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  22/03/2021 às 11h48

Liga da Justiça (2021)


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Liga da Justiça (2021)

"Não é a Liga que merecemos, mas é a Liga que temos..." foi com esta frase que iniciamos a crítica sobre o filme da Liga da Justiça em novembro de 2017! E no decorrer do nosso texto falamos sobre o quanto o filme tentava com boas ideias cumprir a tabela das grandes reuniões de super-heróis no cinema, porém realizava isso de uma maneira insossa, causando no espectador uma indiferença enorme ao final de sua exibição! Ou seja, por mais que tivéssemos adentrado aquela aventura de "coração aberto", seus erros não passaram despercebidos! 

Assim, quatro anos depois, Liga da Justiça de Zack Snyder chega às plataformas digitais! O tão aguardado "corte do diretor", que em certos momentos mais parecia uma lenda urbana, realmente ganhou vida e trouxe consigo não apenas os reparos necessários nessa narrativa, mas um triunfo triplamente estabelecido: Da visão de Snyder para um Universo da DC Comics pautado nos deuses que ele possui e dos fãs que tinham esperança de poder ver uma boa aventura de seus heróis dos quadrinhos! E ao final das quatro horas de exibição podemos afirmar que descrenças foram excluídas e apenas a satisfação permanece! 

Após a morte de Superman, as 'Caixas Maternas', receptáculos de poder além da compreensão, despertam na Terra, fazendo com que Batman e Mulher-Maravilha procurem aliados para a batalha que se aproxima. Mas o que parecia ser apenas um obstáculo breve, se revela através da figura do Lobo da Estepe algo muito maior. Algo que poderá trazer o fim da humanidade e o início de uma dominação que há muito tempo foi enfrentada. Desta forma, cabem aos heróis já conhecidos, reunidos agora com Flash, Ciborgue e Aquaman, deterem essas forças do mal. Mesmo que para isso seja necessário trazer um velho aliado de volta! 

Zack Snyder realiza um grande evento nessa produção! Um daqueles momentos apoteóticos que mereciam a tela de cinema, o som e a vibração dos fãs em conjunto. Não é simplesmente a inserção de novas cenas ao desastroso filme construído por Joss Whedon, e remexido por produtores, é uma nova obra! E desta vez consegue ser coesa, divertida, consistente e desenvolvida da maneira correta! Contudo, ainda estamos dentro da mesma trama e para que isso funcione, o diretor sabe onde é necessário acrescentar, retirar, extrair o que há de melhor nos personagens que possui.

Deste modo, sua assinatura cinematográfica é ainda mais evidente. A baixa saturação de cor, o tom de sépia, a fotografia sombria, o uso de câmera lenta nas sequências de ação, os diálogos mais extensos e com maiores informações. Tudo isso contribui para a experiência que estamos assistindo desde o começo. Por isso, não temos uma sequência musical para abrir o longa, mas as consequências da morte do Superman se tornam a chave crucial para os eventos que se seguem. Não se trata de reformular o que foi feito, e sim entregar a continuidade do que estava sendo realizado! E assim, Snyder vai construindo, ao longo de sua divisão de seis partes e mais um epílogo, um cenário favorável a história que queria contar.

Sai o humor excessivo e encaramos um tom de seriedade para os acontecimentos, que ajudam na construção que faltava de alguns personagens. Logo, tais elementos se sobressaem nas cenas de ação! As que já conhecíamos ganharam mais intensidade, violência e um peso narrativo maior. As novas, se encaixam de tal maneira que entendemos onde estão cada membro da Liga, como lutam, e qual o papel no plano maior da equipe! O que torna a presença de Ciborgue ainda mais importante, os poderes de Flash realmente usados com assertividade e as habilidades de Aquaman nada questionáveis! 

