Super Dica de Cinema
  22/08/2020 às 0h01

A Caverna


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A Caverna

O gênero de ficção científica no cinema sempre flertou com a viagem no tempo de diferentes formas. Desde as adaptações da obra de H. G. Wells, passando por exterminadores vindos do futuro até o DeLorean mais tecnológico, transpor passado, presente e futuro esteve no imaginário de roteiristas, produtores e cineastas em diferentes épocas. Algumas vezes, essas produções conseguem entregar obras que mesclam até mesmo situações mais normais como em Uma Questão de Tempo, A Gente Se Vê Ontem ou partindo para o mais caricato, e perigoso, como em A Morte te dá Parabéns.

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Contudo, a nova produção distribuída pela Netflix, A Caverna (Time Trap), usa dos elementos fantásticos para também contar sua história com modificações temporais, só que para chegar no que pretende, boa parte da obra deveria ser reescrita e refilmada! A viagem no tempo ajudaria muito nisso!

O professor universitário Hooper está à procura da Fonte da Juventude que de acordo com anotações e pesquisas pode estar no fundo de uma caverna. Esse mesmo local pode ser onde seus pais desapareceram na década de 70. Logo, o rapaz adentra o local, mas também some. Dias se passam e seus alunos, Taylor e Jackie, decidem ir atrás do seu mentor, auxiliados por Cara, e sua irmã mais nova Veeves, além do amigo da jovem, Furby. Assim, o grupo de jovens irá se arriscar na caverna procurando Hooper sem saber que entrarão em algo além da compreensão de tempo e espaço.

Dirigido por Ben Foster e Mark Dennis (este último responsável pelo roteiro), o filme apresenta um conceito interessante ao usar a viagem no tempo, porém que se perde nos próprios elementos usados no decorrer da história. Ao passo que vai sendo construído, o longa começa como um thriller de suspense, demonstrando enigmas e mistérios que envolvem a caverna do título, porém a direção acaba perdendo força ao inserir novos estilos cinematográficos no filme. Começando como uma jornada de ficção científica com toques sombrios, logo se torna uma espécie de road movie, com uma básica viagem entre amigos em que o tom de humor não se encaixa na proposta principal do filme. Nisso, conforme vai mostrando mais no quesito fantástico o amadorismo vai ganhando evidência na parte técnica.

Há cortes mais executados, transições que não se encaixam, uma fotografia que não auxilia na atmosfera criada, deixando o ritmo do segundo ato bem lento, além de demonstrar visivelmente ser uma produção de baixo orçamento. E quando chegamos ao clímax, as ideias parecem jogadas demais, abruptas e desconexas de boa parte da narrativa!

O grande problema de A Caverna está justamente não aproveitar a boa ideia inicial que tiveram: Um local onde tempo e espaço se deslocam de uma maneira diferente, afetando as pessoas que lá estão e as fazendo ter contato com diversas eras de uma maneira perigosa. E fato disso tudo não ser a base de tudo é que ao criar arcos menores, certas informações se perdem no decorrer do caminho.

Há um cachorro que simplesmente some da narrativa, uma fonte da juventude que serve apenas de elemento salvador (o famoso Deus Ex-Machina do cinema) no momento propício, uma culpabilização pelos fatos de um personagem com outro que não faz sentido e até a motivação do protagonista não é concluída de uma maneira satisfatória. Aliás, nenhum dos personagens aqui é interessante ou cativante, principalmente por conta dos diálogos artificiais e atuações nada convincentes.

Assim ao fazer uma junção de viagem no tempo, elementos fantásticos e místicos, tecnologia e até mesmo drama adolescente, o roteiro que poderia ter se guiado apenas por uma ideia central, vira uma confusão que nos minutos finais tenta ser corrigida, pois certamente alguém pensou em algo de última hora. É importante ressaltar que isso não é problema de orçamento, pois encontramos diversas obras com a temática ou semelhante, que mesmo sem ser uma grande produção, desenvolve bem sua trama.

A Caverna (O título no Brasil desde 2018 estava como Armadilha do Tempo, mas parece que o serviço de streaming preferiu algo genérico causando uma confusão com o outro filme de mesmo título de 2005) é uma ficção científica que possuía uma premissa muito diferente e com personalidade, mas que infelizmente não foi executada de uma maneira que realmente fizesse jus ao conceito principal. Com uma direção que vai perdendo força ao longo da trama, principalmente por não controlar o excesso de informações e um elenco apático, o resultado não é tão bom como dizem ser.

Ao final, a viagem no tempo se torna um pretexto tão descartável quanto a frase final dita por uma das personagens! Só faltou aquela piscadinha para o público pra enfatizar o que foi dito! E até o momento, o cachorro da história não foi encontrado! Infelizmente ele era o único com carisma aqui!

A Caverna está disponível na Netflix.

Will Weber
Geek Guia

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