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  31/10/2020 às 11h30

Os Novos Mutantes


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Os Novos Mutantes

Podemos dizer que o universo dos mutantes representa a base da cultura geek/pop, afinal, antes de serem super-heróis detentores de poderes incríveis, eles são seres humanos incomuns. Explorando as histórias de vida fora das lutas e embates contra os vilões malignos, existem também as origens de cada mutante, carregando muitas vezes um passado sombrio com cada um. Para mostrar a escuridão dessas origens o 20thCentury Studios trouxe o tão controverso filme 'Os Novos Mutantes'.

Dani Moonstar (Blu Hunt) abre o filme escapando de uma grande força maligna que mata seu pai e a deixa inconsciente levando-a a acordar na cama de um hospital onde a Dra. Cecilia Reyes (Alice Braga) lhe dá a notícia de que a garota é uma mutante. No local que mais parece um reformatório de jovens mutantes problemáticos, Dani encontra Samuel Guthrie (Charlie Heaton) que é capaz de entrar em chamas e voar por todos os lados, Illyana Rasputin (Anya Taylor-Joy) uma mutante russa capaz de invocar forças sobrenaturais e se teletransportar, Roberto da Costa (Henry Zaga) o mutante brasileiro que se mostra ser bem misterioso no começo do filme, mas logo demonstra seu poder de manipular a energia solar, e Rhane Sinclair (Maisie Williams) que é capaz de se transformar em um lobo.

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Todos os integrantes desse reformatório carregam consigo um passado cheio de traumas consequente de seus poderes incontroláveis.

Sam causou o desabamento da mina que levou a morte de seu pai e todos os outros que trabalhavam lá, Roberto matou sua namorada queimada, Rahne fugiu do vilarejo onde morava na Escócia após ser perseguida por ser considerada uma bruxa e Illyana foi assombrada por sua infância onde era explorada.

Em sessões de terapia em grupo, os jovens começam a compartilhar seus temores e anseios, e em meio a essas conversas começamos a conhecer um pouco mais de cada um embora de forma geral os personagens são dominados por uma certa superficialidade e falta de identidade. Existe uma grande demora no filme em apresentar o ponto chave do roteiro já que em quase uma hora de duração (de um total de uma hora e meia de filme) o enredo se prende aos dramas pessoais deixando o espectador ansioso por algo grandioso e das cenas cheias de efeitos especiais com superpoderes que quase não aparecem.

Sendo proposto como uma trama de terror e suspense, a produção de fato entrega esse conteúdo embora não se prenda tanto a isso. Numa espécie de Bicho Papão movido a gatilhos, o terror fica por conta de um dos grandes poderes de Dani que é invocar forças malignas que se manifestam na forma do pior medo da pessoa que o enfrenta. No meio desse show de pavores os jovens começam a ter crises psicóticas ao enfrentar esse grande vilão, o que leva a Dra Reyes a descobrir que Dani é uma grande ameaça para o grupo e é então ordenada por seus superiores a eliminar a jovem.

Numa corrida para entender e lidar com os superpoderes de Dani os personagens fazem um esforço para mostrar um pouco mais de si e as cenas de descontração que poderiam ser uma quebra no enredo engessado acabam por ser substituídas por dramas que não se desenvolvem. Podemos dizer que o romance de Dani e Rhane dá um toque fofinho ao filme, já que a afinidade das duas é bem linda e acabam por levar o grupo a lutar pela vida de Dani ao ajuda-la a controlar seu poder.

Ao final, o filme faz um paralelo dos poderes de Dani e as grandes forças internas que a jovem tem com a velha parábola dos índios Cherokees, de que somos habitados por dois lobos que representam a dualidade do ser humano, um bom e um ruim e que ambos vivem num embate porém o que vence e se sobressai é aquele que alimentamos.

Apesar de ter criado tantas expectativas com um trailer instigante e cheio de mistério o filme em seu todo lembra um episódio de uma série de enredo confuso que geralmente dura uma ou duas temporadas. Os diálogos são bem clichês e parecem ter saído de alguma produção colegial da Netflix, só que aqui os personagens ficam perdidos numa confusão de um terror com desdobramentos cômicos incoerentes.

Os Novos Mutantes é sem dúvida a produção mais fraca e superficial do antigo Fox Studios, sendo considerado uma história do universo X-Men, deixa os fãs da franquia ainda mais desapontados ao apresentar uma produção com personagens nada marcantes, um roteiro raso e poucas cenas de superpoderes (que é o que faz a gente amar nossos X-Men). A gente torce para que a Disney, nova detentora dos estúdios, consiga trazer de volta a grandiosidade da melhor franquia de mutantes que existe e vem “respirando por aparelhos” desde o desastroso X-Men: Fênix Negra.

Os Novos Mutantes está em cartaz nos cinemas!

Will Weber
Geek Guia

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