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  03/08/2021 às 13h54

Jungle Cruise


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Jungle Cruise

A Disney tem apostado nos últimos anos em uma nova leva de produções baseadas em atrações de seus parques na intenção de atrair ainda mais o público para o cinema e para os locais onde a casa do Mickey está. Foi assim com Piratas do Caribe e Tomorrowland, além de há pouco tempo inaugurar uma expansão em um de seus parques com temática dos Vingadores da Marvel. Ou seja, cada vez tanto as produções cinematográficas e as interativas na vida real se integram.

Logo, Jungle Cruise chegou aos cinemas trazendo Emily Blunt e Dwayne “The Rock” Johnson no elenco, em uma narrativa vinda direto as atrações temáticas do Disney World. Mas o que poderia ser um início de uma franquia se torna uma frustrante aventura que se perde na forma de contar a história, nos efeitos visuais mal-empregados e nos erros históricos, e culturais, do Brasil. Em pleno 2021, a Disney não se dar o trabalho de fazer uma pesquisa decente é mais do que ofensivo!

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Lilly e seu irmão MacGregor não conseguem mais convencer ninguém que a busca por uma árvore milenar é verdade. Pois de acordo com a lenda, as plantas têm poder curativo para qualquer doença. Após novamente serem rejeitados para uma expedição, a dupla parte por conta própria para o Brasil. Lá, encontram Frank, um o capitão de um barco em péssimo estado que se coloca a disposição de ajudar em busca da planta mítica. Mas o que poderia ser apenas uma jornada cheia de mistérios, começa a ganhar ainda mais perigo quanto um inimigo surge invocando antigas forças ocultas da floresta!

Jaume Collet-Serra comanda a produção que tem como base uma das atrações dos parques da Disney e por aí já podemos perceber que se não há muita base para trama, aqui também não teríamos tanta coisa para aproveitar. Mas existe uma certa dedicação no quesito entretenimento.

O interessante é todo clima de aventura e até nostálgico que o diretor consegue criar. Existe uma aura de “Indiana Jones” com toques de “Lara Croft” e até um pouco de “A Múmia” (1999), porém nada disso se sustenta no todo da obra. As sequências de ação acontecem, as perseguições são interessantes, só que soa como uma grande tentativa e nenhum acerto. Fora que as escolhas de como as ações dos personagens se desenrolam, são altamente questionáveis. Sem contar que muitas dessas cenas estão filmadas a noite, justamente para esconder as falhas no emprego da computação gráfica, principalmente nos soldados espanhóis amaldiçoados (Conceito criativo, execução amadora). Junte isso aos cortes abruptos de cena, montagens que são usadas apenas uma vez e uma trilha sonora genérica!

Além disso, a produção não consegue sustentar um ritmo decente para que sua história seja contada. Nos trinta minutos iniciais passamos por situações de perigo constantes, após isso, tudo fica morno, sem emoção e nem os momentos clichês de “contar a história do passado”, são interessantes para o andamento da trama. Ou seja, tudo transmite uma mesmice, como uma cópia barata de ‘Piradas do Caribe’, que não estabelece nem ao menos algum ponto de continuidade ou interesse para isso.

Desta forma, cabe a Emily Blunt e Dwayne Johnson tentar sustentar tudo com seu carisma. A atriz realmente é um dos grandes destaques, tanto na ação quanto nas camadas que dá a sua personagem, fazendo literalmente milagre com o texto que possui. Já The Rock é o The Rock que conhecemos e grande mérito do filme é ter ele no elenco, pois várias situações seriam consideradas péssimas se não fosse sua capacidade de nos fazer rir junto com ele.
E sejamos sinceros, não temos muito o que esperar uma obra baseada num brinquedo de parque de diversão, não é verdade!?

Apesar disso, o roteiro trata de criar camadas para as tramas que são estabelecidas, mas nenhuma delas consegue soar como verdadeira ou possui o peso necessário que vá além da ação! Os dois irmãos em que ninguém acredita partindo numa aventura, é bacana? Sim, se isso não tivesse sido usado outras 200 vezes. Sem contar vilões amaldiçoados, um mocinho que tem uma relação importante com a busca mística e o romance que surge em meio a tudo isso. Tudo isso é uma grande repetição do que a Disney já fez, já mostrou, mas em outro continente agora!

E este é um dos problemas, retratar o Brasil da época se tornou uma grande ofensa a nossa cultura, simplesmente por abraçar os clichês e os estereótipos da cultura latina genérica usada em outras obras. Não há pesquisa de como era Porto Velho na época, tanto nos costumes, quanto no figurino e até mesmo na moeda local. Nem sequer nosso idioma é respeitado. O que torna a atitude da Disney desleixada e desrespeitosa em pleno 2021 para com um dos seus grandes mercados que é o Brasil.

Ao mesmo tempo, a Disney trouxe uma grande discussão sobre ter um dos protagonistas como um homem abertamente gay (Interpretado por um ator que não faz parte da comunidade LGBT), porém essa tal representatividade faz o mesmo explicado no parágrafo anterior, abraça os clichês e todos os estereótipos dos personagens LGBTQ+, tornando-o uma mera piada e artifício cômico pautado em seus trejeitos, costumes e roupas!

Isso tudo nos mostra que não havia texto em Jungle Cruise e o que encontramos é um emaranhado de outras obras, conectadas, ligadas por uma série de elementos transitam entre o ofensivo, a subestimação da inteligência do público e a aventura nonsense barata! E não, não tem o que defender aqui!

‘Jungle Cruise’ é uma aventura genérica, sem emoção e tão pouco consegue estabelecer uma aventura além do conceito de caça ao tesouro! Os efeitos visuais são amadores, o desfecho anticlimático e as representações históricas são tão ofensivas que a Disney demonstra sua incapacidade de realizar uma pesquisa antes de começar a rodar um filme.

Até existe, em meio há tantos erros, algo criativo nisso tudo. Algo que poderia servir para dar início a uma franquia de sucesso, mas da forma como foi feito, é melhor deixar certas ideais apenas para atrações de parques, pois essas ao menos duram em torno de 20 a 30 minutos de diversão. Já aqui são mais de duas horas de The Rock e Emily Blunt tentando salvar a casa do Mickey de mais um fracasso cinematográfico!

Jungle Cruise está em cartaz nos cinemas! 

Will Weber
Geek Guia

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