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  03/05/2021 às 14h33

Vozes e Vultos


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Vozes e Vultos

Quando você assiste o de trailer de "Vozes e Vultos" percebe que temos uma velha e conhecida narrativa de casa mal-assombrada onde um casal começa a ser afetado por estranhas manifestações. Porém, a prévia lançada pelo serviço de Streaming nada mais é que um grande engano sobre a obra em questão, já que nenhum daqueles elementos apresentados e, principalmente, o tom do filme, correspondem com que foi mostrado na prévia!

Desta forma, "Vozes e Vultos" entra no catálogo da Netflix como mais um de seus filmes que desperdiçam o tempo do espectador e um elenco que até então, poderia entregar muito mais do que o raso roteiro pretende. E nessa tentativa emplacar um conceito sobrenatural dramático com base na arte, não há consistência, tão pouco os elementos de terror ou suspense!

George acaba de receber uma proposta de trabalho e junto de sua esposa, Catherine, se mudam para uma casa imponente no interior. Este seria um recomeço para ambos, mas o local possui um passado perturbador. Aos poucos, a jovem começa a descobrir o que ocorreu aos antigos moradores e assim dá início a uma série de manifestações no lugar, o que colocará sua vida em risco à medida que seu marido também demostra ter segredos sombrios.

Shari Springer Berman e Robert Pulcini comandam a produção que adapta o livro "All Things Cease to Appear" de Elizabeth Brundage e pelo visto, decidiram fazer uma mistura de gêneros sem o apego necessário para trabalhar cada um deles do jeito adequado! A produção escolhe começar com uma sequência que nos instiga a querer continuar dentro da história, já que as possibilidades da atmosfera pretendida de terror poderia realizar inúmeras situações interessantes. Mas nada disso acontece!

Quando chegamos ao novo cenário da família, os diretores optam em nos dar uma sensação de que o local possui diversos mistérios. Seja por conta da fotografia que enfatiza as sombras e a falta de luminosidade dentro da casa, ou pelo design de produção, que sabe como evocar a década de oitenta onde a história ocorre. Ao mesmo tempo, nenhum desses pontos sustenta a obra que procura trilhar um caminho entre películas que falam sobre casas mal assobradas e recheadas de enigmas. Logo, não encontramos nenhuma construção para que o clima amedrontador ganhe forma!

Pelo contrário, embarcamos em uma atmosfera dramática, pesarosa e nada interessante! É como se o conceito inicial fosse uma grande "DR" interiorana, mas que em algum momento, pensaram na ideia de terror e desta forma não conseguiram criar nenhum, nem outro!

Isso se dá pelo desperdício de um elenco que até se esforça, contudo não consegue se safar de atuações recheadas de canastrice e expressões de espanto nada convincentes. Este é o caso de Amanda Seyfried que surpreende de uma maneira negativa e nos faz questionar onde ela deixou o carisma durante a atuação. Já James Norton é o amadorismo em pessoa, pois nenhuma de suas cenas soam como se o personagem acreditasse em sua história. Por fim, Natalia Dyer, Rhea Seehorn e F. Murray Abraham são reduzidos a arcos previsíveis, sendo retirados da trama de forma abrupta!

E se esse filme possui um grande problema, ele está em seu roteiro! Claro, adaptações nunca serão completamente fiéis ao seu material original e existe ajustes realizados para fazer a narrativa ganhar a forma que se espera! Mesmo assim, aqui temos uma grande bagunça!

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Primeiro de tudo, não pense nesse como um filme de terror, pelo contrário, está mais para um drama com leves toques sobrenaturais sobre a vida de um casal em crise e de uma esposa presa num relacionamento abusivo. Ponto! Se a obra tivesse sido vendida dessa forma, certamente faria mais sentido, porém o marketing preferiu se apegar a um aspecto nulo em todo roteiro, o terror! Não há nenhuma construção para tal e em nenhum momento a narrativa caminha para um cenário de espanto! Temos apenas uma cena que nos remete a isso e acontece rapidamente, se perdendo por entre inúmeros arcos da história!

Tai arcos acontecem e não recebem o desfecho adequado ou simplesmente são ignorados, dando lugar a novos fatos! Temos o casal em crise, temos adultério, problemas de falsidade ideológica, fraude no trabalho, bulimia, perseguição religiosa, homicídio, tentativa de homicídio, violência doméstica, o passado da casa com os antigos moradores, o passado da casa com os primeiros moradores, e por fim, investigação policial!

Sim, tudo isso você encontra em "Vozes e Vultos", entretanto a maioria desses momentos não ganha desenvolvimento ou é relevante o suficiente para o clímax!

'Vozes e Vultos' desperdiça o tempo do espectador, o tempo dos atores em cena e não consegue ao menos seguir uma ideia até o final, de forma que a desenvolva de um jeito interessante e que chame a atenção de quem assiste. O resultado é um festival de tentativas de flerte com o terror, mas que nunca se concretizam, tornando então a produção completamente descartável!

Os problemas do filme estão em seu roteiro repleto de arcos e sub tramas que não se encerram e também na total falta de percepção por parte do serviço de streaming de que este não é um filme que irá assustar seus assinantes.

Ou seja, tudo nos leva a crer que a Netflix não assiste suas produções, nos fazendo de cobaias em frente a tela em mais de duas horas de exibição de algo que não é nada além de um grande "DR" em meio a espíritos, que poderia ser resolvida principalmente com uma bela sessão de terapia!

Vozes e Vultos está disponível na Netflix.

Will Weber
Geek Guia

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