de um perigo ou aura enigmática! De igual modo, o diretor não sabe dar ao seu elenco o tom para entregar suas performances, transformando diversas aparições numa caricatura dos estereótipos que encontramos em produções do gênero!

Logo, Amy Adams se esforça, procura transmitir seus problemas e inquietações à todo instante, mas quando precisa dividir a cena com alguém, tudo isso se perde e temos a mesma expressão de choro contido várias vezes! Julianne Moore aparece, faz sua parte e deve ter agradecido por não precisar mais surgir na trama. Gary Oldman segue gritando em cena, mas ele é um dos melhores certamente! E Wyatt Russell faz o que pode com um texto onde suas falas são reduzidas a frases com no máximo três palavras! Reforçando, não é fácil adaptar um livro para roteiro de cinema!

Por mais que se esforce, a narrativa não trabalha o que é principal na obra: O suspense! Em nenhum momento as situações apresentadas geram no espectador a vontade de querer saber o que realmente está acontecendo do outro lado da rua! Justamente porque começam a surgir tantos outros pequenos núcleos sem resposta. E a história principal só volta em cena quando Anna parece estar perdendo o controle novamente!

Assim, o roteiro vai tentando traçar características e nuances para não deixar seus personagens rasos! Consegue? Também não! O texto nos revela que há um problema com o inquilino da protagonista, e só, essa a característica dele! Ao mesmo tempo que deixa claro um certo envolvimento do pai da família vizinha com uma pessoa que faleceu recentemente e só, o pai é um babaca, apenas!

Ademais, entendemos desde o começo a necessidade de segurança demonstrada pela personagem principal, que resulta em uma cena clichê de janela esquecida em aberto! Que resulta em outra cena manjada da foto enquanto dorme enviada para o e-mail! E nada disso possui a tensão que momentos assim exigem!

Isso nos leva as revelações para dar fôlego à trama! A primeira, facilmente entendida desde o começo do filme! A segunda, acontece de forma tão mal estabelecida que se o espectador mais desatento piscar, irá perder todo o falatório que procura explicar algo que não possui o peso para nos deixar espantados!

'A Mulher na Janela' é tanto um grande esforço por parte de quem assiste, quanto de quem estava atuando na produção! Pois com um texto desconexo, uma trama nada empolgante e atuações que não conseguem seguir uma linearidade, nada aqui justifica a existência da história! Tão pouco há o suspense prometido nos materiais promocionais!

Ou seja, nessa tentativa de emplacar uma estética diferenciada para contar tramas do gênero, ocorre até um flerte com o cinema slasher, e nem aqui, a direção consegue sustentar uma cena capaz de chamar a atenção de quem assiste!

Ao final, o filme serviu para comprovar três coisas: Nem todo mundo sabe fazer suspense, Gary Oldman continua gritando de maneira maravilhosa no cinema e Amy Adams segue sem um Oscar!

'A Mulher na Janela' está disponível na Netflix! 

Will Weber
Geek Guia

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