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  11/08/2021 às 18h32

O Esquadrão Suicida


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O Esquadrão Suicida

Quando a produção inicia e Johnny Cash adentra a trilha sonora, um certo frio na espinha correu pelo meu corpo! Essa estética de música misturada com sequências de ação desordenadas se tornou uma mania agridoce nos últimos anos do cinema. E para aqueles que não lembram, o outro esquadrão de vilões suicidas de 2016, que também trazia sua própria mistura de canções famosas fora de contexto para nos fazer tentar embarcar numa história que nem a melhor das trilhas poderia salvar, torna o medo eminente quando isso ocorre. Porém, em 2021, o contexto é completamente diferente!

Logo, 'O Esquadrão Suicida' chega aos cinemas fazendo mais do que ser um filme para apagar de uma vez por todas a produção fracassada anterior com o mesmo título. A nova obra da DC se coloca como uma grande aventura onde o surto, a violência, o humor escrachado e as referências ao vasto universo dos quadrinhos andam de maneira alinhada e competente. Garantindo não apenas a diversão, mas construindo os personagens de uma maneira que surpreende o espectador que se entrega as risadas e aos absurdos facilmente. James Gunn, o senhor conseguiu!

Amanda Waller reuniu os piores dos bandidos e vilões para uma missão arriscada: adentrar Corto Maltese e destruir um projeto que poderá colocar diversas vidas em perigo. Assim, junto do coronel Rick Flag, Arlequina, Sanguinário, Caça-Ratos 2, o Pacificador, Bolinha, Rei Tubarão e outros, o Esquadrão Suicida se vê numa trama que envolve muito mais do que lhes foi dito e os riscos se tornam ainda maiores quando a principal ameaça não é do nosso planeta!

James Gunn (Guardiões da Galáxia) é a escolha mais assertiva da DC nos últimos tempos para estar no comando deste filme! Sabemos que o diretor consegue estabelecer histórias que vão além do convencional, mas o nível de "descompensação" faz total sentido com a construção narrativa e com as sequências apresentadas!

Toda cena de introdução é realizada para deixar duas coisas bem claras: O Esquadrão Suicida sempre existiu e o que vimos antes não precisa ser lembrando ou tão pouco demanda explicações extensas para o público. Em duas linhas de diálogo, Gunn contextualiza tudo o que você deve saber sobre o que é o programa da "Força Tarefa X", quem é Amanda Waller, para quem ela trabalha, quais os benefícios de um vilão ao se envolver em tudo isso e o que acontece quando as ordens não são seguidas! Rapidamente tudo isso se desenrola e somos jogados em meio a ação.

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E ação é o que não falta! A sequência na praia é visceral, violenta, com os elementos que evocam filmes de guerra que deixa tudo assustadoramente divertido. Ao mesmo tempo, quando o Esquadrão adentra o local onde precisam resgatar um dos membros da equipe, eleva a sanguinolência em tela, algo que certamente o diretor não conseguiria realizar em outro estúdio também com obras sobre quadrinhos. Desta forma, James Gunn dá a cada uma das figuras apresentadas ótimos momentos, não apenas para suas habilidades, para o desenvolvimento de seus conflitos, personalidades, e até mesmo fobias.

Nisso o trunfo da direção é mostrar cada um deles sem precisar encaixar outro personagem conhecido ou usar um herói apenas para fazer referências descabidas. Através das atuações e da liberdade em cena, vamos entendendo como os personagens se comportam, reagem e traçam embates entre si. E sem perder o tempo para piadas ou comentários maldosos!

Isso faz com que a expectativas sejam completamente modificadas também ao passo que a película se desenrola! Quem você espera que alguém ganhe destaque, ele está lá pontualmente, mas ainda tendo sentido em sua aparição. E quem você menos poderia pensar como um destaque, se faz tão importante como uma persona salvadora no fim das contas. Ou seja, nesse jogo se subversão até mesmo dentro dos aspectos de vilania, este Esquadrão Suicida se trata de uma das melhores obras do gênero dos quadrinhos na sétima arte e da DC Comics nos últimos anos, pois entende suas origens das páginas, atrela o descontrole e faz desta uma jornada plausível, coesa e competente!