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Ao mesmo tempo, é impossível não questionar a duração da produção! As quatro horas realmente parecem ser excessivas, se pensarmos em um filme lançado no cinema, já que algumas das cenas cortadas não contribuem para o desenvolvimento da trama. E isso faz com que as partes 4 e 5 se estendam demais em certos momentos que no resultado não fazem diferença para o que está sendo contado. Porém, a direção parece saber disso e como numa apresentação artística, é necessário fomentar os sentimentos de quem assiste, e entregar no momento certo o que vai confirmar relevância de tudo que está sendo visto! E assim acontece! 

Quando a frase acima é dita, já estamos nos aproximando dos minutos finais da versão de Zack Snyder da Liga da Justiça. Passamos por uma verdadeira batalha épica, o retorno do Superman em seu uniforme preto, e até uma verdadeira necessidade para o Flash realizar uma façanha que muitos esperam em suas histórias. E lógico, a aparição do Darkside de maneira imponente! Por isso, que não bastava apenas consertar os erros do filme passado, era necessário vislumbrar o futuro promissor que esses heróis ainda possuem na sétima arte.

Para isso, as linhas narrativas vão ganhando inserções que dão mais proporção às suas ações dentro da história!

Entendemos melhor o porquê da flecha lançada pelas amazonas para Diana, sua importância como artefato místico e onde aquele aviso a levaria. Passamos a compreender a relação de Arthur com o povo de Atlântida (Apesar do seu filme solo já ter acontecido e a famigerada cena de bolha de ar), além da devida utilização de Amber Heard dentro dessa produção. Também somos levados a entender mais dos traumas carregados por Bruce e de um jeito adequado, o retorno do Superman e sua compreensão de mundo são melhores desenvolvidos em tela. Já para o Flash ainda amargamos apenas o alívio cômico, ora interessante, ora inconveniente, com uma sequência de apresentação até criativa, mas nada além disso.

Contudo, quem recebe o devido "protagonismo" é o Ciborgue. E se você lembra, começamos o texto falando de um trinfo triplo, mas citamos apenas dois pontos. O terceiro está justamente nesse personagem. Victor Stone é um elemento de ligação importante, uma metáfora nítida da vida de um heróis e sua jornada, passando pelas descobertas, pela negação de seus dons, pela aceitação e chegando ao triunfo. Deste modo, Snyder dá a Ciborgue o destaque para realizar os feitos necessários que nos fazem desejar por uma longa apenas do herói (projeto já cancelado pela Warner) e ao mesmo tempo, presta o devido respeito à Ray Fisher!

Assim, preenchendo as lacunas com profundidade, eliminando assim o humor caricato usando anteriormente, a Liga ganha forma dentro de uma aventura que agora sim, pode-se dizer que é sua!

'Liga da Justiça de Zack Snyder' é tudo o que a gente não sabia que queria assistir! Por mais que os fãs mais fervorosos acreditassem em sua existência, o medo de como seria a produção rondava até o momento do "play". E agora, é possível dizer que o diretor realiza um dos melhores trabalhos dentro do Universo da DC Comics no cinema, apresentando de maneira digna o panteão de heróis mais famoso, dentro de uma narrativa coesa e desenvolvida com competência.

Apesar das quatro horas e de cenas que necessariamente não precisavam estar ali, os personagens ganham os elementos adequados para crescerem na trama, e isso acontece até mesmo com o vilão da história. Logo, empregando sua identidade, Zack Snyder utiliza toda a personalidade e criatividade que possui para dar à sua Liga a película definitiva, sem cortes, sem humor pastelão ou indiferença!

E se lá no texto de 2017 encerramos dizendo que faltava o impacto e o assombro que esses heróis nos causam desde sempre nos quadrinhos, agora podemos afirmar que vimos uma verdadeira celebração da DC na sétima arte. Não apenas isso, mas o triunfo de alguém que foi até às sombras e retornou para presentear à todos com o melhor! Por isso: "até breve Zack Snyder e obrigado pelos peixes"!

Liga da Justiça de Zack Snyder por ser assistido através de aluguel nas plataformas: Apple TV, Claro, Google Play, Looke, Playstation, Sky Play, Uol Play Vivo, YouTube e WatchBr.

Will Weber
Geek Guia

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