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  21/04/2020 às 10h20

O Legado nos Ossos


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O Legado nos Ossos

A "Trilogia do Baztán" é uma série de livros de mistério onde temos a presença da Inspetora Salazar tentando resolver casos cada vez mais complexos e em alguns momentos a envolvem profundamente nas questões que precisam de resposta.

O primeiro filme (com base no primeiro livro), O Guardião Invisível, passou quase despercebido na Netflix, agora, com O Legado nos Ossos, o serviço de Streaming parece investir mais nessa história, já que vamos adentrar um cenário cada vez mais sobrenatural e isso com certeza instiga a curiosidade do espectador pelo que vai acontecer com a protagonista. Talvez seja por isso que dizem que há mais coisas entre o céu e a terra do que pode imaginar nossa vã filosofia!

Ou a melhor das investigações!

Amaia Salazar é uma investigadora que já desvendou casos quase que impossíveis, mas desta vez tudo está próximo demais de sua vida. Depois que um criminoso é morto pouco antes de seu julgamento, uma série de assassinatos envolvendo sempre a inscrição "Tarttalo" surgem, colocando a agente em um mistério que envolverá religião, o passado de um lugar e a sua própria família.

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Fernando González Molina retorna à direção deste que é o segundo filme da trilogia baseada nos livros de Dolores Redondo (O terceiro filme tinha estreia marcada para 27 de abril na Espanha).

Por isso, até mesmo para continuar este texto, caso tenha interesse (E seria muito importante), recomendamos que assista 'O Guardião Invisível', a primeira produção da saga da inspetora Amaia.

Dito isso, a obra em questão carrega muito do material original, trazendo praticamente todos os elementos presentes, tornando o trabalho de direção um pouco entroncado e até mesmo confuso. Ainda que seja uma obra de suspense e investigação, o excesso de elementos ao redor do arco principal faz com que o ritmo fique lento, que as coisas demorem a acontecer, beirando até mesmo o enfadonho. E quando finalmente ganhamos mais informações e temos situações interessantes, a película vai se aproximando do seu final, sem contar as pouquíssimas cenas de ação ou de tensão, que poderiam dar um tom muito melhor a obra. Desta forma, quando pensamos que o diretor irá entregar algo que nos faça cativos a sua história, mais informações novas surgem. Algo que funcionaria numa estrutura de série, porém em um filme demonstra uma falta de edição mais apurada!

O que consegue fazer dessa uma obra interessante, são as atuações, encabeçadas por Marta Etura, que reprisa o papel como a inspetora, indo do drama às emoções mais densas, com um controle cênico sem erros, fazendo com que os demais acompanhem suas reações.

Se por um lado existe uma dedicação em adaptar fielmente o livro homônimo que dá base para tudo acontecer, por outro, o roteiro não consegue em momento algum estabelecer uma verdadeira atmosfera de suspense em seus acontecimentos (em parte há um peso muito grande da direção também).

Ao passo que vamos adentrando ainda mais a vida de Amaia e sua família, as relações do passado, os conflitos existentes naquela região e até mesmo as intenções de religiosos sobre tudo o que está acontecendo, a narrativa abre inúmera lacunas, deixando-as de lado e dedicando-se apenas a responder uma única questão em seu clímax. Tal desfecho parece ser mal escrito e jogado de forma rápida para o público, o que dá a sensação de "era só isso" diante do todo que foi construído ao longo dos mais de 120 minutos de produção.

De igual modo, as respostas que tanto irão instigar a trama como um todo acabam se perdendo, sem contar personagens que surgem e desaparecem da forma como bem entendem, além de elementos que são jogados em falas, contudo não são explorados ou não aparentam ter qualquer relevância. Logo, nessa estrutura de construção de suspense o que falta são justamente os pontos que poderiam causar apreensão e por isso, fica um pensamento: Filmes que adaptam fielmente o material original, sem corte algum, atendem a um apelo do público, mas parece que aqui transformou uma possível narrativa, cativante par quem gosta de mistérios, num amontado de fatos e personagens sem qualquer tipo de justificativa!

O Legado nos Ossos, o segundo filme da Trilogia Baztán, entrega uma tentativa de suspense carregada de situações, arcos e personagens, que não consegue amarrar todas as pontas soltas do seu roteiro, deixando o ritmo lento e tedioso diversas vezes.
Com uma direção dedicada em apresentar mais da obra base, perde-se tempo em mostrar detalhes que não contribuem com a trama e ao chegarmos no clímax tudo é tão apressado que pouco acrescenta a história que está sendo realmente contada.

A Literatura e o Cinema sempre entram em conflito com relação ao jeito que as narrativas estão sendo contadas. Mudanças, adaptações, alterações ocorrem justamente para modificar, através da mídia proposta, acontecimentos que deixem tudo mais dinâmico e fluido. E talvez tanto diretor quanto roteirista tenha esquecido disso aqui.

Will Weber
Geek Guia

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