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  05/10/2021 às 10h28

Ninguém Sai Vivo


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Ninguém Sai Vivo

Existe quase uma máxima em certos serviços de streaming e na Netflix encontramos um quase que imutável: As produções originais de terror da locadora vermelha não são bons. Obviamente alguns conseguem se sobressair, mas a maioria amarga o esquecimento devido a trama inconsistente, sustos fáceis e o baixo orçamento nítido a cada nova cena! E tudo isso se torna ainda mais evidente quando a obra procura transitar por um terreno que nem todo cineasta sabe realizar!

Desta forma, 'Ninguém Sai Vivo' chega na Netflix indo na leva do "terror social", onde tramas macabras se unem a uma crítica sobre algo que está relacionado ao dia a dia, ao comportamento e à cultura que nos cerca. Contudo, a produção procura abordar elementos demais, dentro de uma mitologia interessante, só que de maneira rasa e sem profundidade, a história fica apenas na promessa de ser algo cativante! Não que este seja um filme ruim, mas está longe do esperado!

Ambar é uma imigrante que chega aos Estados Unidos tentando continuar a vida que sonhava ter com sua mãe. Após conseguir um trabalho, a jovem aluga um quarto numa pensão, localizada numa antiga casa da cidade. Porém, coisas estranhas começam a acontecer e visões estranhas passam a deixar Ambar ainda mais assustada. Logo a jovem decide deixar o local, mas precisa se apressar pois um destino terrível a aguarda de maneira inimaginável!

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Santiago Menghini comanda a produção que adapta o livro homônimo escrito por Adam Nevill. E tal, teria suas modificações para com o material original, justamente para deixar a trama mais atrativa quando estivesse em tela. Sim, existe toda uma construção interessante ao longo da narrativa e o diretor consegue bons momentos, mas o todo é uma grande bagunça!

Algo louvável da obra é sua estética com uma fotografia acinzentada e com toques de azul, tornam a atmosfera e o clima frio ainda mais intensos quando a protagonista vaga pela cidade ou começa a perambular pela casa. De igual modo, quando precisa ousar em construir os momentos de terror, a direção consegue empregar alguns sustos e realizar um dinamismo através da câmera que proporciona sequências inventivas!

O grande problema nessa construção são os excessos!

Vão se estabelecendo diferentes arcos, personagens, situações, o mistério começa a ganhar forma e coloca em questão até mesmo a sanidade da protagonista, porém quando adentramos os cenários sobrenaturais, a direção tentar criar um artifício de crítica social que não é estabelecido de maneira assertiva. E por mais que venhamos a conhecer os dramas da personagem principal, nada disso se forma como um discurso palpável dentro de toda trama de terror.

Ou seja, se apenas segue pela linha do sobrenatural, diante dos acontecimentos da casa onde estava Ambar, o acerto estava pleno. Agora, quando procura uma forma de inserir elementos metafóricos para tudo isso, a obra se perder. Principalmente em um segundo ato arrastado e num clímax um tão apressado quanto confuso!

Criar metáforas para discutir certos comportamentos da sociedade enquanto se estabelece uma discussão sobre o assunto em questão, sempre foi uma maneira encontrada pelos textos presentes no gênero de terror pra apresentar criaturas, entidades, seres e figuras assustadoras. Isso fez com que lendas fossem criadas e novas tendências se tornassem fortes dentro da sétima arte!

Entretanto, nem todo mundo sabe como usar tais elementos.

A história de Ambar é interessante, nos cativa e passa a fazer referências a outras narrativas conhecidas da vida real. E quando o cenário do horror começa a tomar conta, o que se espera é que essa mescla funcione. Só que não acontece! A discrepância no roteiro está em tentar apresentar inúmeras situações que precisam ser resolvidas pela personagem e não dar cabo de solucionar todas, colocando um artifício no final para nos convencer de quem agora está "tudo bem"!

Porém, a própria linha narrativa não sustenta o que a protagonista realiza ou deixa com que venhamos a assimilar o que ocorre naquela casa. É como se a pressa em apresentar algo sobrenatural fosse maior do que estabelecer os pontos certos para esse momento, tornando o trajeto até as revelações cansativos, e o final abrupto!

Não que tenhamos um desastre em mãos, pois muitas coisas aqui são interessantes, porém era necessário podar certas escolhas antes de se tornarem partes da história!

'Ninguém Sai Vivo' se esforça ao criar uma atmosfera de terror, consegue estabelecer boas sequências de susto, mas se perde dentro do próprio conceito. Isso faz com que a obra não consiga sustentar os campos que procura percorrer com sua protagonista, pois mesmo entregando um final satisfatório para os fãs do gênero do horror, o caminho até isso é cansativo, desconexo e repetitivo em diversos pontos.

Logo, nem todo mundo sabe fazer "terror social" e convenhamos, nem toda produção precisa abordar esses pontos para se tornar emblemática. O importante é manter as ideias coerentes, criar o clima para o espanto e aproveitar as oportunidades de demonstrar o que realmente quer fazer com sua história.

Senão, ocorre o mesmo que o filme em questão, mitologia que nos deixa curiosos, mas que precisar lutar por espaço numa jornada sobre documentação! E pensando bem, o segundo ponto parece ser mais assustador!

'Ninguém Sai Vivo' está disponível na Netflix!

Will Weber
Geek Guia 

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