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  22/10/2020 às 18h29

Os 7 de Chicago


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Os 7 de Chicago

Os 7 de Chicago, novo filme da Netflix, conta parte da história, mais precisamente no final da década de 60, para falar justamente sobre a liberdade de expressão. Tal atitude atualmente está se tornando cada vez mais beneficiária do conservadorismo, do que realmente fazendo o seu papel dentro da liberdade em si. E na história onde manifestantes foram acusados de algo que nem mesmo poderia ser usado como instrumento de julgamento, a história se repete! De maneira trágica, nós sabemos!

Abbie Hoffman, Jerry Rubin, David Dellinger, Tom Hayden, Rennie Davis, John Froines, Bobby Seale e Lee Weiner foram acusados pelo governo dos Estados Unidos de conspiração e incitação a revolta relacionadas a protestos contra a Guerra do Vietnã ocorridos em Chicago, durante a Convenção Nacional Democrata de 1968. A película então relata os acontecimentos durante o julgamento e o que ocasionou tais acusações.

Aaron Sorkin é quem dirige a produção e assina o roteiro, trazendo então um clássico filme de tribunal que segue as fórmulas de outras obras do gênero. As reviravoltas esperadas e inesperadas, os momentos de tensão, os depoimentos que sempre possuem uma brecha para algo importante ou para estabelecer o antagonismo necessário para convencer o espectador, as provas que vão surgindo, as ideias da defesa para conseguir e lógico, o famoso momento onde a música cresce, as pessoas ficam em pé aplaudindo enquanto o juiz pede "silêncio"!

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Não há nada de novo aqui em sua estrutura, tão pouco na direção de Sorkin, contudo é justamente nisso que está o atrativo do filme. Esse resgate do que já foi visto antes com essa temática torna a trama ainda mais cativante, prendendo nossa atenção do começo ao fim. Nisso, o diretor também utiliza do flashback e da montagem para intercalar os acontecimentos das manifestações com momentos de diálogo dando maior intensidade, o que finaliza a conquista do público para a história dos acusados.

Logo, o elenco formando por Sacha Baron Cohen (O melhor em cena), Eddie Redmayne (Que finalmente conseguiu mostrar algo a mais como ator), Joseph Gordon-Levitt (Insuportavelmente insosso), Yahya Abdul-Mateen II (Esse infelizmente mal aproveitado), Michael Keaton, Frank Langella, John Carroll Lynch, Mark Rylance (Sensacional, como sempre), Alex Sharp e Jeremy Strong, são conduzidos de maneira exímia, tornando este um projeto de "atuações", ainda que nem todas tenha o seu devido instante, o roteiro se encarrega de ajudar os intérpretes ao mesmo que estes o fazem crescer no decorrer da película!

Se os protestos no final da década de 60 que estavam indo contra a um dos movimentos bélicos mais desumanos que existiram resultou em um julgamento a partir de "achismos" e de um total combate a liberdade de expressão, quem dirá se ocorressem atualmente!? E talvez esta seja a principal discussão e questionamento apresentado através do texto de Os 7 de Chicago!

Oito pessoas, sendo uma julgada à parte do decorrer do processo, se tornam alvo de maquinações e verdadeiros "bodes expiatórios" de uma política que não gostava de ser questionada, muito menos, que as pessoas fossem levadas a um pensamento que colocasse as suas atitudes em dúvida.

E se pararmos para pensar, não é o que ocorre atualmente? Líderes que defendem um discurso segregador, conservador, se armam de acusações contra aqueles que simplesmente levantam a voz contra o descaso, o preconceito e as ações políticas voltadas apenas para uma determinada parte da população. Não é à toa que encontramos falas contrárias aos movimentos feminista, das causas da LGBTQIA+ e do movimento negro! Justamente com a intenção de silenciar tais ações.

Por isso, a narrativa do longa nos mostra o quanto os governos se articulam, organizam e manipulam situações a sua volta. Ameaçam, comprometem e censuram àqueles que por alguma razão demonstraram contrariedade às suas atitudes. Novamente, nada de novo com que encontramos em 2020!

Os 7 de Chicago é uma produção que traz uma sensação atual de que a nossa liberdade de expressão, quando usada em contraponto à governos opressores, se torna cada vez mais utópica, ao mesmo tempo que entrega fatos importantes que não podem ser ignorados e devem ser um exemplo de que às vezes vivemos em um ciclo histórico que se repete.

Ao apresentar uma direção que trabalha na zona de conforto das obras com temática de tribunais, a película ainda assim consegue cativar o espectador e o atrair até os minutos finais, principalmente por conta do elenco que entrega atuações convincentes dentro de um roteiro que mescla os acontecimentos de maneira dinâmica.

Deste modo, é triste analisar que por mais que a sociedade se desenvolva, cresça e amplie seus conhecimentos, haverá sempre os que irão se levantar para impor o silêncio de quem enxerga além do que lhe é entregue. Ontem foram oito homens acusados, hoje é uma atleta censurada, em ambas as histórias sempre há um fato a ser atacado pelo conservadorismo e autoritarismo: a liberdade! E infelizmente quanto a isso, irão sempre encontrar "argumentos"!

Os 7 de Chicago está disponível na Netflix!

Will Weber
Geek Guia

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