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  26/07/2021 às 13h26

Um Lugar Silencioso: Parte II


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Um Lugar Silencioso: Parte II

Catarse pode ser definida como uma liberação do que estava reprimido ou como uma sensação de alívio causada pela conquista sobre algum trauma ou sentimento. E talvez esse substantivo fosse a definição perfeita ao pensarmos nessa continuação que finalmente chega aos cinemas! Uma catarse silenciosa, intensa, profunda e repleta de uma sensação de perigo eminente que há muito tempo não se via na tela grande!

Desta forma, "Um Lugar Silencioso: Parte 2", estreia como uma das maiores produções deste ano. Atrasada por conta da pandemia do corona vírus, a obra já de cara se torna um daqueles espetáculos cinematográficos que merece ser assistido, sentido e vivenciado na sala de exibição. Sim, é sabido que muitos ainda estão hesitantes em ir, e possuem toda a razão, contudo, certos filmes foram feitos para essa experiência, pois em determinado momento a catarse dos personagens se torna a sua, junto ao silêncio, a apreensão e os sustos!

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A família Abbott agora precisa lidar um novo "mundo"! Sem o pai, Regan, Marcus, e sua mãe, Evelyn, precisam encontrar outro lugar para ficarem. E isso é segurança para eles e para o bebê recém-nascido. Quando conseguem escapar novamente de um ataque das criaturas que caçam pelo som, encontram Emmett, um velho amigo da família que está desacreditado de tudo. Assim, após um incidente envolvendo Marcus, Regan e Emmett se veem em uma missão para tentar salvar à todos com o aparelho auditivo da jovem. Ao mesmo tempo que Evelyn precisa manter os filhos vivos diante de novos ataques!

O primeiro filme de 2018 trouxe uma das experiências mais intensas do cinema nos últimos anos. Não há quem não fosse ao cinema assistir e ao sair não se sentisse em choque como todos os elementos nos conduzem de uma maneira profunda em todas as situações do filme. Sentimos as dores, ficamos em silêncio absoluto e trememos junto dos personagens ao passo que são confrontados pelas estranhas criaturas.

E agora, tudo isso se potencializa! O diretor escolhe nos mostrar o início, amarrando certos pontos apenas citados rapidamente durante o longa original. Não como uma obrigação de ser um filme de "origem", mas brincando com elementos já mostrados e construindo ainda mais a personalidade dos personagens já conhecidos.

Isso torna toda essa sequência ainda mais aterradora, pois ali, ninguém sabia como lidar com a situação, o jeito era correr, fugir e gritar, várias vezes! O que o tornaria um alvo fácil! E temos inúmeros alvos fáceis! Gerando sequências prontas para se tornarem clássicas do cinema de terror, como o momento num restaurante onde um telefone toca quando não devia ou o esforço de um policial amigo para enfrentar as ameaças!

E mesmo com toda essa explosão de voracidade em tela, a direção nos dá breves momentos de descanso! Seja em conversas brandas, quase que inaudíveis, seja com instante em torno de uma fogueira. Tais cenas parecem aqueles dois minutos logo depois que acordamos onde tudo parece não preocupar, mas em seguida as questões diárias surgem irrompendo os pensamentos. Deste jeito, John Krasinski entrega o temor que se move rapidamente, e com muita força, em direção da próxima vítima, com a câmera que consegue percorrer os ambientes, estar dentro de veículos em movimento, criando planos longos, nos dando uma visão ampla dos acontecimentos, potencializando a tensão, a ponto do espectador não soltar o braço da poltrona!

Este é literalmente um filme que serve para dar novos rumos a franquia e prepara o terreno para um desfecho ainda mais apoteótico! Dizem que o terceiro longa não terá foco na família em questão, mas pensando pelo lado comercial da coisa, e usando da velha frase que "em time que está ganhando não se mexe", soa até estranho o capítulo a seguir não dar a finalização para os eventos que acompanhamos. Enfim, isso é papo para outro momento!

O fato aqui é que não se trata de um filme "mais do mesmo", apesar de muitos apontarem desta forma, pois ao se tratar do universo apresentado, certas "regras" foram estabelecidas e não poderiam ser quebradas tão facilmente por conta de um artifício descoberto no final do primeiro longa. Resultado, ainda estamos dentro dos mesmos cenários de medo e os perigos agora são ainda maiores. De igual modo a um game, conforme você vai aprimorando seu personagem, as ameaças também crescem, fazendo com que seu esforço seja praticamente dobrado.

Neste caso, dividido por três! São três arcos que acompanhamos, acontecendo ao mesmo tempo, mas todos seguindo a mesma premissa importante, sobreviver! Dois deles estão ligados a sobrevivência como questão individual que precisa ser resolvida o quanto o antes, e se você acha que estar privado do som é algo ruim, ainda não viu nada! Já a outra, é uma jornada que certamente nos lembrará "The Last of Us", com direito ao encontro com sobreviventes hostis e um possível momento de paz! Contudo, a narrativa trata de nos levar novamente pela tensão eminente e que torna uma sala inteira de cinema um ambiente sem som algum dos espectadores!

Desta forma, "Um Lugar Silencioso: Parte " é um filme sobre empatia, sobre olhar pelo próximo e fazer algo para mudar isso. E nunca uma mensagem como essa soou tão importante nos dias atuais. Logo, quem dá vida e forma a tudo isso é Millicent Simmonds! A jovem atriz entrega uma performance emocional, forte, cativante, tornando os demais do elenco meros seres em órbita de sua presença. Fazendo o crescimento de Regan ser natural, profundo, nos levando a torcer por ela em todos os momentos!

Por isso, se há um momento quando respiramos aliviados é quando os créditos sobem, entretanto, a apreensão logo toma conta com relação ao futuro daquelas figuras que acompanhamos! E um filme que consegue proporcionar isso é uma excelente obra!

"Um Lugar Silencioso: Parte II" é a catarse de sentimentos e sentidos do ano nos cinemas! Até o momento, a melhor obra cinematográfica em 2021! Ao ampliar ainda mais o universo onde o som pode matar, as ameaças ganham novas proporções, e descobertas, o que prepara terreno para um final tão catártico, quanto os dois longas que já vimos! Sem dúvidas, uma experiência única, intensa e que merece ser vista em tela grande!

Logo, a direção consegue realizar um excelente trabalho novamente, passando até mesmo pelos terríveis erros de franquias que se sentem na necessidade de apresentar origens. Porém, ao fazer isso, John Krasinski conecta o que já conhecemos, expande a mitologia e prepara o caminho exato para o crescimento de cada personagem!

Intenso, profundo, arrebatador, capaz de deixar o espectador preso a poltrona durante toda a exibição! Usamos todas essas expressões para tentar exemplificar o que é esta obra! E talvez seja necessário mudar a definição da palavra que deu início a essa crítica. Além de toda explicação não seria exagero algum colocar uma foto do filme para completar o significado, ou usar a expressão máxima quando algo é tão incrível que merece atenção absoluta: Isso é cinema!

Um Lugar Silencioso: Parte II está em cartaz nos cinemas!

Will Weber
Geek Guia

 

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