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  23/07/2021 às 14h53

Rua do Medo: 1666


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Rua do Medo: 1666

Dentro do gênero de terror existe uma regra não escrita sobre trilogias: Normalmente, o primeiro filme é o melhor, o segundo é apenas mais do mesmo exagerado e sem sentido, e por fim, a terceira parte procura repetir a fórmula do primeiro, até conseguindo êxito! Porém, outra regra não escrita existe e diz que, se possível, não faça trilogias! E fugindo completamente dessas máximas das produções de horror a Netflix entregou o final de "Rua do Medo", fazendo o que não era esperado!

"Rua do Medo: 1666" chega ao catálogo da "locadora vermelha" sendo tão violento quanto seu antecessor e trazendo as explicações que foram tomando conta das teorias dos assinantes ao longo dessas três semanas. O resultado é satisfatório, carregado de referências a outras obras do gênero e consegue utilizar todos os mecanismos a seu favor, mostrando as possibilidades de se criar uma boa história nas três partes! E isso não costuma ser dito por aqui, mas parabéns Netflix!

Quando Deena coloca as mãos sobre os ossos de Sarah Fier é automaticamente levada até 1666, vivenciando os acontecimentos que levaram a jovem bruxa ser morta. Porém, conforme os fatos da época vão se desenrolando, a maldição se mostra não ser o que por anos veem sido contada para os habitantes de Shadyside. Logo, Deena deverá revelar a verdade e matar a única pessoa que ainda propaga o mal que assola a cidade, mas isso, colocará a sua vida, de seu irmão, e de sua amada Sam, em perigo novamente!

Leigh Janiak é uma diretora que foi ganhando força ao longo dos três filmes da franquia! E aqui, por já nos ter mostrado sua capacidade de realizar um verdadeiro "banho de sangue visual" anteriormente, vai construindo e descontruindo a história da maldição da bruxa usando de elementos sobrenaturais e pautado no Folk Horror (Subgênero que se apoia em elementos de cidades do interior, do campo e em seu folclore para causar medo).

Deste modo, ao apresentar a figura central da trama, sua escolha é transitar com a personagem pelo vilarejo da cidade que estava sendo colonizada. Vamos reconhecendo rostos, figuras, ao mesmo tempo que a atmosfera nos indica que algo não está certo. E logo, essa construção vai ganhando uma proporção visceral e chocante. Desde o momento em que uma porca come seus filhotes até a sequência na igreja da cidade.

Tal momento indica que neste ponto da história abraçamos o sobrenatural de vez para refletir diretamente no natural. Pois o momento em que vemos o pastor com os olhos perfurados e diversas crianças mortas por ele da mesma forma, este capítulo de "Rua do Medo" demonstra que não está apenas ali para servir de explicação. Há muito ainda para deixar o espectador boquiaberto antes do plot twist que a trama carrega!

Se formos analisar a história, sabemos que inúmeras pessoas, principalmente mulheres, foram enforcadas, queimadas, afogadas em rios, torturadas, entre outras formas de violência, durante anos ao longo de sociedades sendo estabelecidas. Onde qualquer comportamento considerado pecaminoso, vulgar, lascivo ou que não se encaixasse aos padrões da moral e dos bons costumes, seria automaticamente uma ação vinda do inferno (Parece que vivemos o mesmo período atualmente). E neste ponto, "Rua do Medo: 1666", nos leva a entender que toda história possui dois lados a serem contados.

Logo, a produção trata de mostrar todos os acontecimentos que levaram a Sarah Fier a amaldiçoar o local e o porquê de sua presença ser sentida até hoje. E na divisão entre a história do passado e dos acontecimentos que estamos acompanhando em 1994, a narrativa acerta novamente em seu formato. Não se prendendo apenas em um grande flashback, mas preocupada em fazer do seu desfecho, algo tão impactante quanto.

E consegue, lógico com um toque aventureiro novamente que dá ainda mais charme a tudo o que ocorre. Assim, o grande plano acontece em tela e as revelações ganham a proporção adequada para os momentos de terror visual, com direito a uma sequência que deixaria "Freddy Vs Jason" com inveja! Sim, os motivos e a real essência da maldição que persegue Shadyside surge, demonstrando então que há sempre uma busca por poder, mesmo que seja necessário invocar um mal gigantesco, ainda que para isso, a figura feminina receba todas as punições e uma fama tão assustadora, quanto os crimes que pairam sobre a cidade da trama!

"Rua do Medo: 1666" entrega em sua última parte uma mistura de gêneros do terror de maneira assertiva, competente, e como não dizer, divertida para quem ama histórias como esta. Ao transitar pelas referências e ir aumentando a atmosfera de tensão no decorrer da trama, a trilogia da Netflix ganha um desfecho revelador, executado com personalidade, para nos fazer compreender que as raízes de uma maldição permeiam inúmeras motivações. Sendo a principal, causar medo!

Desta forma, Leigh Janiak consegue o feito de trazer ao público uma ótima saga de terror dentro de uma plataforma de streaming fadada por suas obras sem relevância ou criatividade. O que nos faz querer saber por onde a diretora irá transitar a seguir!

Ao final, se Shadyside levou anos para entender de onde vieram os seus horrores, mas para nós espectadores foram apenas três sensacionais sextas-feiras e o que nos remete a algo muito importante, por se tratar de uma "rua do medo" é preciso lembrar que toda rua possui muito mais do que três números. Há sempre muitas casas, e em cada uma delas, uma história diferente a ser contada! Deixemos aqui este pensamento!

"Rua do Medo: 1666" está disponível na Netflix!

Will Weber
Geek Guia

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