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  26/04/2021 às 11h39

Upgrade


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Upgrade

Aprimoramento do corpo humano e a forma como lidamos com a tecnologia já se tornou tema de diferentes obras da cultura pop. Das questões de ampliação do uso do cérebro em Lucy, os exoesqueletos em Elysium, a droga que cedia poderes em Power e lógico, a mescla de ser vivo e máquina em Robocop, sempre surge uma narrativa onde o corpo humano consegue chegar ao estado pleno de controle, talentos e habilidades. Porém sempre há uma linha entre o controle do que é eletrônico sobre a pessoa e o quanto essa pessoa se torna dependente de tudo aquilo!

Assim, Upgrade chega na Netflix com uma história que mistura um ótimo suspense com o que se espera de uma trama inteligente de ficção científica. E ao passar por esses gêneros e entregar um visual cheio de personalidade em suas sequências de ação, encontramos na produção um bom exemplar que discute o velho embate entre homem e máquina!

Grey e sua esposa Asha vivem uma vida tranquila. E nesse futuro próximo, a tecnologia já tomou conta de todas as tarefas do dia a dia. Deste modo, quando o rapaz está retornando para casa ao lado da mulher, após um trabalho, acabam sofrendo um acidente. Mas tudo era parte de uma emboscada. Asha acaba morrendo e ele fica tetraplégico. Logo, um dos clientes do Grey surge com uma oferta. Algo que irá devolver a ele seus movimentos e até mesmo a oportunidade da vingança contra quem lhe causou tudo isso. Contudo, ao entrar em contato com uma tecnologia de ponta, fica dúvida de se realmente é Grey quem está no comando do seu corpo.

Leigh Whannell comanda a produção que poderia ser um excelente episódio de Black Mirror, mas com certeza supera e muito a série que já foi um dia um fenômeno. O diretor já é experiente no cenário do suspense e terror, já que carrega em seu currículo filmes como Jogos Mortais, Sobrenatural e o excelente, O Homem Invisível. E desta vez, ao abraçar a ficção científica e os toques distópicos, consegue estabelecer um futuro aceitável em sua narrativa, além de uma trama que captura a atenção do espectador desde o início.

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Deste modo a direção cria um clima de desconforto constante, apostando em cenários que entregam modernidade e uma frieza ao se olhar, muito ao estilo do que encontramos na última temporada de Westworld. Ao mesmo tempo, quando adentramosnas sequências de ação e combate, a câmera mescla entre uma visão em primeira pessoa e movimentos rápidos, com cortes segmentados, dando a sensação de mecanização de tudo aquilo. Junte isso, a planos longos que deixam ainda mais o suspense nas próximas ações do protagonista e que ao acontecerem, o diretor não economiza na dose de violência e sangue jorrando!

E tais elementos dão o tom preciso para tudo o que será mostrado, seja através de bons diálogos, interação dos personagens, um mistério que se torna consistente e cada vez mais complexo ao longo da trama. Tornando o protagonista adequado em sua condição física e ao mesmo tempo, assertivo quando seus movimentos passam a se tornar "robotizados". Levando a um embate interno, e externo, de homem contra máquina.

Apresentando então bons questionamentos que irão conduzir quem assistir até o clímax!

Grey é um protagonista tetraplégico e ao ser submetido a um experimento passa a ter seus movimentos de volta, mas conectados a inteligência artificial Stam, a qual consegue interligar as partes de seu corpo inertes com o cérebro. E assim, a falsa sensação de controle do rapaz o faz tomar as decisões e ações que irão conduzir o mistério principal da obra: Quem causou o ataque que tirou a vida de sua esposa e o deixou em uma cadeira de rodas?

Aos poucos a trama vai avançado no suspense e Grey começa a descobrir as possibilidades de ter Stam dentro de seu corpo, fazendo com que o texto chegue a outro ponto importante de discussão: a dependência do ser humano às tecnologias atuais. Desde o começo do filme essa ideia surge nas pequenas coisas, seja no fato de fazer uma comida ou dirigir um carro. Tudo nesse universo é realizado de forma automática, tornando então a condição do personagem principal uma espécie de metalinguagem dentro da própria narrativa!

Pois mesmo questionando sobre as pessoas estarem presas a algo digital, o seu estado atual, torna Grey exatamente igual.

Assim, chegamos a uma jornada por vingança e por mais os elementos do roteiro nos levam a entender como tudo ocorreu, há ainda espaço para uma revelação que estabelece ainda mais o conceito de estarmos presos em um mundo falso graças a suposta liberdade e autonomia que as máquinas nos dão!

'Upgrade' é um ótimo exemplar de ficção científica e suspense.

Além de apresentar sequências de ação cheias de personalidade, consegue envolver o espectador até o final, nos levando a questionar o quanto somos dependentes da tecnologia atualmente! E através de um jogo metalinguístico coloca o protagonista como um exemplo da suposta liberdade e autonomia que as facilitações das máquinas tem gerado para o ser humano!

Com isso, Leigh Whannell entrega mais uma ótima obra em sua carreira, repleta de criatividade e inventividade, percorrendo por diversos gêneros, sem perder o conceito principal de sua produção, por fim entregando a coesão exata para deixar o espectador diante da tela durante a exibição.

Ao final, analisando com calma podemos encontrar em nosso celular, computador e até mesmo espalhado por nossa casa aplicativos ou dispositivos que nos ajudam diariamente, com tarefas, compromissos, facilitando as ações. Desta forma, essas tecnologias aos poucos vão sabendo cada vez mais sobre o quem somos e o que fazemos, nos deixando completamente vulneráveis caso um dia passem a buscar o mesmo que nós: Viver plenamente!

Upgrade está disponível na Netflix!

Will Weber
Geek Guia

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