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  05/07/2015 às 12h50

Nem eu nem Mateus gostamos de aparecer, diz Jorge


Nem eu nem Mateus gostamos de aparecer, diz Jorge

A convite de Jorge e Mateus, fui aos Estados Unidos acompanhar a nova turnê dos sertanejos e pude ver de pertinho o sucesso mundial da dupla. Em um bate-papo animado com Jorge, conheci um ser humano pé no chão, dedicado, engraçado e que gosta de dar conselhos e ouvir seus fãs. Comemos cachorro-quente na Time Square, em Nova Iorque, e também rimos bastante. O resultado da viagem você acompanha nesta entrevista.

Vamos falar do momento de vocês. Estão no topo há alguns anos, as músicas mais tocadas, o maior número de show no meio artístico brasileiro. O sucesso. Era isso que você sempre sonhou?
Esse lance do topo é muito relativo. O dia que eu me sentir no topo eu não vou ter mais nada para conquistar. Acho que nunca vou me sentir no topo. Sempre vai ter uma coisa a mais para fazer.

O desafio é manter-se no topo, você não acha?
Meu grande desafio sempre foi viver de música e há 10 anos eu vivo de música. Essa é minha profissão, tudo que conquistei de material foi através da música e também de respeito, de carinho e de amor das pessoas. O dia em que você achar que está no topo, a coisa começa a ficar sem graça e cair ladeira abaixo porque somos movidos a desafios o tempo inteiro. Sempre quero escrever uma música que seja melhor do que as que escrevi, que tenha alcance maior, que tenha uma mensagem mais positiva, enfim, a gente sempre tem que ter algo a ser conquistado sempre, senão perde a graça. A vida vai ficar vazia demais.

Antes de ser famoso você me contou que não gostava do artista distante. Esta é a razão para você ser tão próximo do seu público?
Sempre existiu aquele mito que o sertanejo depois da década de 90 ficou muito forte e se tornou um movimento muito popular. Nas décadas de 70 e 80 todo mundo queria ter uma banda de rock para viver como os astros de rock. Então era um clichêzinho normal que nunca passou pela minha cabeça. Sempre quis diminuir a distância entre o palco e o público. Sempre quis que as pessoas não idolatrassem tanto outra pessoa. Acho a idolatria triste, para falar a verdade. Ninguém é diferente de ninguém e essa distância não pode existir. Quero que as pessoas que estão na plateia me vejam como um ser humano normal que tem uma profissão diferente da deles. Nada mais que isso. O fato de realmente causar emoção nas pessoas é porque a música tem esse poder. Não sou eu, é a música. Então eu sempre quis sim diminuir essa distância e toda vez que posso falar com alguém que chega até mim, eu falo: “Calma, fica tranquilo… Pode beliscar aqui que sou igualzinho”. Sei da dificuldade de administrar vida profissional e vida pessoal. Distinguo muito bem essas coisas.

O Jorge pessoa física faz tudo que sempre fazia antes da fama?
Faz mais né? Antes eu não tinha dinheiro para pagar, né? Faço tranquilamente. Mateus e eu nunca gostamos muito de aparecer porque, de certa forma, restringe essa liberdade que a gente tem. Se toda semana você for em um programa de televisão de audiência muito grande, está sempre se expondo.

É uma estratégia para manter a privacidade?
Não. É um jeito de viver, cara, que eu escolhi. Nunca programei as coisas, vou vivendo de acordo como acho que vou ficar bem, feliz. Não é legal todo dia ter que sair de casa e ficar se escondendo. Acho muito triste ter que fugir. Quero viver normalmente porque sou feliz assim.

Por isso a opção de não ter redes sociais, por exemplo?
Também, mas não só por isso. A questão das redes sociais, como eu lido diariamente com muitas pessoas, é a cobrança. Como faço para adicionar todo mundo que vai nos meus shows? É complicado… Como faço para responder todo mundo?

Você tem que responder todo mundo?
Não sei, nunca tive. Mas acho que se eu tivesse rede social as pessoas iam cobrar bastante. Com certeza. Tenho um e-mail pessoal que uso para receber música, que alguns fãs tem, são pessoas que considero mais próximas pela maturidade que elas têm. Então é mais fácil de lidar com essas pessoas. Elas não me cobram. Perguntam se viram um e-mail que mandei. Eu digo vi, li, mas não me cobro. Isso não quer dizer que eu tenha que responder. Senão vou ter que acordar todo dia de manhã, até quando estou de folga, para ver e-mail. Se a gente não estiver com a cabeça boa para lidar com as pessoas, não vai rolar. E qual a a maneira de ficar com a cabeça boa? Se distanciando um pouco desse mundo de shows, de palco. Porque o mais importante é lidar com as pessoas cara a cara. Essa é minha visão da coisa.

Na vida pessoal: o que o assédio influi ou interfere na sua vida com sua mulher (ele é casado com a designer de moda Ina Freitas)?
Acho que a gente sempre soube trabalhar muito bem isso aí. As fãs mulheres conhecem, gostam e meu relacionamento com ela já é de oito anos, não tem muito esse lance de assédio sexual, digamos assim. É sempre uma situação mais carinhosa.

