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  14/03/2022 às 10h10

Red: Crescer é uma Fera


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Red: Crescer é uma Fera

A relação entre familiares já foi retratada de diferentes formas. Da troca de corpos em 'Sexta-Feira Muito Louca', até as dificuldades de uma família muito grande e intrometida como em 'Casamento Grego'! E cada uma dessas apresentava uma interessante relação de suas protagonistas com a figura materna diretamente. Sejam os conflitos, sejam o apoio, havia sempre uma lição a ser aprendida e um obstáculo a ser vencido na narrativa. E nada distante disso, a animação da vez também nos leva por uma jornada onde o que carregamos de herança talvez não seja nada agradável quando se está crescendo.

Desta forma, 'Red: Crescer é uma Fera' chegou ao Disney+ como a mais nova obra da Pixar, abordando o amadurecimento e as dificuldades das relações em família. E nesta narrativa onde orgulho, honra e o desejo de ser quem é ganham destaque, somos conduzidos por diferentes referências visuais e musicais, tornando essa uma daquelas produções que sabe trabalhar humor e emoção de maneira competente. Sem contar o toque nostálgico de sua narrativa!

Mei Lee, está crescendo e no auge de seus 13 anos se sentem independente. Até sua mãe chamar para suas tarefas diárias. Contudo, a adolescente, ao lado de suas amigas, quer muito ver a apresentação da banda 4Town que está chegando na cidade. E o que poderia ser o seu grande momento, acaba em desastre, quando após passar por um momento vergonhoso causado pela mãe, Mei Lee se transforma em um Panda-Vermelho gigante. Assim, a menina deverá lidar com sua nova condição, e emoções, até que um ritual seja feito justamente na noite do show mais esperado de sua vida!

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Dirigido por Domee Shi a nova produção da Pixar consegue carregar o selo da produtora de maneira assertiva e cheia de personalidade. Totalmente mergulhada nas referências da cultura pop oriental, como os mangás e animes, a obra é uma grande celebração da cultura chinesa, ao mesmo tempo que evoca com precisão o início dos anos 2000.

As boy bands, os tamagochis, as tecnologias que começam a surgir, tudo isso é retratado de maneira fiel, além do comportamento das pessoas na época. Adolescentes preocupados com suas popularidades e paixões não correspondidas, pais querendo que os filhos demonstrem uma perfeição constante, e a música representando uma geração que está trilhando novos caminhos para se conectar! Cada um desses elementos é aproveitado de um jeito dinâmico no decorrer do longa.

Junte isso ao colorido da fotografia com o design dos personagens que consegue emular as expressões dos animes, e a fluidez nas movimentações, que vão desde os momentos como humana e panda de Mei Lee, e dos demais. Novamente, a Pixar entrega uma obra com elevado trabalho técnico!

A única coisa que diverge no decorrer da história talvez seja o ritmo lá pelos 40 minutos da animação, em que as coisas parecem que já ocorreram por completo, mas aí existe um novo elemento a ser inserido, e a trama ganha um ritmo acelerado, com novas informações que parecem ter sido jogadas de maneira abrupta. O que nos faz perceber que ainda faltava um bom tempo para o filme acabar, nos levando a questionar, o que mais poderia acontecer?! Acontece, funciona, porém poderia ter sido com maior dinamismo. O mesmo dinamismo usado nos primeiros atos do longa!

As escolhas das profissões, os relacionamentos amorosos, as dificuldades da vida, tudo isso, em algum momento vai passar pela família. E isso inclui comentários de parentes indesejados, até a super-proteção de quem nos ama, mas acaba demonstrando um apego excessivo em algo que precisamos aprender.

Mei Lee quer agradar sua mãe, mas acaba vivendo de maneiras diferentes. É uma com as amigas e outra diante dos pais, tudo para não causar nenhum desapontamento. E quando passa a se transformar no panda-vermelho a narrativa se encarrega de tratar de pontos como ansiedade, síndrome do impostor, a vontade desenfreada de gerar orgulho em quem convive conosco e os relacionamentos abusivos que podem se fazer presentes dentro da própria família.

Desta forma, a protagonista passa entender o seu local, o que quer realmente e acima de tudo, que é possível honrar suas tradições, ancestrais, sem jogar uma parte importante de si fora. Algo que ajuda a compreender suas capacidades e auxiliar a conquistar o lugar que tanto sonhou no mundo. Já que está é uma narrativa que em que filhas e mães entendem os seus papéis. No ambiente micro como sua casa, quanto na sociedade que os cerca e espera determinados comportamentos.

E tais lições são embaladas por músicas quem nem os Backstreet Boys seriam tão bons em cantar!

'Red: Crescer é uma Fera' aborda o crescimento de maneira divertida e emocionante. Tocando em pontos como o orgulho familiar, honra, ansiedade e o desejo de ser quem é. Logo, somos conduzidos por diferentes referências visuais e musicais da cultura pop, tornando essa uma daquelas produções que sabe trabalhar os sentimentos dos personagens de maneira competente. Sem contar o toque nostálgico de sua narrativa!

Ao final, Mei Lee representa os conflitos que todos nós já passamos algum dia para encontrar o nosso lugar no mundo. E esta aproximação nos faz entender que as monstruosidades do processo de amadurecer podem ser vencidas de alguma forma. Seja estando mais próximo da família, isso inclui aquela que criamos, seja com uma boa balada pop!

'Red: Crescer é uma Fera' está disponível no Disney Plus.

P.S: O filme tem uma rápida cena pós-créditos!

Will Weber
Geek Guia

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