Dosar uma boa aventura, as referências das obras originais e comédia não é uma tarefa tão simples. Das duas, uma: podemos assistir um filme carregado de uma fórmula já conhecida, onde nada é novo, tomado de uma previsibilidade quase que automatizada. Ou encontrar as nuances exatas para dar a oportunidade que cada personagem precisa para crescer mediante a trama e entregar momentos em que o público se convence que a narrativa está sendo desenvolvida do jeito certo!

Neste caso, ficamos com o segundo ponto!

Já foi falado que o inesperado acontece e ao passo que as peças começam a se encaixar dentro da história, as situações em que aprendemos do porquê de cada personagem ser do jeito que é vão acontecendo de maneira fluida, sem enrolações e sem a presença de diálogos que só servem para pautar frases de efeito que ficam bonitas nos trailers. E como algumas dessas figuras não precisam de "história de origem" ou do Batman aparecendo para prender ninguém, novamente, com criatividade, inteligência e dinamismo, tais pontos são explicados em conversas breves, mas carregadas da dramaticidade necessária!

Por isso, sobra espaço para que Arlequina entregue uma das melhores fugas em meio a pancadaria, para que o Pacificador explique o conceito de ir em busca da paz pela violência, da Caça-Ratos 2 demonstrar toda a despreocupação dos jovens e ao mesmo tempo sentimentos, e do Sanguinário ser muito mais interessante do que qualquer outro pistoleiro!

Assim, o roteiro também assinado por James Gunn, evoca o universo DC sem a obrigatoriedade de citar acontecimentos, heróis ou outras entidades. Está tudo ali, implícito, entretanto, em nada iria contribuir se ficassem um tempo citando de que combatente do crime é cada uma das figuras vilanescas. O foco está na missão, entrar em um país que sofreu um golpe militar, descobrir que experiências estão sendo feitas no local e tentar sair vivos. Não há raio de energia mágica cortando o céu, não há discurso motivacional de astro de Hollywood ou a tentativa de construir uma "família"! São indivíduos lunáticos com um trabalho sujo a ser feito! E que bom que história se trata apenas disso!

E quando menos esperamos, a linguagem em tela entrega uma homenagem aos leitores dos quadrinhos! Com mais referências? Não apenas isso, só que ao brincar com os subtítulos que encontramos nas páginas, esse recurso nos mostra onde nos encontramos naquele momento, quais serão os próximos passos e contextualiza de maneira exímia, a loucura em forma de longa-metragem!

'O Esquadrão Suicida' é o maior acerto da DC Comics nos últimos tempos! Toda visceralidade, humor escrachado e descontrolado, figuras bizarras e a estética vinda dos quadrinhos diretamente, tornam este num clássico espontâneo, regado a muito sangue, ação e absurdos. Logo, deixamos de lado o que aconteceu em 2016, para recebermos em definitivo o que é um grupo de vilões tentando fazer algo que não seja assaltar bancos ou derrotas heróis. E aqui, James Gunn consegue mostrar que todo seu panteão alucinado é tão bom, se não melhor, quanto os mocinhos e mocinhas de capa!

Desta forma, costumamos dizer que a DC possui uma trindade, formada por Superman, Batman e Mulher-Maravilha nos quadrinhos e depois deste filme, ousamos afirmar que agora nos cinemas, essa relação "triuna" da casa da Liga da Justiça passa ser conhecida por: 'Batman - O Cavaleiro das Trevas' de Christopher Nolan, 'Liga da Justiça' de Zack Snyder e 'O Esquadrão Suicida' de James Gunn!

Uma experiência surtada, visceral, engraçada, do jeito que a gente não sabia que precisava e que se torna icônica!

'O Esquadrão Suicida' está em cartaz nos cinemas! Importante: Há duas cenas pós-créditos! 

Will Weber
Geek Guia

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