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  25/09/2020 às 13h06

Remédio Amargo


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Remédio Amargo

Um dos grandes males de qualquer convívio com outra pessoa é o relacionamento abusivo. Uma pessoa se sente proprietária da outra, fazendo, dizendo e manipulando situações, justamente para que o seu, ou sua, companheiro, ou companheira, acabe por vivenciar constantes maus-tratos verbais, até mesmo físicos! Dentro desse cenário, a produção espanhola Remédio Amargo, da Netflix, utiliza dos pontos principais do comportamento abusivo para elevar os acontecimentos num thriller psicológico e de suspense, apesar de certas incoerências, ainda assim a narrativa sabe como evidenciar questões bem reais!

Ángel é um paramédico que possui um comportamento possessivo em relação a sua namorada, Vane. Ele quer muito ter um filho e apesar das tentativas, o casal ainda não conseguiu. Certo dia, durante um resgate das vítimas de um acidente, a ambulância em que Ángel trabalha acaba sendo atingida por outro veículo e nisso, o rapaz fica paraplégico. Logo, em uma cadeira de rodas, ele começa a vivenciar o mundo de um jeito cheio de dificuldades, ao mesmo tempo que desenvolve uma constante desconfiança acerca da namorada e isso o fará cometer terríveis atos contra aquela que diz amar!

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Carles Torras é que dirige a produção espanhola criando uma atmosfera de tensão bem executada! O diretor sabe como usar os espaços do apartamento onde ocorrem as principais cenas, deixando o espaço cada vez menor e menos acessível. Criando uma sensação de perigo em qualquer momento. Para isso, vão sendo entregues pequenas pistas de como o protagonista age, fala e se comporta com sua companheira, demonstrando assim que ao chegar ao auge do descontrole, já existiam traços para isso acontecer.

Desta forma, cenas como a de um jantar "romântico" após o acidente de Ángel e até mesmo os momentos em que Vane o ajuda, se tornam desconfortáveis e sempre com aquela sensação de que algo pior está por vir. Obviamente, acontece. E o jogo de cena é interessante! Há momentos em que encontramos o melhor do gênero do suspense e outras tão sádicas quanto qualquer obra de terror que aborde algo semelhante! Lógico, esses pontos se devem muito ao elenco!

Mario Casas, conhecido de produções como O Bar e A Casa, entrega uma atuação cheia de detalhes tanto corporais quanto na forma de falar, olhar e até mesmo sorrir. O personagem certamente já se encontra entre os mais detestáveis do cinema, mesmo em condições limitantes, torna-se impossível não sentir aversão por suas ações! Já Déborah François infelizmente não consegue acompanhar seu colega de cena, deixando para os minutos finais seu melhor desempenho, o que reserva ao espectador um momento e tanto!

O texto de Remédio Amargo nos revela um pouco mais desse tipo de relacionamento que pode acontecer com qualquer pessoa. Desde o começo é perceptível o quanto Ángel deseja controlar Vane, seja através de perguntas ou do sexo que fazem. O protagonista impõe constantemente o que quer, fazendo com que a namorada fique a mercê de suas escolhas e vontades.

Assim, o ponto de ruptura acontece com o acidente que deixa o rapaz na cadeira de rodas. Sua nova condição exige cuidados e ajuda, porém seu comportamento em relação a Vane somente piora o levando a vigilância e desconfiança extremas. Deste modo, Ángel vai ganhando traços cada vez mais psicóticos, perseguindo, observando, arquitetando situações para então ter a sua "amada" por completo!

O roteiro escolhe ampliar ainda mais as maldades do personagem principal, principalmente pela facilidade de conseguir certas informações e ferramentas, entretanto há inúmeras incoerências e até um certo tom de irresponsabilidade presente na narrativa. Quando Ángel começa a colocar seu plano em prática, algumas pessoas em seu caminho acabam sendo alvo por tabela, gerando até mesmo um encontro com policiais, que dura menos de cinco minutos e não passa credibilidade, além de certas sequências se tornarem difíceis de acreditar por conta das condições físicas do personagem.

Junte isso a um jeito um tanto quanto maldoso ao tratar pessoas que se encontram portadoras de necessidades em relação a sua condição motora, dando a entender várias vezes que o fato de o protagonista estar em uma cadeira de rodas o fez ainda mais ruim para com os outros! E mesmo que sútil, fazer esse tipo de associação é um tanto quanto preconceituosa!

Remédio Amargo é um suspense interessante que acerta ao tocar nos extremos dos relacionamentos abusivos e do quanto pessoas conseguem criar uma atmosfera de controle sob outras de maneira agressiva. Ao mesmo tempo, o roteiro se perde em certas incoerências em relação as condições do protagonista, apresentando situações um tanto quanto absurdas.

Com uma direção bem executada e que sabe como aproveitar o melhor do seu ator principal, o comando entregar sequências desconfortáveis e ao mesmo tempo repletas de tensão que farão o espectador ficar atento a tudo o corre durante a produção, até mesmo criando a total antipatia para com o Ángel.

Por fim, em meio a tantas situações complicadas somos presenteados com um desfecho para lá de satisfatório, mas pensando bem, do modo como as coisas ficaram, o tom é agridoce! Logo, deixarei que vocês tirem suas conclusões!

Remédio Amargo está disponível na Netflix!

Will Weber
Geek Guia

 

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