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  01/03/2021 às 8h24

Pelé


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Pelé

Todo garoto brasileiro que sonha em ser jogador de futebol tem alguém a se espelhar, seja as estrelas da atualidade como Messi, Cristiano Ronaldo, Neymar – seja os recém aposentados como Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Zidane. Enfim, a grande discussão, pelo menos aqui na América do Sul é quem foi o melhor de todos os tempos: Maradona ou Pelé?

Para conhecermos um pouco mais do brasileiro, a Netflix traz o documentário “Pelé”, mostrando um pouco mais da lenda dos campos que tanto ouvimos falar. E Será que realmente entrega o que promete?

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Um dos maiores traumas esportivos na história do Brasil certamente foi perder a final da Copa do Mundo no Maracanã para o Uruguai de virada. Isso deixou marcas no Pelé também, uma vez que foi uma das poucas vezes que viu seu pai chorar. No momento de tristeza ele fez uma promessa: “fica triste não, pai, vou ganhar uma copa do mundo”.
E quem diria que aquele menino iria conquistar logo três mundiais não é mesmo?

O filme foca bem nas conquistas de Pelé pela seleção. Tanto nas conquistas dos mundiais de 1958 e 1962 como as decepções, sobretudo em 1966 quando o atual campeão saiu na primeira fase em que o Rei pouco jogou já que era “caçado em campo”. A ideia era não jogar mais pela seleção e se dedicar aos Santos, mas havia uma ditadura no meio do caminho – e com pressão (ou não) – Pelé aceitou a espécie de “uma dança” com a camisa amarelinha: O mundial de 1970.

Para muitos, aquela é a melhor seleção de todos os tempos e contava com outras estrelas do nosso futebol como Carlos Alberto, Rivelino, Tostão, Jairzinho e Gérson. Vencido o mundial e tendo encantado o mundo novamente, agora sim Pelé teve um final de trajetória digno.
Outro ponto bem legal do documentário é falar sobre o milésimo gol do Rei em 1969, no Maracanã.

Um dos melhores pontos a citar são os convidados.
Jornalistas como Juca Kfouri e José Trajano trazem com brilho nos olhos lembranças ao verem Pelé em campo; melhor que isso, o documentário também entrevista ex-jogadores como Zagallo e Rivellino e ex-companheiros de Santos.
Pegando o gancho, acho que o filme fala muito pouco da carreira de Pelé no Santos. O foco é extremo na seleção brasileira, ou seja, nada de muito novo para quem é amante do futebol. Gostaria muito de saber como era a vida daquele time do Santos, as excursões no interior do estado, os jogos contra times europeus e por aí vai (quem sabe em outro documentário, não é mesmo?).

Outro ponto importante do documentário é quando citado o lado político.
Pelé nunca foi muito de dar sua opinião sobre os temas mundiais e polêmicos desde sempre pelo visto. Imagino o quanto o melhor jogador de todos os tempos poderia influenciar o mundo se posicionasse mais vezes sobre o racismo, por exemplo. O melhor de todos é negro e não passa uma mensagem sobre isso?
Bem, no longa, focado no seu posicionamento na época da ditadura ele se defende dizendo que “fez o que podia dando alegria ao povo”.
É importante ver Pelé confrontando seu passado neste quesito.

Logo, o filme poderia focar um pouco mais na vida extra campo do astro, uma vez que querendo ou não, os brasileiros o conhecem dentro das quatro linhas do gramado. Mas quem foi Pelé fora de campo? Um bom pai? Uma pessoa romântica? O que ele gostava de fazer no seu tempo livre?

O filme às vezes demonstra que é mais para estrangeiro ver e apreciar. Inclusive, em alguns trechos há narração de gols e momentos em inglês e assim eu me pergunto: ou nossos jornalistas realmente não estavam em loco naqueles jogos ou é mais uma medida de aproximar o produto Netflix de outros países? (Fico com esta segunda opção)

Um ponto mal executado na edição do longa foram também os gols que foram mostrados!
Plasticamente, alguns são bem bonitos, mas ao mesmo tempo nos fazem questionar: “nossa, naquela época era tão fácil assim?” Em um mundo que ou você gosta de um ou outro, um documentário como este pode questionar se “Pelé era isso tudo mesmo” ou se ele jogaria hoje em dia em um mundo bipolarizado em prêmios individuais entre o português Cristiano Ronaldo e o argentino Lionel Messi.

Logo, documentários sobre esportistas sempre chamam atenção, ainda mais quando eles ainda estão vivos durante a produção e não como homenagem póstuma.

O filme é ótimo, porém poderia ser melhor explorado, sobretudo se fosse voltado para conhecermos quem realmente foi Pelé fora de campo com mais imagens inéditas, por exemplo. Digamos, que temos uma obra para “estrangeiro” ver e se deliciar. Ainda assim, gostando de futebol ou não, dê uma chance!
E Digamos que até o Chaves vai gostar deste documentário!

“Pelé” está disponível na Netflix

Will Weber
Geek Guia

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