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  18/01/2021 às 11h38

O Mensageiro do Último Dia


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O Mensageiro do Último Dia

Diz a lenda que janeiro e fevereiro são os meses das piores estreias do cinema. Por mais que no Brasil seja uma época de férias, muitas produções duvidosas ocupam as salas de cinema tentando fazer alguns trocados que talvez não tenha conseguido no seu mercado alvo! E assim somos acometidos por obras que certamente jamais estariam em nossa lista de opções para assistir!

Assim, 'O Mensageiro do Último Dia' chega aos cinemas nacionais após quase 4 anos de sua produção e isso é sentido constantemente ao longo de mais de duas horas de película. O que poderia ser uma nova história aos moldes de 'It: A Coisa', se torna uma adaptação rasa, sem profundidade e muito menos sem o elemento principal, o terror!  E sobram situações desnecessárias, falta de carisma e uma lenda repetida tantas vezes, mas que na verdade somente alguns conhecem, o que acaba totalmente com a sinopse divulgada pela campanha de marketing!

Em uma cidade do interior dos Estados Unidos um grupo de adolescente desaparece misteriosamente. Logo, um ex-policial decide investigar por conta própria esses casos tão estranhos, já que a filha de uma amiga está entre os jovens que sumiram. Mas o que poderia ser um caso fácil de ser resolvido, o leva a uma estranha lenda conhecida como "O mensageiro do último dia" e a um grupo de religiosos que acreditam nessa entidade, podendo ser a resposta para os desparecimentos.

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David Prior é quem dirige e também assina o roteiro da produção que adapta a graphic novel da Boom! Studios. É importante ressaltar que esta é uma das produções que sofreu com a compra da Fox pela Disney. As filmagens aconteceram em 2017, sendo programado para lançamento em 2018, porém isso não aconteceu. Assim como o famigerado "Os Novos Mutantes'! Desta forma, o que nos é entregue é quase que uma versão bruta do filme, repleta de discrepâncias e uma narrativa nada coesa.

Por mais que o diretor tente criar situações que evoquem a atmosfera de terror, nada disso consegue se encaixar ao longo de sua narrativa! Com uma sequência inicial que dura pouco mais de 20 minutos, é perceptível que a obra não faz bom uso de nenhum dos elementos do cinema de terror ao seu favor.

Às vezes a câmera percorre os ambientes lentamente e você espera que algo surja ou ao menos tenhamos um vislumbre da entidade em questão, mas não, nada ocorre, nem sequer aquele famoso susto proposital com a música mais alta. E se é possível dizer, a trilha sonora é completamente desregulada. O som aumenta e diminui de uma maneira nada sincronizada! Em alguns momentos se sobrepondo as falas dos atores, o que demonstra mais uma vez a falta de pós-produção. Tais erros também são encontrados nos efeitos visuais, que do pouco que são usados não demonstram qualquer veracidade ou são empregados com assertividade.

Nessa mistura de conceitos mal empregados dificilmente encontramos uma razão para que essa adaptação realmente chegasse aos cinemas!

É complicado analisar uma obra que tem um material original publicado! Pois é impossível fazer comparações sem ter lido o escrito que serviu de base, por isso, vamos nos limitar apenas ao que foi colocado em tela através do roteiro de 'O Mensageiro do Último Dia'! Mesmo que isso não possua nenhuma profundidade.

Desde o começo do filme, entendemos que existe essa tal lenda do "Mensageiro" (O Empty Man no original), um ser que é invocado em circunstâncias específicas ao estilo da "Loira do Banheiro" e lógico, como toda lenda urbana, há consequências terríveis para quem o chamar! Até aí tudo bem, porém nesse momento é que as coisas passam a deixar de fazer qualquer sentido e começam a abraçar o que tiver dentro do cinema de terror, mesmo que realizadas de maneira desleixada.

Ora a trama quer se tornar um filme "slasher", nos dando a ideia de que podemos ter um suspeito "humano" realizando tudo aquilo. Em seguida, temos um arco sobre uma espécie de culto de adoradores do "Mensageiro", que logo se apodera de elementos do horror cósmico, mas sem querer soltar a mão das nuances de "história que o povo conta"!
Ou seja, nesse esforço de ser tudo, nada é!

Ao final, essa grande bagunça não encontra um tom adequado, o clima correto, tão pouco as ideias que poderiam ajudar a fazer deste um filme que causasse um pouco de medo no espectador. O resultado é mais uma cansativa jornada com personagens que ninguém se importa contra um "monstro" que mais parece um híbrido de "Alien" com "Cthulhu". Sendo sincero, essa comparação pode ser considerada ofensa para as obras desses dois seres da cultura pop!

'O Mensageiro do Último Dia' é um exemplar do que não se deve fazer em uma adaptação, de igual modo, serve como modelo do descaso e da falta de comprometimento de certos estúdios com relação às obras que estão sendo feitas. E nessa demonstração de "abandono criativo", o que resta é uma película cansativa, incoerente e mal finalizada!

Nem direção, nem elenco, tão pouco o restante da equipe técnica, merecem ser alvos do escárnio, principalmente se colocarmos em pauta as mudanças de data e a falta de apreço dos produtores de fecharem a narrativa com assertividade. Ainda assim, faltou firmeza no comando e escolhas que demonstrassem um pouco de personalidade no filme!

Desta forma, não há o que salvar aqui! E se há uma última mensagem nesse dia é a de "adeus 20th Century Fox", do pior jeito possível!

O Mensageiro do Último Dia está em cartaz nos cinemas!

IMPORTANTE: O Geek Guia orienta o leitor que deseja ir aos cinemas de sua cidade que siga todos os protocolos de segurança necessários, além da utilização de máscaras dentro do estabelecimento. Porém, se possível, fique em casa!
 

Will Weber
Geek Guia

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