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  08/02/2021 às 9h08

Malcolm & Marie


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Malcolm & Marie

Longos diálogos ou até monólogos sobre relacionamentos entre casais sempre se fizeram presentes na cultura pop. Podemos listar inúmeras comédias românticas com declarações de amor ou de término, ou filmes onde o envolvimento se torna o principal alvo de críticas e da evolução dos personagens. E às vezes tais momentos conseguem apresentar toda a intensidade do que é estar em contato com outro ser emocionalmente.

Desta forma, Malcolm & Marie, da Netflix, apresenta uma discussão que vai além das aparências, do dia a dia e do que se espera de uma vida a dois. Há muito o que ser remexido aqui e a produção se encarrega de mostrar que conviver com outra pessoa não é tão simples assim. Tão pouco "hollywoodiano"!

Malcolm e Marie estão voltando de evento, e o que poderia ser apenas mais uma noite onde um casal chega em casa cansado, quer comer algo e dormir, se transforma numa madrugada onde verdades precisam vir à tona, feridas serão abertas e a sinceridade tornará a atmosfera do local intensa e difícil para ambos! 

Sam Levinson escreve e dirige o longa, o tornando um grande diálogo de pouco mais de uma hora de quarenta de duração! E sinceramente, alguns momentos a produção parece ter mais do que esse tempo de exibição. O diretor sabe como utilizar bem o seu casal em tela e extrair momentos que irão fazer o espectador simplesmente focar no que estão dizendo, sem distração alguma. Contudo não foge de se tornar algo esquecível ao final, assim como toda e qualquer discussão de relacionamento.

E nesse jogo de imagem, altamente bem executado com uma fotografia em preto e branco que acentua o ambiente e as ações dos personagens, falta na verdade um fator importante: o convencimento!

Certas sequências parecem ter sido realizadas de maneira automática, com inserções na atuação que se tornam previsíveis e completamente cansativas. Como num momento onde Malcolm gasta mais de 20 minutos em tela criticando uma crítica, onde tudo se repete e parece nada natural de sua parte. Essa falta de naturalidade prejudica a montagem da obra, e assim, voltamos ao ponto do filme parecer mais extenso do que é!

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Tais pontos refletem a atuação de Zendaya e John David Washington. A jovem atriz consegue se sobrepor ao companheiro de cena diversas vezes, apesar de apelar para certas caricaturas já conhecidas de sua atuação em outras produções. Já John David Washington emprega talento, mas não consegue chegar numa ideia que fuja do quanto seu personagem é detestável! Bons atores, mas com um texto insípido em grande parte da história!

A frase acima é um estopim para qualquer discussão de casal! E boa parte da narrativa de Malcolm & Marie consegue sustentar a realidade do que são esses tipos de conversas, mas o grande problema é quando o texto começa a tomar um viés mais filosófico em todos os pontos a serem abordados pelo casal, onde conceitos precisam ser apresentados pelos mesmos na tentativa de um superar o outro, que aos poucos vai minando a verdade e tornando tudo automático.

Boa parte disso está nas frases entregues a Malcolm, o fato de ser um cineasta o faz empregar discursos que não necessariamente estariam presente num bate-boca de quem simplesmente foi mal agradecido com quem ama. Ao mesmo tempo, Marie fica na dualidade de ser a jovem que se opõe ou que acata certos ataques, o que torna também uma construção incoerente e sem firmeza da personagem em determinadas partes dessa DR intensa.

O resultado é aquele que todo mundo que namorou, foi casado ou esteve num relacionamento já vivenciou: dorme-se juntos pois ninguém será capaz de dar a razão ao outro e espera-se o sol nascer para tomar as decisões corretas ou apenas seguir com as atividades do dia como se nada tivesse acontecido!

Malcolm & Marie é parte da demonstração do quanto conviver com outra pessoa e estar emocionalmente comprometido pode causar momentos em que, quando menos se espera, se torna necessário mexer em certos lugares para realmente encontrar o caminho adequado para continuar a viver. Mesmo que em alguns momentos falte naturalidade!

Sam Levinson se esforça, se empenha, faz seu trabalho e entrega o esperado, porém na hora de manter seu texto mais real, desata a ser conceitual e acaba perdendo em certos pontos duas grandes atuações, que se recuperam por si só, sem esforço algum demonstrado pelo roteiro ou direção!

Um relacionamento discutido de forma intensa pode se tornar eterno ou simplesmente causar a dor de um rompimento! E entre guardar mágoas ou falar tudo o que está sentindo fica a reflexão ao espectador, e certamente o olhar questionador para a pessoa do lado enquanto se assiste ao filme irá surgir! 

Malcolm & Marie está disponível na Netflix! 

Will Weber
Geek Guia

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