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  30/11/2020 às 9h30

Invasão Zumbi 2: Península


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Invasão Zumbi 2: Península

Em 2005, George A. Romero lançou nos cinemas 'Terra dos Mortos' que mostrava uma sociedade que mesmo cercada por um vírus mortal que transformou boa parte em zumbis, mantinha seus hábitos de consumo excessivo e criava maneiras de fazer a devida separação entre pobres e ricos! A crítica social sempre esteve presente nos filmes do "Pai dos Zumbis" e parece que mesmo após sua morte, ainda faz escola.

Deste modo, Invasão Zumbi 2: Península encontra caminho por essa vertente e apesar de não possuir a personalidade do primeiro longa da franquia, consegue criar bons momentos de ação e aventura, até mesmo tocando em pontos interessantes acerca do comportamento do ser humano. E se isso não é uma referência a Romero, não sabemos o que mais poderia ser!?

Quatro anos após a pandemia zumbi que atingiu os passageiros de um trem-bala com destino a Busan, a península coreana ficou devastada. Jung Seok, um ex-soldado que conseguiu fugir do país tem a missão de retornar ao local onde tudo teve início para recuperar uma carga muito valiosa que poderia mudar sua vida. Porém o local que aparentava não ter mais ninguém habitando revela em seus moradores suas próprias ambições, tornando a missão de Jung uma batalha pela sobrevivência!

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Yeon Sang-ho retorna a direção deste segundo longa que procura contar a história quatro anos depois dos acontecimentos do primeiro filme. E assim como dá primeira vez, o diretor consegue demonstrar sua criatividade logo no início, com uma sequência emocionante e ao mesmo tempo aterradora dentro de um navio. Usando da câmera lenta, ao mesmo tempo que o trabalho de maquiagem segue dando "vida" as criaturas comedoras de carne humana de uma maneira exímia, a cena onde uma mãe procura proteger seu filho após ser contaminado tenta transmitir o que iremos acompanhar a partir de então.

Ao mesmo tempo, por mais que haja um controle assertivo sobre o universo apresentado, o comando do longa parece não saber dosar certos pontos da narrativa.

Ora entrega todo o esforço em cenas excessivamente dramáticas, ora busca criar sequências de ação bem coreografadas e com efeitos visuais que auxiliem no momento. O que infelizmente não acontece, já que o CGI é mal empregado, beirando o que vimos em jogos de videogame do início dos anos 2000. E assim, o que poderia ser uma sequência de nível igual ao original, se torna uma sucessão de boas ideias que não encaixam.

O "ringue" com sobreviventes enfrentando zumbis é interessante, visualmente grotesco, mas nada além disso. As ações à noite são criativas, bem pensadas, mas a finalização dos detalhes é precária. E o instante final é visualmente cativante, porém o exagero emotivo torna tudo caricato e sem o apego necessário para certos personagens. Neste ponto, precisamos falar da narrativa!

O primeiro longa apresentava diversos conflitos que iam desde a demonstração da paternidade até mesmo o senso de confiança do ser humano diante de uma infestação capaz de contaminar qualquer um. Tais elementos, por mais que diferentes, sempre surgem em filmes do gênero de zumbi, ao mesmo tempo que a crítica social também encontra o seu espaço.

E talvez esse seja um dos problemas da continuação, tentar abraçar diversas linhas narrativas para que se encontrem no final, mesmo que para isso tenha que encerrar a trajetória de personagens de maneira abrupta, sem dar a oportunidade de um desenvolvimento devido. Isso acontece ao menos três vezes até os instantes finais do longa, acompanhado de uma trilha sonora que cresce, mas apenas com a intenção de fazer o espectador se emocionar e se ele parar para pensar no momento, não há nada ali que tenha o feito se apegar.

Desde o protagonista até a família que vive na península do título, os personagens são descartáveis! Não existe um vínculo real entre os mesmos e isso tão pouco é transmitido para quem assiste. Ou seja, se alguém for comido por um zumbi, ninguém sentirá falta deste lado. E mesmo acrescentando o dramalhão inconveniente, a velha fórmula de luta pela sobrevivência ainda funciona, rende situações apreensivas e até se compromete com um final satisfatório!

Invasão Zumbi 2: Península pode não possuir a personalidade e nem o "charme" do primeiro filme, mas consegue realizar o feito de expandir seu universo, ao mesmo tempo que estabelece esta continuação como uma grande batalha pela sobrevivência, demonstrando as diferentes facetas do ser humano.

Por mais que a direção esteja habituada com a franquia, o apego excessivo a computação gráfica e o drama mal construído, fazem com que certos momentos percam a intensidade pretendida. Em contrapartida, referências a outros clássicos do gênero servem para dar mais vigor ao longa que ainda poderá render outras histórias no cinema.

Ao final, o clássico momento com os sobreviventes dentro de um helicóptero ganha a tela mais uma vez, e por mais que os caminhos percorridos não tenham atingido todos os objetivos é sempre bom ver filmes com temática zumbi tocando em pontos importantes de discussão em paralelo a cabeças sendo explodidas. E isso é escola "Romero de Mortos-Vivos", tripas voando que te fazem pensar!

Invasão Zumbi 2: Península está em cartaz nos cinemas!

Will Weber
Geek Guia

 

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