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  09/12/2019 às 15h54

Super Dica de Cinema: As Golpistas


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Super Dica de Cinema: As Golpistas

Em 2008 os Estados Unidos entrou e uma das suas maiores crises econômicas.

Empresas fecharam, grandes magnatas fugiram em meio caos deixando suas equipes sem dinheiro e sem emprego. Uma verdadeira catástrofe financeira.

Situações da época já foram representadas no cinema, como em As Loucuras de Dick e Jane, com Jim Carrey ou A Grande Aposta, filme de Adam McKay, mas faltava um ponto de vista importante para isso tudo. Uma história contada, escrita e dirigida por mulheres! Então, em meio aos problemas causados por uma recessão que parecia não ter fim, um grupo de strippers começa a traçar novos rumos para sair de toda a bagunça causada pelos homens de gravata! Ou seja, mulheres sempre tem uma maneira de vencer as burrices masculinas!

Destiny(Costance Wu) se apresenta todas as noites em uma boate, porém nada daquilo está dando realmente certo. Logo ela conhece Ramona (Jennifer Lopez), uma veterana da noite que a ensina como ganhar dinheiro através de suas apresentações para os homens que lá vão. Porém, quando a crise financeira atinge o país elas partem para uma nova forma de lucrar e isso envolve dar grandes golpes nos empresários de Wall Street.

Lorene Scafaria (Procura-se um amigo para o fim do mundo) escreve e dirige o longa que adapta o artigo “The Hustlers at Scores”, de Jessica Pressler, publicado na New York Magazine, que mais tarde também virou livro. De uma maneira um tanto quanto didática, mas não enfadonha, a diretora conta sua história apresentando todos os fatos que levaram ao grupo de mulheres aplicarem os golpes. A escolha de uma câmera que cria um sentimento subjetivo deixa toda a experiência ainda mais próxima das emoções que percorre cada personagem.

Sejam os olhares de preocupação, de medo e até mesmo os momentos de comemoração, tudo se torna uma exibição de fatos que foram não só inspirados na realidade.

Logo, Lorene escolhe se apoiar na força de suas protagonistas fazendo com que a câmera acompanhe a forma como elas devolvem os acontecimentos em forma de falas, reações e dos movimentos corporais. Como se trata de um filme que tem seu início em uma boate de striptease, as performances ganham um tom mais polido, dramático e eroticamente dominado pela presença feminina, sem a necessidade da sexualização pelo simples fato de atrair um público masculino se apoiando em coisas como, colocar uma das atrizes na banheira para explicar um contexto importante. Explicações existem, mas a diretora deixa para que suas atrizes carreguem a história, costurem os fatos e deem o desfecho por elas estabelecido em tela.

O roteiro então dá voz a um grupo de mulheres que sofreram diretamente as consequências de uma das maiores recessões nos Estados Unidos. Antes, rainhas da noite, dominavam os palcos, as cabines, pouco depois estavam oferecendo sexo oral por alguns trocados que serviriam para tentar pagar as contas do mês.

Nisso o plano ganha forma, tirar daqueles que realmente causaram todo esse estrago no país, da maneira que eles mais gostam: Pensando que estão no comando!

O texto entrega o poder nas mãos das protagonistas, fazendo com que cada personagem, através de sua razão particular, crie camadas necessárias para continuar executando os golpes com maestria. Assim, o ar ingênuo se torna sagaz, o tom de voz doce ganha forma encorpada e as expressões angelicais recebem feições de coragem! É uma história que até podemos conhecer pela forma como se desenvolve e justamente por isso que nos faz gerar toda empatia necessária por cada membro do grupo de golpistas, que é liderado por Ramona, interpretado de maneira brilhante por Jennifer Lopez. Sua presença mistura a postura de chefe da máfia, com a inteligência de uma Miranda Priestly e uma sensualidade desconcertante para ir da alegria a tristeza, da comédia a preocupação em poucos segundos. Contudo é Constace Wu quem captura a produção para si, principalmente do segundo para o terceiro ato. A história se torna Destiny e ela faz com que a narrativa apenas orbite através de cada uma de suas ações, quebrando completamente a postura ora inocente que sua personagem aparentava, tornando-se ao lado se sua principal parceira de cena, Lopez, fortes candidatas as premiações futuras do cinema.

As Golpistas expressam todo o charme de um bom golpe, tornando a história de Robin Hood um tanto quanto real. Mas desta vez são as mulheres que lançam as flechas.

Com uma direção que consegue trazer um ritmo explicativo para sua história, criando boas sequências com uma câmera subjetiva, a produção se torna um retrato de um período turbulento mais próximo do que realmente ocorreu com aqueles que foram afetados pela crise financeira americana.

Se os homens de terno e gravata ainda pensam que comandam o mundo, do alto de suas torres, em meio a telefonemas e bebidas, esta é a prova que um império pode cair a qualquer momento.

E não é preciso de advogados, contratos ou negociações, só basta ir onde todos eles são mais fracos: Na carteira e no ego!

Não necessariamente nesta ordem quando a dança começar!

Will Weber
Geek Guia
 

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