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  03/01/2022 às 9h35

Lulli


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Lulli

A Netflix tem investido cada vez mais em produções nacionais. Seja nas séries ou nos filmes, rostos conhecidos dos brasileiros têm surgido com frequência nas obras do serviço de streaming e um deles é o de Larissa Manoela. Com dois filmes já lançados, a terceira empreitada da jovem atriz-cantora chega com toques de “Sessão da Tarde” e comédia romântica. Isso não é um demérito, mas uma comprovação de que tais histórias sabem como encontrar o público!

Desta forma, ‘Lulli’ estreia na Netflix trazendo elementos das obras conhecidas por se passarem no ambiente hospitalar e com uma narrativa que traz elementos sobre humanos, além da comédia, ganha-se muito com o carisma da protagonista, porém se perde no quesito direção e construção de história. Ou seja, por mais que você tenha a “estrela” de uma nova geração no elenco, se não houver desenvolvimento, o restante não funciona conforme o esperado.

Lulli faz medicina e começa a estagiar no hospital da faculdade. O seu namoro não vai nada bem até que um dia sofre um acidente com um equipamento. A partir disso, a jovem passa a ler o pensamento das pessoas e isso irá afetar o seu relacionamento com todos à sua volta, principalmente com o namorado. Agora, Lulli deverá escolher de que forma e para quem contar o dom que acabou de ganhar!

César Rodrigues é quem comanda a produção, sendo esta a segunda vez que dirige Larisssa Manoela. O diretor, conhecido de outras comédias nacionais, como ‘Minha Mãe é uma Peça 2’ se esforça em dar um tom mais maduro a narrativa, porém não consegue manter a atmosfera até o final da obra.

Por mais que seja interessante o jeito como conduz as sequências após Lulli conseguir o seu dom, antes disso parece que estamos assistindo algo de forma episódica. Os cortes entre cenas e a forma como tudo é filmado, lembra mais uma série do que um filme em si e podemos dizer que a obra só ganha cara de longa-metragem lá pelos seus 30 minutos de duração.

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Antes disso os diálogos não funcionam, tão pouco a dinâmica entre o casal protagonista que parece dizer as falas com pausas tão artificiais que chega a ser constrangedor em diferentes momentos.

É nítido que Larissa Manoela se esforça para demonstrar que esta é sua obra cinematográfica mais madura, porém há toda uma falta de dinamismo no roteiro para isso que todas as ações de sua personagem não condizem com que está vivenciando, tão pouco com a carreira escolhida.

Parece que o diretor quer pesar a mão no teor comédia romântica, utilizando todos os clichês possíveis. E sejamos sinceros, tais elementos funcionam quando bem empregados, mas aqui poucos conseguem êxito, o que torna toda a proposta um pouco frustrada. Até as sequências em que a protagonista lê os pensamentos não entrega nenhuma criatividade que venha realmente ser atrativo. O que nos faz esquecer que esse ponto da história é realmente importante!

Logo, a narrativa demora a encontrar o ritmo adequado. Sendo que a protagonista não possui nenhum crescimento aparente até os cinco minutos finais da produção. Ou seja, o texto escrito por Thalita Rebouças é tão pobre quanto o desenvolvimento dos personagens do longa.

A protagonista ganha um dom e sua preocupação é apenas o namorado. A melhor amiga quer saber de outro rapaz. A professora alvo do dom somente está nessa trama por conta do namorado de Lulli. O amigo gay possui as falas mais manjadas no quesito militância e a única personagem negra do longa, deve ter umas cinco falas e olhe lá!

O resultado é um festival do discurso de “medicina por amor” e nesse caso empregado pela ruiva, que não é da odontologia, mas que demonstra crescimento por se tornar “médica de família”!

E são noventa minutos para que isso aconteça e uma foto ao final que demonstra, e aí nesse ponto um acerto, que o curso de medicina continua sendo um grande promulgador de preconceito pois na maioria dos figurantes, apenas atores brancos! Pode soar um discurso manjado, mas nem isso o filme tratou de ser um pouco diferente! 

‘Lulli’ é uma comédia de boas ideias, porém com uma execução tão genérica que até a obra ganhar realmente cara de filme, lá se vão trinta minutos do espectador diante de uma narrativa que não se sustenta apenas no carisma de Larissa Manoela.

Ao final, o roteiro mal escrito e os personagens presos às frases clichês resultam numa produção que certamente estará entre os mais assistidos da Netflix, pois como foi dito, filmes assim encontram o público. E assim, mesmo sendo ruim para alguns, acaba sendo bom para outros. Mantendo o clico de obras com “estrelas” jovens do streaming firme, forte e repleto de clichês!

Lulli está disponível na Netflix! 

Will Weber
Geek Guia

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