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  14/10/2021 às 13h01

Tem Alguém na Sua Casa


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Tem Alguém na Sua Casa

Para quem ama filmes de terror, o gênero slasher, aquele com assassinos mascarados, perseguindo normalmente estudantes é um festival de clichês, e também das regras estabelecidas para que este tipo de produção venha funcionar. Desta forma, quando um ou outro cineasta consegue inserir novos elementos criativos, as coisas ganham uma proporção ainda melhor, contudo, o bom e velho método jamais perde seu senso de divertimento.

Dito isso, 'Tem Alguém na Sua Casa' chegou na Netflix trazendo um conceito interessante, uma ideia que mescla com diversos subtextos atuais, além de referenciar clássicos do terror, porém acaba se perdendo dentro da própria construção. Pois ao trabalhar os segredos alheios, a produção esquece que não pode deixar algo em oculto: A capacidade de entretenimento que obras deste gênero carregam.

Makani e seus amigos começam a ver os seus colegas de escola terem seus segredos mais sombrios sendo expostos, ao mesmo tempo que são perseguidos por um serial killer que utiliza máscaras iguais aos rostos de suas vítimas. O jeito agora é trazer tudo o que está guardado à tona, antes que o assassino faça uma próxima vítima. Porém, o que eles não sabem é que o perigo pode estar mais próximo do que imaginam!

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Patrick Brice é quem comanda a produção baseada no livro homônimo de Stephanie Perkins lançado em 2017. E como tal, a direção toma liberdade para criar uma atmosfera interessante desde o começo a obra, contudo, não consegue sustentar o senso de perigo que estabelece em meio a um turbilhão de momentos dramáticos e excessivos!

Apesar disso, a direção sabe como deve realizar a película. A sequência de abertura é interessante e agrega os elementos conhecidos. Temos um personagem sozinho em casa, uma situação de perigo, telefones que não funcionam, impossibilidade de fuga, um momento de ápice ao encontrar pontos que o farão enfrentar o assassino e enfim, a morte!

Toda esta cena lembra muito o que 'Pânico' realizou de maneira magistral e se tivesse seguido a mesma intensidade, talvez tivéssemos aqui um novo clássico. Já que as perseguições são bem coreografadas e todo design do vilão é criativo ao usar em sua máscara o rosto de quem irá matar! Logo, o diretor também faz bem o seu trabalho quando a trama começa a crescer e as peças são dispostas neste "tabuleiro de slasher", sendo que toda cena da igreja também é entregue de maneira visceral e com personalidade!

Entretanto, toda essa aura de terror adolescente acaba sendo esquecida quando sai de cena os elementos do gênero para a abraçar os dramas constantes sobre os segredos da protagonista. Perde-se mais de 40 minutos de tela em uma cena no milharal para revelar pontos que a gente já havia entendido, além de nos mostrar o local do clímax do filme. Clímax esse que é realizado com energia baixa, como se ao chegar ali todos estivessem cansados e pedissem "por favor" ao assassino para se revelar. E praticamente é isso que acontece.

Tal escolha se dá ao lugar utilizado também, onde não se tem muitas opções de perseguição, principalmente por estar pegando fogo. E este excesso de acontecimentos acaba roubando toda a carga que tal instante precisa para um slasher: A revelação deve acontecer de maneira catártica, a protagonista (ou o protagonista) precisa enfrentar o maníaco por igual e o essencial, eles sempre voltam para um último susto!

Assim, a produção começa sabendo o que fazer, adentra um campo interessante no segundo ato, perde o rumo no drama e termina de maneira anticlimática.


Ultimamente há uma repetição excessiva no texto de produção com temáticas adolescentes, pois todos têm segredos. E atrelado a isso, temos a exposição nas redes sociais. Em algumas histórias, o resultado é o "cancelamento" imediato, em outras, a morte. Por isso, 'Tem Alguém na Sua Casa' poderia ter ido além ao usar o segundo ponto, mas escolhe focar em algo que não estamos interessados.

Ok, é necessário construir a personagem principal, entender suas motivações e o porquê de certos traumas. Ao mesmo tempo, conhecermos mais das pessoas que o cercam, apesar de todos serem unilaterais. O garoto problemático é só problemático, o menino nerd é nerd e só fala sobre a Nasa, a militante é militante apenas, e o rapaz estranho é estranho. Sem contar o jogador de futebol que está lá sendo o jogador de futebol. Realmente a única a possuir camadas mais interessantes é a protagonista.

Talvez este seja o maior problema do filme, a construção de uma história paralela que ocupa um tempo em tela que não queremos. Se estamos vendo um slasher, os elementos precisam estar presentes, sem haver uma troca brusca de terror/suspense para drama colegial. Entretanto o filme quando entende o que está realizando dá o espectador o divertimento de boas perseguições e situações de perigo.

‘Tem alguém na Sua Casa' possui uma premissa interessante e ideias que funcionariam se o filme não ficasse apegado ao drama e esquecesse o essencial de sua proposta: o terror! E apesar da boa sequência inicial e das perseguições inventivas, este poderia ter sido um exemplar de slasher muito melhor se não passasse o tempo em tela indo e voltando em elementos que tornam o desfecho anticlimático, e distante do que se esperava.

Ao mesmo tempo, levar tão a sério tudo o corre aqui é perder também o entretenimento que ele reserva. E mesmo que de modo pontual, se torna divertido acompanhar o grupo de adolescentes, ainda que não consigam expressar mais do que um traço em sua personalidade.

No fim das contas, o saldo fica zerado, nem sobrando, nem devendo. E talvez esse seja o pior resultado, pois ao trabalhar o conhecido gênero dos assassinos mascarados, as produções não podem esquecer, tão pouco deixar em segredo algo: A capacidade de entretenimento que estas obras carregam!

‘Tem alguém na Sua Casa' está disponível na Netflix!

Will Weber
Geek Guia 

 

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