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  07/12/2020 às 10h22

Mulan


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Mulan

Um dos grandes injustiçados por essa pandemia no que tange a sétima arte é certamente o live action de Mulan. Lançado no Disney +, disponível para aluguel, o longa na verdade merecia uma estreia digna nos cinemas, pois até mesmo a proposta de fazer uma versão do clássico desenho, se torna algo complemente aposto, principalmente pelo fato de encontrarmos aqui uma releitura da lenda chinesa em suma do que uma adaptação da Mulan da
Disney, com músicas, Mushu e grilo da sorte!

Assim, antes que os mais saudosistas comecem a torcer o nariz e gritem sobre "destruir a infância", é importante ressaltar que a animação permanece sempre ao alcance, por isso, vamos falar da produção de 2020!

Mulan desde pequena sempre demonstrou muita coragem, porém para uma mulher, tal característica não é bem vista, por isso ela deve se manter sempre de acordo com as tradições. O tempo passa e a jovem é obrigada buscar um casamento, contudo, com o país prestes a entrar em guerra, seu pai acaba sendo convocado. Logo, Mulan assume o seu lugar, se disfarçando de soldado, justamente para proteger aqueles que ama e trazer honra para sua família!

Niki Caro é quem comanda a produção, orçada em 200 milhões de dólares, uma das mais elevadas da Disney no que se trata de filmes que adaptam clássicos dos desenhos. E este já é um dos pontos a serem questionados, pois essa Mulan não está tão relacionada a animação, mas sim a lenda chinesa como um todo. Logicamente, encontramos referências, elementos e pontos que nos fazem lembrar da produção de 1998, contudo aqui é algo novo, sob o mesmo prisma.

A diretora sabe como conduzir as sequências de luta, usando e ousando do visual que conhecemos de outras obras como O Tigre e o Dragão e Herói, onde saltos, movimentos e golpes desfiam as convenções da física. Ao mesmo tempo, a fotografia é um deslumbre, do colorido do pôr-do-sol, das pastagens, o vilarejo e da cidade imperial, assim como os locais mais densos, como o campo de treinamento e de batalha com uma paleta mais fechada. Sem contar o excelente trabalho de design de produção e figurinos.

Entretanto, por mais que se trate de uma grande produção, há um problema no emprego dos efeitos visuais ao longo do filme. Diversas cenas transmitem uma artificialidade nítida, as substituições dos atores por versões digitais não convencem e ao empregar isso nos momentos de ação, torna a visão um tanto quanto desconexa do restante que está ocorrendo. Da mesma forma, quando a história parece seguir por um arco de redenção, a escolha mais fácil toma conta da tela, tornando parte do desfecho incoerente!

É interessante descobrir que conhecemos parte da lenda! E aqui ficam de lado as músicas, os momentos de humor e os personagens "fofinhos", para dar ênfase no papel da mulher dentro da cultura chinesa (que exemplifica o comportamento patriarcal sexista de muitos) e como a honra é algo tão importante no que se trata de família.

A narrativa então nos mostra uma Mulan que desde criança sabia que poderia fazer a diferença de alguma forma, mas sempre era lembrada que o seu papel como mulher estava reservado apenas à obediência. Mesmo que fosse portadora de um Chi (Energia que conduz tudo e todos) grande, ela deveria mantê-lo em segredo de todos, pois mulheres que manifestam tal "poder" são consideradas bruxas!

Sabe aquele discurso de que "uma mulher no poder amedronta os homens"? Então, é isso!

E ao passo que a história vai se desenvolvendo em tela, percebemos que o texto contido nesta versão de Mulan cria uma dualidade interessante, entre a heroína e a vilã da história. Ambas fortes, determinadas, detentoras de habilidades além do comum, porém sempre vistas sob um olhar de inferioridade, sendo colocadas abaixo, ainda que pudessem demonstrar maior capacidade! E quando ambas chegam a um confronto são as similaridades que saltam a tela e transpõem o roteiro, que poderia ter aproveitado o momento para criar uma redenção, porém optou pelo caminho mais descartável, literalmente.

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Entretanto, tanto guerreira quanto antagonista expressam um papel importante e representativo, falando principalmente sobre aquilo que está dentro de cada um, que não pode ser escondido, pois é justamente isso que torna as possibilidades de conquistar o que tanto se deseja mais próximas de acontecer, ao mesmo tempo, quebrando as barreiras impostas pela sociedade e sua cultura!

Mulan (2020) está mais para uma nova versão da lenda chinesa do que propriamente um live action baseado no clássico desenho da Disney! E isso é bom! O caminho escolhido para contar a história da guerreira que desafiou uma cultura para lutar é repleto de acertos e escolhas assertivas para este longa. Que vão desde as sequências de batalha às ambientações.

Com uma direção que sabe executar o seu papel com personalidade, a produção apenas perde força quando tenta se apoiar apenas nos aspectos digitais para determinados momentos e ao procurar seguir um caminho mais facilitado em seu roteiro!

Ao final, Mulan trouxe honra a sua família, salvou a China e demonstrou que nem só de canções e piadinhas devem viver os live actions da Casa do Mickey! E se depois de tudo isso você ainda insiste sobre as questões da infância, só me resta dizer: Desonra pra você, pra sua família, pra sua vaca! Talvez assim exista entendimento!
 

Will Weber
Geek Guia

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