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  13/02/2019 às 10h09

UFES: 5 servidores denunciados por assédio sexual contra alunas


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UFES: 5 servidores denunciados por assédio sexual contra alunas

Nos últimos dois anos, cinco estudantes da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) denunciaram professores e servidores por assédio sexual. Três casos já foram concluídos e dois estão na reta final da investigação. Nas denúncias, há casos de professores que abraçaram, colocaram a mão na perna da aluna e até falaram que estavam apaixonados.

Das três sindicâncias que já foram concluídas, duas envolveram professores. Os servidores tiveram como pena a suspensão de 15 a 30 dias, com corte dos salários. De acordo com o coordenador de procedimentos disciplinares do gabinete do reitor da Ufes, Gilberto Fachetti, as denúncias foram feitas diretamente com o coordenador do curso ou com diretor do Centro Acadêmico.

Nenhum caso foi registrado na Ouvidoria da Mulher, um canal criado em 2017 para receber denúncia de assédio dentro dos campi. Quatro casos ocorreram no campus de Goiabeiras e um em São Mateus.

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Segundo Fachetti, após a denúncia chegar ao coordenador ou diretor, foi aberta uma sindicância para investigar as denúncias. Depois disso, elas foram encaminhadas para a reitoria, para abertura de processo administrativo.

Na reitoria, a denúncia vai para a Comissão de Processo Administrativo, que analisa os fatos, constata se houve assédio e sugere uma punição. “As punições possíveis são: advertência, suspensão de até 90 dias e demissão”.

Fachetti explicou que os casos registrados de 2017 até agora não resultaram em demissões porque não foram tão graves. “Nos cinco casos constatou-se que houve um assédio, mas não foi considerado muito grave, não houve conjunção carnal, nem ato sexual, foi um assédio. Nenhum deles foi considerado estupro”, destacou.

De acordo com Fachetti, nas denúncias constam que um professor abraçou a estudante sem consentimento, outro fez um convite para jantar. Teve também assédio em forma de declaração de amor e universitária que reclamou que o professor tinha passado a mão na perna dela.

Fachetti explicou que é comum mulheres que se sentem assediadas ficarem caladas por medo. “Não estou afirmando que existam outros casos, mas pode haver casos em que as meninas se sintam assediadas, mas têm medo de denunciar. O que não significa dizer que haja assédios”, destacou.

Outros casos pelo país

Já uma reportagem do jornal Folha de São Paulo, publicada no domingo (10), revelou três casos de demissões de professores por assédio sexual em universidades federais no país. As demissões ocorreram no ano passado, após uma série de denúncias, na Universidade Federal Fluminense (UFF) e na Universidade Federal de Goiás (UFG). Na reportagem, o Ministério da Educação afirma que a apuração e punição de casos de assédio sexual devem ser feitos pelas próprias instituições federais.

Alunas criam página para denunciar assédios

O número de universitárias que sofre assédio dentro da Ufes pode ser bem maior. Em muitos casos, a estudante tem medo de denunciar e sofrer algum tipo de represália.

Pensando em dar voz para essas mulheres, estudantes de engenharia criaram uma página no Instagram para que os assédios sejam compartilhados entre as estudantes.

Frases como: “o professor disse que eu sou o tipo dele” e “me dá seu telefone” são alguns exemplos de assédios compartilhados pelas estudantes que têm as identidades preservadas.

Uma estudante de psicologia, que não terá o nome divulgado, sofreu assédio de um professor. “Estávamos em uma reunião de projeto, tinha um grupo de pessoas e já estávamos indo embora. Esse professor se sentiu no direito de me dar um abraço e um beijo no rosto, sendo que eu nunca dei esse tipo de intimidade para ele e nunca percebi esse comportamento com outros professores”, disse.

Ela não denunciou o caso por medo de ser prejudicada pelo professor no decorrer do curso. “Era uma situação muito delicada porque tinha uma relação institucional com esse professor. Eu fiquei com medo de ter alguma represália por parte dele”, contou.

A estudante de Engenharia Ambiental Izabel Perin é uma das criadoras da página ‘ouvinoct’. Com apenas cinco meses de existência, a página já recebeu mais de 70 depoimentos de assédio de professores e alunos da universidade.

De acordo com Izabel, a maioria das estudantes não faz a denúncia formal por medo. “Já tive colegas que foram denunciar e a queixa não foi a frente ou acabou vazando para o professor. Vamos continuar tendo aula com aquele professor ou aluno e como vamos ter a garantia de que ele não vai saber que denunciamos?”, questiona Izabel.

As denúncias também podem ser registradas na ouvidoria, que funciona no primeiro andar do Centro de Vivência da Ufes, no Campus de Goiabeiras, em Vitória. Os assédios também podem ser registrados pelo telefone 4009-2209, de 8h às 17 h. O chamado também pode ser aberto em todos os campi pelo WhatsApp (027 98809 0151), e-mail (ouvidoria@ufes.br) ou site (www.ouvidoria.ufes.br).

Depoimento

Estudante de psicologia, 21 anos

“Eu e outros estudantes estávamos em uma reunião de um projeto. Na hora de ir embora, esse professor se sentiu no direito de me dar um abraço e um beijo no rosto, sendo que eu nunca dei esse tipo de intimidade para ele e nunca percebi esse comportamento com outros professores.

Na hora eu fiquei em choque, não estava esperando aquilo. Acho que ele fez isso para forçar uma intimidade entre a gente. Depois disso eu parei de participar do projeto e comecei a evitar de encontrar com ele em outros espaços. Isso é algo comum entre as estudantes de psicologia, mas as estudantes têm medo de denunciar. Muitas amigas minha já passaram pela mesma situação”.

Por CBN Vitória
Link da matéria original: https://www.gazetaonline.com.br/cbn_vitoria/reportagens/2019/02/ufes-5-servidores-denunciados-por-assedio-sexual-contra-alunas-1014167871.html
 

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