Ela lida bem?
Lida muito bem com isso. Às vezes as pessoas são maldosas, comentam, mentem nas redes sociais dela. Se você for viver disso nem eu nem você vamos ser felizes. Melhor a gente curtir nosso momento sempre que estivermos juntos e esquecer o resto.

Qual é o seu sonho?
Ser pai.

Achei que você ia falar algo da carreira. O mais importante é ser pai?
Tenho 32 anos de idade, sempre sonhei trabalhar com música e trabalho com isso, sempre sonhei viajar bastante e viajo muito. Ser pai vai dar uma transformada muito grande na minha vida e na minha cabeça. Eu vou cuidar mais de mim.

O que falta para isso?
Falta pouca coisa (risos). Deus mandar, mas tá chegando a hora, se Deus quiser, em breve vou realizar esse sonho.

Qual a parte ruim da fama?
Quando eu realmente não consigo ter uma vida normal. Quando as pessoas confundem e cobram o que não devo pra elas. Enfim, o fato das pessoas mistificarem muito é uma parte ruim disso tudo. As pessoas acharem que não sou uma pessoa normal. Eu sou.

Você sempre bate nessa tecla, né?
Eu e Mateus somos as únicas pessoas que não podem se sentir nessa situação. Deixa que as pessoas digam, pensem e falem. O dia que a gente achar que está no topo perde a graça o entusiasmo. E a gente começa a se acomodar.

Em que momento que sua vida você percebeu que tudo começou a mudar?
Logo nos dois primeiros anos de carreira, quando comecei a viver de música realmente. Quando vi que podia morar pagando meu próprio aluguel. Foi rápido, porque a gente vive na estrada e não vê o tempo passar. Quando vi que podia comprar um carro e pagar a prestação, que podia morar e até comprar um apartamento. Quando vi que a possibilidade desse sucesso profissional poderia me deixar ajudar a família, alguma coisa assim. Devolver todo o prejuízo que dei para minha mãe e meu pai (risos).

O que fez com o primeiro dinheiro bom que ganhou?
Comprei um apartamento em Goiânia. Dei de entrada nele, comprei por R$ 220 mil. Dei R$ 90 mil de entrada e parcelei o resto. Ele existe. Meu primo Léo, que trabalha comigo, ficou com o apartamento.

Quando teve a certeza de que o Mateus eras o cara para ser ser parceiro de dupla?
As coisas aconteceram de maneira tão natural que sabia que ia ser. Se tivesse sido forçado complicava. Eu tinha 22 anos e ele 18, nenhum de nós dois tinha maturidade e experiência suficiente. Por ele não querer tanto aquilo que acho que deu certo.

O que Mateus tem de melhor que compõe essa dupla?
Primeira coisa é que ele tem muita personalidade e para viver no meio que a gente vive tem que ter. Ele gosta muito de música e estuda muito, nem sempre é fácil lidar com outra pessoa, nunca é fácil lidar. Ainda mais nessa relação que você está em um lugar comendo, e alguém pergunta cadê o outro. Eu respondo: “gente, não sou casado com ele não, eu trabalho com ele”. De vez em quando a gente está separado. O que nos uniu foi o fato de não termos planejado isso, não querer tanto. O fato de eu e Mateus não termos planejado de ser uma dupla, é o que fez a coisa ter mantido até hoje.

O que falta profissionalmente?
Falta muita coisa ainda. Como te disse preciso continuar vivendo de música, abandonei toda uma vida planejada em prol de uma coisa que eu não tinha planejado. Falta coisa pra caramba. Tem muita coisa que você vai realizando ao longo da carreira.

Manter-se no topo é muito mais difícil do que chegar ao topo?
Eu preciso continuar vivendo de música. Pra continuar vivendo disso, eu não tenho que estar no topo, tenho que estar bem. As pessoas precisam ir nos meus shows, comprar os CDs, e manter o que venho criando há dez anos.

O quão exaustivo é essa rotina? Daqui a 10 anos você vai ter a capacidade de aguentar essa rotina?
Com certeza não. A gente já procurou diminuir desde o ano passado. Não preciso fazer 200 shows por ano. Posso fazer 160. Quarenta no final faz uma diferença muito grande. Posso fazer uma semana quatro ou três shows. É melhor pra todo mundo. Vou ter mais disposição, meu humor vai estar melhor. A gente quando vive muito na estrada e tem vontade de fazer outras coisas, é importante esse equilíbrio. Ir para fazenda, ficar longe de celular, internet. Não adianta você só trabalhar e não ter qualidade de vida. Ter um tempo maior pra família, amigos, para ser pai. Quando que há quatro anos eu podia ser pai? Ficava em casa uma vez na semana. Agora fico só três noites fora de casa e isso já facilita bastante. A logística já nos ajuda, quando você tem possibilidade de sair de casa mais tarde. Quatro shows por semana eu faço tranquilamente.

O que faz nas horas vagas?
Sou muito caseiro. Gosto de cozinhar, fazer comida, tomar cerveja. Gosto de dormir à noite e ficar o dia acordado. Costumo mudar minha rotina. Eu procuro trocar. Esse que é o problema. Segunda-feira durmo até uma ou duas da manhã e acordo às 10h. É saudável o sono da noite para eu conviver com as pessoas. E pra mim não é tão interessante querer estar com as pessoas e elas estarem dormindo.

Fonte: Leo Dias

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