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  31/10/2020 às 11h28

Kadaver


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Kadaver

Existem ideias dentro do cinema de terror que quando executadas da maneira mais competente, tendem a se tornar um clássico quase que instantâneo. Ao mesmo tempo, tais situações fazem surgir diversas obras similares, sem muito o que a oferecer, apenas tentando aproveitar do momento ou emplacar algum conceito interessante!

No caso de Kadaver, novo filme da Netflix, os elementos da história não sustentam uma trama mal dirigida, atuada e que em nada consegue encontrar um lugar valorizado no hall do terror. É como se 'Uma Noite de Crime' encontrasse com 'O Poço' com toques de 'O Albergue' e mesmo fazendo essas comparações, podemos afirmar que nenhum desses filmes citados gostariam de ser referenciados aqui!

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Após um desastre nuclear, Leonora, Jacob e sua filha Alice, tentam sobreviver em uma cidade completamente devastada. Não há recursos em lugar algum, até o momento que o anúncio de uma peça de teatro naquela noite, oferecida junto de um banquete, se torna o convite perfeito para lhes dar um pouco de esperança. Porém, o que parecia ser uma noite de distrações, se torna uma assustadora jornada para se manterem à salvo!

Jarand Herdal é quem dirige a produção e assina o roteiro. De início, a obra parece promissora! Temos planos longos, uma câmera que passeia por entre os atores e até mesmo faz rotações para intensificar certos momentos. A atmosfera de mistério vai ganhando forma e a ambientação do hotel tenta se tornar tão assustadora quanto a história que será contada, com grandes corredores em tons vermelho, grandes quadros com figuras de animais e objetos que mesclam entre o novo e o deteriorado pelo desastre!

Contudo, apesar desse apuro visual, o filme não sustenta suas principais ideias, tornando então a direção um festival de situações inconsistentes mesclada a uma falta de comando nas atuações. Ao mesmo tempo, a montagem da película é comete erros amadores, tais como cenas que se repetem da mesma forma, na mesma sequência, cortes abruptos que atrapalham a percepção ou o clássico erro de continuidade onde algo está de um jeito e quando retorna, encontramos de outro. E isso se faz constante durante as pouco mais de uma hora de vinte de exibição.

Desta forma, o clima enigmático tenta esconder os erros dentro da narrativa, colocando os personagens a andarem de um lado à outro sem sentido algum, demonstrando apenas nos minutos finais uma tentativa de aguçar o interesse do público pelo o que está acontecendo!

Uma cidade devastada, um hotel suntuoso com um anfitrião pronto a oferecer comida, divertimento em uma noite onde tudo o que acontecer ali faz parte do "faz de conta"! Essa explicação teria mantido a força se as ideias iniciais tivessem sido trabalhadas com maior dedicação!

O texto que fala de uma família que encontra finalmente um local onde poderá deixar de sobreviver e desfrutar de alguns momentos de conforto, em meio a uma encenação que ocupa todo o lugar, é interessante, possui pontos louváveis, tais como as máscaras que na verdade estão sob os rostos das vítimas e não dos algozes, ou uma ligação quase como um culto envolvendo as pessoas que estão na peça, a curiosidade da filha ao tentar entender o que ocorre e as figuras presentes nos quadros do hotel.

O grande problema é que cada um desses pontos caem no famigerado clichê, e não é aquele que a gente aprecia, gosta, cujo o gênero de terror se apropria diversas vezes. Neste caso é incômodo e completamente sem sentido.

Se a filha some dos pais, a razão foi por conta de uma declaração piegas motivacional que não dura menos que um minuto, o que não daria tempo para a menina desaparecer realmente. Ao mesmo tempo, quando o casal protagonista chega ao hotel é dito que crianças não são permitidas ali, entretanto com a intervenção do dono do local ela entra, só que ao mostrar o interior percebemos que outras crianças estão lá! Então, por que o tom de repreensão dos personagens?

Ademais há todo um esforço para que o segundo ato não entregue por completo as informações, nos fazendo ficar por mais de 30 minutos, um sobe e desce de escadas que apenas ocupam espaço! E se você espera algum susto, pode esquecer!

Kadaver é uma produção que realiza uma autossabotagem!
Ao tentar apresentar um conceito, dentro de elementos um tanto "interessantes", se perde em sua própria construção, deixando até mesmo de lado uma possível atmosfera de terror. De igual modo, a direção comete erros amadores deixando sobressair as inconsistências técnicas e de narrativa, além de possuir atuações que não se encaixam na trama ou que elevam ainda mais a falta de comando que o filme possui!

Assim, parece que a cada nova obra, a Netflix busca persuadir o público a consumir qualquer coisa com seu selo, entregando nada mais do que o esquecível de sempre. E se até mesmo na sinopse de seu site, a locadora vermelha se enrola para falar do que se tratava o filme, quem dirá a película iria conseguir sustentar sua trama!

Kadaver está disponível na Netflix!

Will Weber
Geek Guia

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