Super Dica de Cinema
  18/05/2020 às 14h23

A Missy Errada


12
0
A Missy Errada

Ao mesmo tempo que esta crítica está sendo escrita, passa na televisão um clássico da produtora de Adam Sandler, "A Herança de Mr. Deeds" de 2002. A comédia romântica com tons exagerados de humor visual, é um bom exemplo de uma fase que o ator, diretor e roteirista trabalha todos os elementos de sua história para nos arrancar risadas verdadeiras das situações dos personagens.

+ Siga a rádio FM Super também pelo Facebook, Instagram e YouTube.

Porém, o tempo passa, as pessoas mudam, tanto quem está por trás das câmeras, quanto no pós, assistindo, desta forma, longe de qualquer contato com Sandler, o novo filme da Netflix, usa do da produtora do comediante como idealizadora do que encontramos em A Missy Perfeita,  que se torna um exemplo do que não fazer usando o assunto é comédia!

Coitado do Adam Sandler, mal sabe o que fizeram e está levando a culpa!

Tim saiu em um encontro com uma garota chamada Missy, mas as coisas não foram como esperado já que ele quase morreu. Desistindo de qualquer contato com ela, sua vida muda quando conhece, no aeroporto, uma outra moça que também é conhecida por "Missy"! E após esse encontro, o que poderia dar início a uma nova paixão, se torna um transtorno pois ao convidar Missy para uma viagem, a pessoa errada acaba chegando tornando tudo constrangedor demais!

Tyler Spindel comanda a produção desta comédia de um jeito que mais parece um grande espetáculo de stand-up que não funciona e por mais que você "jogue" um novo tema para os artistas trabalharem, eles não sabem o que fazer. Desde o começo, é perceptível que o diretor não tem domínio de elenco, câmera e locais de locação. Já que a edição para um grande clipe musical que quando tem a oportunidade aumenta o som da trilha sonora para disfarçar a falta de profissionalismo. Ao mesmo tempo, os momentos de humor estão condicionados em quedas, contusões, danças, expressões exageradas e falas que não fazem qualquer sentido, por mais que procurem referências em outras mídias, obras e elementos da cultura.
Nesse exagero cênico encontramos dois extremos que não conseguem manter a trama de um jeito interessante, a vida do protagonista e seus problemas amorosos e a tal Missy do título, que recebe toda a carga negativa comportamental que uma personagem feminina poderia receber, justamente para se equiparar, de uma maneira errada e ignorante, aos demais homens presentes. O que faz o talento de Lauren Lapkus se tornar uma caricatura do que ela já fez. A atriz, conhecida de outras obras como Jurassic World e The Big Gang Teory, aqui é levada apenas a gritos, movimentos com o corpo para dizer que está dançando, feições estranhas e novamente mais gritos. Já seu companheiro de cena, David Spade é descartável!

A frase acima é interessante e até caminha para uma resolução boa de uma trama tão mal construída, mas uma fala apenas não consegue resgatar uma narrativa inteira.

Em nenhum momento a comédia se propõem em fazer o que deveria, graça! As situações são cansativas, repetitivas, não há conexão alguma de um momento ao outro e literalmente, personagens são esquecidos, ou não recebem final.

Contudo, você deve estar pensando: Ah, mas é só um filme pra fazer rir!

Dos pouco mais de 90 minutos, o que encontramos é um espetáculo de vergonha alheia tão grande que é quase inevitável não tirar os olhos da tela por tamanhas situações desnecessárias, que principalmente Missy precisa passar, justamente para que Tim se "encontre"! Esse jogo textual reduz tanto a personagem que o nosso único desejo é que ela simplesmente pare de falar em algum momento ou que o filme se converta em um curta-metragem! Aliás, nesse ponto, o marketing da Netflix quer acertar e errar ao mesmo tempo, disponibilizando prévias onde somente Lauren Lapkus aparece como uma "descontrolada" ou "maluca", palavras usadas várias vezes durante o roteiro de um jeito pejorativo ao extremo.

Um, para convencer o público que aquilo realmente é hilário, dois, pra tornar aquela figura algo tão detestável quanto a própria produção!

A Missy Errada é uma comédia sem graça, sem base, sem história e carece uma direção que soubesse como usar o elenco a seu favor.

Mesmo tentando, não consegue criar situações que justifiquem a presença de uma obra dessas no catálogo da Netflix ou tão pouco o gasto de orçamento para sua realização. Ao final, sobra em nós apenas compaixão da protagonista que poderia ter sido mais bem aproveitada em outra narrativa e dó do Adam Sandler que está sendo culpado por algo que nem fez!

Esse filme deveria se chamar: Como humilhar uma atriz!

A Missy Errada está disponível na Netflix!

Will Weber
Geek Guia

Tags
sombra

Promoções
sombra

Artista em Destaque

175
29

Amigos da Super