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  06/01/2020 às 12h12

Super Dica de Cinema | O Farol


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Super Dica de Cinema | O Farol

A loucura humana pode atingir níveis incompreensíveis!

A história da sociedade já comprova essa afirmativa e logicamente isso já foi transposto para as artes, sejam elas visuais, escritas ou sonoras. O cinema por sua vez já demonstrou um pouco do quanto as atitudes insanas podem colocar em questionamento aquilo que está sendo assistido e não é diferente desta vez. Robert Eggers apresenta um filme que mergulha em inúmeras vertentes, literárias e da sétima arte, para nos apresentar uma história sobre convívio, loucura e as relações de poder que são estabelecidas na vida. Ao mesmo tempo eleva seu trabalho técnico para provocar, confundir e perturbar a cada nova cena.
E você, quer ver o que tem no farol?

Ephraim Winslow (Robert Pattinson) é contratado como ajudante do velho Thomas Wake (Willem Dafoe) que é responsável por um farol em uma ilha isolada de tudo. Conforme os dias passam e ambos vão convivendo, o jovem começa a notar estranhas atitudes se seu superior, principalmente, o impedindo de subir até o farol. Logo o ambiente se torna cada vez mais perturbador e hostil, levando o relacionamento dos dois ao limite da sanidade.

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Robert Eggers (A Bruxa) comanda a produção que possui um forte apelo para as grandes premiações de 2020!

Se em seu longa anterior o diretor utilizou os elementos para criar uma atmosfera onde o medo ia se construindo de uma maneira quase que silenciosa, aqui tudo se torna desconfortável graças aos recursos sonoros empregados. Sons do mar, das gaivotas, chuva, água nas pedras, o barulho das máquinas que fazem o farol funcionar, tudo é uma ferramenta para que o espectador se encontre num turbilhão de barulhos agoniantes. Ao mesmo tempo, com uma fotografia e edição que remete aos filmes dos anos 1920 e 1930, principalmente partindo das referências ao Expressionismo Alemão, o preto e branco do filme realizam um trabalho poético-assustador que vai se mesclando a escuridão e a luminosidade, ao contrário do que se poderia pensar, os ambientes sem luz se tornam mais acolhedores e convidativos, já onde tudo se pode ver, normalmente somos entregues a cenas estranhas, grotescas e nada convencionais.

Nesse jogo imagético, Eggers evoca o que de melhor existe dentro de obras literárias para confundir, criar situações e dar a produção um ritmo misterioso que vai passando de maneira sútil até o clímax desconcertante. Tudo isso, sem precisar apelar para quaisquer sustos baratos!

O roteiro por sua vez parece ter saído direto de um dos textos de H.P Lovecraft! Principalmente ao se tratar da loucura humana diante daquilo que é desconhecido.
Para isso, em todo tempo é estabelecida uma relação de poder, onde o velho responsável impede qualquer contato do outro com aquele local, o forçando a realizar tarefas cada vez mais desumanas, distantes, isoladas e assim uma curiosidade insana vai sendo desenvolvida colocando em questionamento as identidades, as vontades, as ações, relevando passado e pensamentos para o futuro.

Logo, os elementos místicos tomam conta, figuras fantásticas surgem, assumem formas, porém sem os exageros que poderiam tornar tudo caricato. Aqui, cada uma dessas aparições faz parte da loucura que está totalmente atrelada ao brilho do farol, um brilho que atrai, que precisa de alguma forma ser descoberto. Mas o que fazer para chegar até lá?

Assim as atitudes do ser humano são postas em cena, revelando uma parte da personalidade alheia que ninguém gostaria de ver, completando então a trindade de sentimentos e ações estabelecidos desde o início da película: convívio, loucura e as relações de poder!

A narrativa então assume todos os aspectos subjetivos possíveis, deixando muitas vezes para o espectador sua livre interpretação do que é real ou não, de quem está certo ou não, do que há na luz que tanto se almeja.

O Farol é uma obra pautada na loucura humana, na curiosidade e suas consequências em relação a quem está a nossa volta.

Com direção que utiliza dos elementos técnicos através do som e da fotografia para criar uma atmosfera aterradora e ao mesmo tempo isolada, torna a experiência individual para cada um que assistir. Não há uma certeza dos fatos e nem se pode atestar que tudo o que ocorre é um fruto da insanidade diante do desconhecido.
O que se pode afirmar ao final é que independente do que está a volta, qual o perigo for, seja ele na luz ou nas trevas, o ser humano ainda é mais assustador que qualquer lenda, conto ou entidade desconhecida.

Will Weber
Geek Guia

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