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  05/04/2021 às 12h48

Twist


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Twist

Oliver Twist foi publicado pela primeira vez em 1838 e tornou Charles Dickens um dos grandes nomes da literatura! A história do menino órfão já ganhou diferentes adaptações ao longo dos anos, sejam em filmes como em outras formas de espetáculos, passando pelos quadrinhos também. Mas como pegar uma narrativa tão importante, e antiga, e transportar para um novo cenário alcançando um público que talvez nem saiba do que se trata?

É com esse desafio que 'Twist' chegou na plataforma da HBO GO, trazendo uma releitura do clássico com toques contemporâneos para conquistar espectadores mais jovens. Logo a produção acerta na escolha do protagonista e no contexto, porém nem tudo aqui é tão fascinante quanto a obra original, nos levando a entender que certos textos precisam de um esforço a mais para se tornar algo tão emblemático! 

Oliver Twist perdeu a mãe muito cedo, mas nunca esqueceu do que ela ensinou sobre criatividade e a paixão pela pintura. Agora, o jovem vive pelas ruas de Londres grafitando e fugindo da polícia pelos telhados. Até o momento que o grupo de Fagin, um experiente ladrão surge em seu caminho oferecendo a oportunidade de mudar de vida. Assim, Twist irá entrar um elaborado roubo e precisará muito de suas habilidades para cumprir o objetivo, e também fugir de Sikes, uma ladra tão experiente quanto cruel! 

Martin Owen é quem comanda a nova versão do livro clássico de 1838 e como o protagonista começa falando "Não tem cantoria, nem dança", pois aqui o texto se torna diferente para uma trama que explora mais a ação do que certos pontos que Dickens tornou relevante! Para isso, o diretor cria sequências criativas de fuga, mesclando a ação rápida da câmera com as técnicas de Parkour usada pelos atores, que na maioria das vezes executam de verdade os saltos.

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Tornando então a produção ágil em seus acontecimentos. Logo vamos conhecendo a gangue de Fagin, o envolvimento maior de Oliver com o plano do roubo e a vilã da história! E são nesses pontos também que o filme também começa a se perder!

O que parece promissor acaba se tornando uma história genérica que se tivesse qualquer outro personagem como principal, iria funcionar da mesma forma. Independentemente de ser Oliver Twist ou não! Isso faz com que tudo se torne previsível e completamente desconexo em muitos momentos. Por mais que o diretor empenhe um esforço, é impossível não notar a falta de emoção no desfecho ou uma perseguição mal editada que transforma a sequência em algo cômico. Totalmente contrário a situação proposta! Ou seja, sobra boa intenção dentro de uma execução mediana! 

E isso se faz presente no elenco. Rafferty Law (Filho do ator Jude Law) é esforçado ao dar vida a Twist e um dos mais dedicados em tela. Já Sophie Simnett e Rita Ora são vítimas de um texto que tenta, mas acaba por criar estereótipos conhecidos. Por fim, Michael Caine e Lena Headey são tão subaproveitados que nem em seu diálogo de negociação encontramos real intensidade para o que irá acontecer! Claro que grande parte desses equívocos acontecem por conta do roteiro! 

"Filme para fazer a unha"!
Conhece essa expressão? Vou explicar: É o tipo de filme que você colocar para assistir, mas tecnicamente não está em frente a tela. Deixando você fazer qualquer outra coisa ao mesmo tempo (A unha, um bolo, limpar um banheiro, a louça na pia) que a trama não irá entregar nada surpreendente, e quando retorna, consegue dar prosseguimento sem nenhum problema!

E justamente é que acontece em "Twist"! O que é quase um crime se compararmos à obra de origem! 

É entendível o toque moderno, com problemas atuais, com a dinâmica do jovem grafiteiro alternativo que vive pelas ruas, mas que sabe o que quer realmente. Ao mesmo tempo que seu desejo por um lar definitivo vai crescendo ao passo que vamos conhecendo Twist! Porém a trama não se aprofunda em nada disso. Do pouco temos, é a introdução que deixa claro a ligação do rapaz com a arte e depois num breve passeio pelo museu para estudar algo para o plano do roubo. E no mais, tudo é muito vago.

Assim como a relação de Fagin e Sikes, incluindo os demais do bando! Como já falado, diversos personagens sofrem com certos estereótipos de histórias assim e mesmo com a mudança assertiva com relação a gênero, o que dá uma dinâmica atual e representativa, novamente o texto não sabe o que fazer com a personalidade das figuras em tela! O que transforma tudo o que vemos num grande episódio piloto de série!

Algo que a HBO poderia cogitar pois material para isso existe e funcionaria muito mais.

'Twist' é uma esforçada e até criativa versão do texto clássico! Empenhada em entregar elementos que conversem com a atualidade e com um outro tipo de público, a produção consegue chegar em pontos interessantes, mas escorrega em não ser profunda em seus personagens, ao mesmo tempo que mais parece um grande episódio inicial de série!

A direção por mais que empregue um estilo único nas cenas de ação, não consegue sustentar isso nos momentos cruciais, deixando o final anticlimático, além de sofrer por um texto que não gera pontos de desenvolvimento das figuras apresentadas, deixando tudo muito vago e sem relação com quem assiste.

Ao final, esta é uma daquelas obras que irá passar despercebidas por muitos! Tão despercebida que poucos sabiam de sua estreia, dando a entender que alguém colocou no catálogo e foi fazer outra coisa! Talvez a unha! 

Twist está disponível na HBO GO.

Will Weber
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